A Gruta do Lou

Obama, Gaza, discipulado e teólogo

Edição Atualizada

Nessa você não acreditará. A Michele Obama me enviou um E-mail (a equipe Obama tem me enviado E-mails diários) convidando -me a escrever uma frase sobre o que a inauguração do governo Obama significa para mim. As dez melhores frases darão direito a estar na festa de posse do presidente norte-americano, com direito a um acompanhante. A primeira frase já foi selecionada e sua autora teve o nome anexado à lista de convidados. Para tanto ela disse: “Barack me deu esperança. Espero que 2009 traga mudanças verdadeiras para os os Americanos (sendo assim estamos nessa) se encontrarem em meio a essa bagunça.”

Que tal? Vai nessa meu!

Tanto fizeram que acabei fazendo a loucura. Liguei para o Khalil. Esse ano ele não veio passar o natal e o ano novo em São Paulo, devido à turbulência na Faixa de Gaza. Foi engraçado porque o cara que atendeu só falava hebraico e, como sempre faço, falei em hebraico com ele, embora não fale mais do que umas quatro palavras compreensíveis nessa língua. Depois de uns três minutos de “conversa” com o irmãozinho judeu-cristão, o Khalil pegou o telefone e foi logo dizendo: “Só podia ser você“. Não sei por que ele disse isso.

Como sempre, fiquei emocionado ao falar com ele, pior quando a Laila pegou o telefone, enquanto o marido chorava no ombro dela. Ele tem ido diariamente à zona de conflito. Leva de tudo para ajudar as pessoas, sobretudo aquele seu imenso amor pelos seres humanos. Ele me disse que encontrou vários israelenses para consolar em Tel-Aviv, também. Segundo ele, o povo dos dois lados só tem a perder com mais essa insanidade. Terminou dizendo: “Lou, esteja certo de uma coisa: “Deus não tem nada a ver com esse conflito, nem o nosso, nem o dos judeus e nem o dos muçulmanos”.

Felizmente eles e a missão estão em Jerusalém e os foguetes estão caindo longe de lá. De qualquer forma, fico muito apreensivo todos os dias ao ver os noticiários da TV e da Internet. O Khalil já esteve muito perto da morte, várias vezes. Na verdade, pelo menos três vezes, me ligaram informando alguma tragédia em que ele estaria irremediavelmente desaparecido. Mas ele sempre sobreviveu a elas. O cara é como os gatos, tem muitas vidas. Graças a Deus.

Jesus deve se orgulhar do Khalil e da Laila. Não conheço ninguém como eles. Em pleno século XXI, eles estão servindo ao Senhor. Pode? A missão deles não é evangelizar judeus e muito menos os muçulmanos. Eles trabalham como um método super ultrapassado chamado discipulado. Sim senhor, eu disse discipulado. Eles ensinam o que aprenderam para outros, que por sua vez, fazem seus próprios discípulos. Tem mais, não são os discípulos que os sustentam, mas eles sustentam os discípulos, na maioria das vezes. Ridículo.

A igreja da missão é a sala da missão, que vira uma capela aos domingos, pela manhã, onde já tive oportunidade de pregar para os seis missionários presentes, certa manhã. Um dos momentos dos que mais me orgulho. É o tipo do programa do qual Deus Pai se compraz, certamente.

Não falamos por muito tempo, talvez uns trinta minutos, nada mais. Ele continuará indo todos os dias à faixa de gaza. Não me pergunte como ele faz isso. Enquanto isso a Laila fica na missão cuidando de tudo e orando. Ela usa um colar de contas para orar. Consegue trabalhar e orar ao mesmo tempo. Aprendeu com as mulheres muçulmanas. No fim, gastamos aqueles últimos minutos com um silêncio obsequioso, enquanto ouvíamos o fungar de todos nós. Então o Khalil quebrou o silêncio e disse: Ainda não será dessa vez, acredite. Desligamos.

Semelhança teológica

Entrei no novo ano recebendo mensagens esquisitas. Uma delas era sobre o resultado do meu teste “qual teólogo é você?” Para certificação geral, fiz novamente e confirmei o veredito. Por sinal, acho-o correto. O Lou autor é um baita conservador, nunca o neguei. Liberal é o personagem. Coisa de escritores, um bando de frustrados. Criamos o que gostaríamos de ser, mas não somos.

Você é Martinho Lutero.

Descrição na wikipedia:

Martinho Lutero
92%
Paul Tillich
75%
Friedrich Schleiermacher
67%
Rudolf Bultmann
67%
Jurgen Moltmann
67%
Santo Agostinho
67%
Jonathan Edwards
50%
João Calvino
50%
Karl Barth
50%
Charles Finney
33%
Anselmo
33%

O culpado disso tudo é o Volney. Veja aqui

5 thoughts on “Obama, Gaza, discipulado e teólogo

  1. Khalil,Laila, parece ficção…custa acreditar que existam.
    Eu só consigo imaginá-los, como ANJOS.

    Neste momento, eu sinto uma paz tão grande…Graças a Deus…

    Também os vejo assim. Eles são a paz, em nós.

  2. Loutero? “Suspeitei desde o início”

    Oba! Essa é boa. Já adotei. Ass. Loutero

  3. Somos parecidos, apesar de tão diferentes! Lutero nem apareceu na minha lista, mas Tillich foi o primeiro, com 90%.
    Já Gaza reforça o conceito do Rubem Alves: não dá pra ser otimista, só dá pra ter esperança!!!

    Não somos iguais em termos de personalidade, mas temos em comum a maioria das influências, fontes e referências e isso nos faz parecidos. As marcas de uma geração. Pode escrever.

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