Os Ninivitas pós modernos
Os Ninivitas
Os Ninivitas


“Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim.”

Ass: Deus

A Bíblia em toda a sua excentricidade contém extravagâncias inimagináveis, dentre elas Nínive. Você já foi fazer turismo em Nínive? Se eu fosse você não iria, pois isso incluiria risco de morte. Ainda mais se você for alguém como eu, pois os judeus me veem como um dos filhos de Ismael e, de outro lado, os filhos de Ismael me veem como um judeu. Pior é não ser nem uma coisa e muito menos a outra. Só se for em algum lugar do passado ou longínquo de minha ascendência. Nesse caso, e se a bíblia tinha razão, somos todos irmãos e nem precisaríamos ficar por ai jogando bombinhas atômicas e ecologicamente detestáveis, uns nos outros, como algum exterminador do futuro.

Pois é, Nínive parece ter mesmo existido. Foi parte da Assíria e um personagem famoso, mui amigo do povo de Deus, chamado Senaqueribe tentou transformá-la em cidade grande, dada a importância dela na época.

Mas tudo isso não faz parte de nossas modestas intenções aqui, quero mesmo é ater-me à relação ente Deus e os homens, essa coisa confusa que parece piorar cada vez mais.

Qual era o problema dos ninivitas que obrigou ninguém menos do que Deus a incomodar o pacato, mas fiel, Jonas, enviando-o até esta cidade, que não era logo ali na esquina, mas requeria viagem marítima por barco e por peixe, lombo de jumento e caminhadas homéricas, suponho? Se eu te contar a razão de toda essa saga, você dirá que estou de gozação. Com certeza.

Bom, lá vai, mas não se irrite, o problema que estava irritando Deus a ponto dele colocar as coisas na base do dá ou desce, digo, ou para com isso ou acabo com tudo, era, nada menos: malícia.

Isso mesmo, sabe esse tipo de gente que vê sexo em tudo, em cada palavra, na donzela que passa, nas expressões fálicas e todas aquelas outras bobagens que o Roberto Freire receita em seu livro “Sem tesão não há solução“. Não que ele não tenha razão, o pedagogo Paulo e também Freire, tido e havido como o nosso melhor pedagogo (eu sou fã da Maria Nilde Mascellani) chegou a aplicar os conceitos desse livro em suas teorias educacionais. Muito pior que isso, foi a importação dessas coisas para a arte da pregação e da retórica, por parte de certos pregadores conhecidos por aí. Se bem que a maioria dos pregadores atuais jamais leria Roberto ou Paulo Freire. Somos a geração conduzida por pastores que, quando leem, é algo mais do tipo literatura bizarra religiosa. Salvo engano.

Estranho né, mas Deus detesta, repito, detesta gente cheia de malícia. Some-se à malícia de cunho sexual, as outras muito comuns nos negócios, na arte de enganar, de trair, nas intenções, na propaganda marota, na mídia, no jogo político local ou internacional, na igreja e, sobretudo, no ideário das pessoas como eu e você.

Problema é que podemos todos estar por um fio ou ano. Claro que a preocupação maior em nossos dias é com a forma como estamos cuidando do planeta, principalmente depois que norte-americanos, europeus e asiáticos deram-se conta de que pode não haver agua e petróleo para todos, em breve ou com a mortandade inigualável de nossos tempos pelas mais variadas causas, começando pela miséria e terminando pelos desastres causados pelas mudanças climáticas, graças às excentricidades dos senhores e senhoras que permitimos nos governar. Há muitas outras razões para Deus cumprir a promessa que fez a Nínive e que já deve ter feito de todas as formas possíveis e imagináveis em relação a todo o planeta Terra, através de milhares de caras como Jonas espalhados por aí, para breve, mas que ninguém dá ouvidos. Sem falar em todos os avisos que ano a ano o Maioral vem nos enviando e todos nós fazemos ouvidos de mercadores.

No caso de Nínive o que mudou o coração do Criador levando-o a mudar suas intenções, para o azar de Jonas que estava louco para ver sangue assírio derramado, foi o bom e velho arrependimento. Não esse aí que todo mundo tem quando lamenta não ter jogado na Megasena, que fez mais alguns milionários (provavelmente políticos), na semana passada, mas aquele arrependimento do tipo descrito por Paulo aos romanos, capaz de mudar o curso da mente das pessoas.

Jonas, digo, Lou

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