A Gruta do Lou

O que estou falando da Igreja

Escolhi esse tema porque alguns caras (Alessandro Rocha, Jorge Pinheiro, Paulo Brabo, Ricardo Gondim, Ricardo Quadros Gouvea (org) e Willian Melo) mais ou menos conhecidos da blogosfera e nos meios mais teológicos cristãos, resolveram escrever “O que eles estão falando da Igreja” *. Como aqui na Gruta manda quem pode e obedece quem tem juízo, ou seja, decido se posso ou devo escrever sobre o que bem entender, aí vai.

Nesses quase cinco anos de blogagens (1287 mais algumas ainda no sótão), seguramente o tema “igreja” é o mais escrito de todos, de várias maneiras, ângulos e paradigmas, fora as citações. Numa fuçada rápida em nosso mecanismo de busca, coisa pouca usada por aqui, obtive mais de quarenta e oito páginas de textos relacionadas à Igreja. Talvez eu já tenha batido o apóstolo Paulo nesse quesito.

Claro que, na maioria das vezes, espinafrei a pobre coitada. Aliás, um dos autores do livro citado, geralmente, é uma das minhas vítimas preferidas entre os que classifico como responsáveis pela atual situação da Igreja Cristã Protestante no Brasil, nos meus textos. Engraçado é que ele também não está contente, não se sabe com o que, se com o estrago ainda não alcançado ou pelo que já conseguiu estragar. Não me surpreenderia se, em sua auto-imagem, o cara se julgue o paladino da redenção pós moderna da Igreja. Satanás também não se convenceu daquela história de ser expulso do Paraíso, até hoje, ou como diria o finado Tio Cássio: “De bem intencionados o inferno está cheio” e, em breve, estaremos todos lá nos confraternizando, se não me engano. Afinal, essa é a melhor opção para quem ousa peitar a Igreja, ou linchá-la.

Igreja está escondida na pasta “eclesiologia”, por sua vez arquivada em “teologia de quintal”. Esse último título organizacional não tem sentido pejorativo, é que o mineiro Rubem Alves gosta de fazer teologia na cozinha, ao pé do fogão onde sempre há um cafezinho quentinho, enquanto eu prefiro fazer teologia no quintal, ao pé de um bom abacateiro ou de uma mangueira, daquela que produz manga espada, pois elas nos dão bons frutos. É assim que construo a desconstrução de uma das instituições mais antigas e tradicionais da civilização ocidental, que agora, eu, o Steve Jobs e o Bill Gates condenamos ao ócio improdutivo, de onde ela nunca chegou a sair, para vergonha de seu co-fundador. Além disso, dificilmente, outra instituição teria feito mais mal à criação divina do que esses monumentos alojados sob uma cruz.

Para mim, os principais culpados desse estado alcançado pela Igreja são os pastores (ou sacerdotes) e depois a conspiração das ovelhas que inventaram a moralidade, para poder enquadrar os pastores em imoralidades, pois classificam como imoral, comer ovelhas, embora vivam açodando os pilantras. Bom que se diga, deve haver um ou outro pastor probo por aí, mesmo que não faça parte do meu modesto background. Mas aí, ninguém pode me culpar por minha ignorância. Agora pouco passei em frente à Igreja Metodista de Sorocaba, uma big igreja, de onde o Pastor Oscar saiu para se meter a pastor pentecostal de uma igrejinha de beira de barranco, na periferia da cidade. Não consigo imaginar qual teria sido a motivação dele para tanto.

Sei não, mas acho que o Mestre não ia gostar nada, nada se visse a situação atual da sua turma do Caminho. Talvez ele precisasse ser um pouco mais radical, dessa vez, chutar não só as mesas dos vendedores de pombas da área dos templos, mas usar um pouco de dinamite seria recomendável.

* O lançamento do livro “O que eles estão falando da Igreja” da Editora Fonte Editorial, será no dia 03 de dezembro, às 20 horas, no auditório João Calvino, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com a inquietante presença dos autores, como mencionou um deles, meu amigo Paulo Brabo do melhor blog brasileiro (Bacia das Almas) depois da Gruta, e a minha, pois pretendo passar por lá, despercebido, claro.


 

12 thoughts on “O que estou falando da Igreja

  1. Lou, não é meio esquisito o local onde se dará tal lançamento? Não é na catedral acadêmica e intelectual das igrejas protestantes históricas, justo as que se arvoram detentoras das chaves do céu e do inferno?
    Não é estranho?

  2. Rubinho, “tu o disseste”! Brincadeira, também pensei essas coisas e tive a mesma reação de estranheza. Só não citei no texto por espírito de preservação ao nosso amigo autor, que talvez nem saiba desses detalhes, sem falar em outros, como o CCC e a Operação Bandeirantes, para falar o menos. Em outras palavras, o livro está sendo lançado na casa do maior concorrente. Bem, de repente, é alguma estratégia de marketing ao contrário da editora, ou coisa assim. Vai saber…

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