Oração diária do profeta da caverna

em oracao

Ultimamente, em minhas orações pré inicio do dia, onde estrategicamente lanço mão da única oração ensinada por Jesus, aquele de Nazaré, em três anos de ministério. Especialmente do verso “livra-nos do mal“, prudentemente recitado por mim como “livra-me do mal“, afinal sou tão egoísta quanto qualquer um.

A seguir inicio um rosário de lembranças a Deus, sabe comé, o velhinho deve estar esquecido. Certamente ele está postado a meu lado em sua peculiar forma de espírito, e estas lembranças, a meu ver, são desdobramentos desse verso, tais como: livra-me dos cobradores, dos oficiais de justiça, dos juízes, dos cobradores, dos cortadores de luz, dos desligadores das linhas telefônicas, dos sinais de TV por satélite, de Banda Larga, de água, do carteiro e assim vai.

Note que recito os meus males pela ordem de importância, e sempre me pego considerando a água, tão vital e necessária, menos importante do que a Banda Larga, por exemplo. Às vezes incluo os marginais e a polícia nessa lista. Ah… o Geraldo também, aquele excomungado.

O outro verso muito utilizado por esse que vos escreve, com tanto carinho, é o pão nosso de cada dia. Evidentemente, tomo o cuidado de explicar a Deus, sempre ao meu lado em espírito, que não estou falando de pão literalmente, mas minha intenção é ganhar a grana necessária para, além de comprar alguns pãezinhos franceses, também um pacote de pão de forma, outro de pão integral para ajudar a manter a minha silhueta sarada, um pé de alface americana, um bom pedaço de carne de primeira em bifes, moído ou em um único corte, eventualmente um pacote de batatas prontas para fritar, ou de mandioca limpa e cortada, alguns legumes e alguma sobremesa, sorvete ou frutas ou as duas coisas.

Essas coisinhas todas para serem juntadas ao material de cesta básica adquirido anteriormente. Claro que aos domingos, cuido de sugerir um cardápio mais dominical, com o maldito frango e as deliciosas massas da Dedé. Também procuro lembrar ao velhinho de memória fraca sobre as contas vencidas e as vincendas e finalizo colocando ênfase, significativa, na questão de um meio de subsistência fixo e duradouro, coisa que não faz parte de minha vidinha há séculos.

Gosto de ressaltar, nesse ponto, como seria mais digno eu não depender das esmolas e doações de meus parentes e amigos, todos com o saco cheio das minhas mendicâncias.

Nessa altura da oração, entre um cochilo e outro, entro naquela parte mais cansativa e pouco confortável envolvendo perdoar meus devedores, coisa rara no meu caso, como exemplo pelo perdão dos meus pecados, como se os tivesse. Claro, uma coisinha aqui e outra ali, mas nada muito significativo, como nos tempos de juventude.

Aí finalizo com aquela hipocrisia de que o Reino é dele, o poder, etc. No fundo, todos nós sabemos ou estamos em duvida quanto a esse ponto. Pelo menos, o que vemos, nos diz algo bem diferente. Mas tudo bem, não custa nada agradar o ancião mor, coitado.

Tudo isso devidamente alinhavado com o tradicional “em nome de Jesus”, afinal a ideia toda foi dele, desde o começo.

Capricornio PB