A Gruta do Lou

O Twitter e a nuvem do mal

Escrevi umas duas horas sobre “o Twitter e eu” para, no final, deletar tudo. Acho que sobre o Twitter era o melhor a fazer. A frase melhor que cheguei a escrever no texto apagado foi que o Marcelo Tas, titular do CQC é o ditador do Twitter e dos blogs, inclusive entre os evangélicos. O cara chega ao extremo de mencionar, quase diariamente, quantos novos seguidores conseguiu, no que é acompanhado pelos seus imitadores cristãos. “Coisas do ego”, diria o Zenon. Também tenho grandes lutas com o ego, sem dúvida ele é o inimigo. A tolice é imensa, pois há um programinha mediocre que, uma vez instalado, puxa quantos seguidores você quiser. Fiz a experiência com o meu perfil @loumello e, em minutos, tinha dois mil novos seguidores que eu nunca havia visto mais gordos, antes. Essa gripe suína tem me preocupado muito, seguramente ela não é uma opção para nossa família. Tenho evitado sair, ao máximo. Estamos vivendo como a família da Ane Frank. Problema é sempre o mesmo, a droga da comida na mesa. Ultimamente, o trabalho rareou de vez. Nem os bicos pela rua têm dado o ar da graça. O filho do meu vizinho, um excomungadozinho, está estudando informática na escola técnica (um arremedo de escola muito comum no interior) Fernando Prestes e virou o técnico do pedaço. Também, o infeliz não cobra, não é para menos. Veja só eu, um competente consultor para ONGs, evangélicas e outras, ganhando a vida consertando essas máquinas ridículas e empoeiradas, fora as catotas dos usuários espalhadas por todo lado. A sensação é que estamos enuvados. O que é isso? Bom, é um termo inventado por mim, cujo significado informa a existência de uma nuvem bloqueadora do lugar. Sabe aquela nuvem norteadora de Moisés e o povo dele que baixava sobre a tenda, mais ou menos isso, só que a minha é do mal, enquanto a dele era do bem. Ela baixou aqui em casa e não sai, nem com reza braba. Enquanto está sobre a tenda, trava a vida de todos os presentes. Ninguém trabalha, ninguém casa, não tem grana e muito menos comida no refrigerador, fora os verdugos batendo à porta e a família e os amigos metendo o pau. Essas nuvens adoram grutenses, ou nos tornamos homens e mulheres das cavernas devido ao enuvamento de nossas vidas. Sei lá. E neca do Twitter e de Deus, muito menos.

lousign

6 thoughts on “O Twitter e a nuvem do mal

  1. Eu fico com a segunda hipótese:”nos tornamos homens e mulheres das cavernas devido ao enuvamento de nossas vidas”.

    Dizem com essa casta só sai com jejum e oração, não das vítimas, mas de discípulos do mestre.

  2. O pior é gente como eu que fica encantado com o furta-cor da nuvem. Quando chego na Caverna é sempre agoniado o desanuviamento, mas é isso mesmo que eu procurava, sem saber.
    E tem outra, gente que faz uma nuvem de tags na mente, todas começando com “#” juntando um feixe de situações, discursos, gestos e pessoas, e adesivando uma tag nas fuças. Bom é quando acha um sujeito feito de areia e a cola não pega.

    Mas eles são raros, meu amigo.

  3. Confesso a Deus Todo-Blogoroso, e a vós irmãos e irmãs da Caverna, que twittei com pensamentos e palavras, com fatos e citações…
    Já deve ter formulário de seleção de trabalhador e questão do ENEM perguntando se você sabe o que é RT, FF e TT, te chamando com um @ na frente do nome e pedindo pra responder em 140 caracteres.

    Eu te absolvo, vá e não peques mais.

  4. pqp esta foto da nuvem do mal é de assombrar!

    Ela é autêntica, da Nova Zelândia, se não me engano. As daqui são muito mais feias. 🙂

  5. O Twitter é moda, daki a pouco passa (eu acho). Qdo todo mundo começar a ter um que nem orkut, o negócio vai enjoar. Eu particularmente só uso pra divulgar meu blog e só sigo pessoas interessantes que me passem informações que eu julgue interessantes.

    Penso que seja uma ferramenta muito mais parecida com o perfil de nosso povo. Escrever pouco, superficialidades, muita competição, enfim, tem todos os ingredientes para desaparecer tão rápido quanto chegou. Mas bons blogueiros já ficaram pelo caminho. Uma pena.

  6. Vejo que nos comentários há mais palavras sobre o que você ia falar do que realmente foi dito. Não que isso faça alguma diferença mas é uma constatação sociológica de imenso valor…

    Geralmente sai mais sumo nos comentários do que nos posts. Bobos os que não desfrutam disso.

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