A Gruta do Lou

O pior momento

Assistindo ao testemunho do ex-jogador de futebol Casagrande, a respeito da sua recuperação da dependência química, em particular, chamou-me atenção o momento em que, perguntado sobre seu pior momento, ele narra um episódio em que fez uso de droga e entrou em convulsão presenciada por seu filho com doze anos, na época.

De repente, comecei a ver em minha tela mental, centenas, talvez milhares e a mim mesmo, de pais em seus piores momentos, justamente por causa deles serem presenciados por seus filhos. O Casagrande teve alguns episódios assim, originados pelo uso de drogas e isso é muito grave. Igualmente devastadores são os piores momentos vivenciados por esses pais, cuja duração torna-se crônica. Dia após dia, eles envergonham seus filhos com suas crises de uso indevido de desemprego, de desesperança, de falta de uma comida mais gostosa, de contas não pagas causando perdas de todos os tipos, das discussões e separações.

Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei, disse o Mestre Nazareno. Casagrande encontrou uma clínica de recuperação para dependentes químicos e o alívio necessário. Todos esses outros pais, carecem de alívio, imediato e duradouro. Jesus disse, mas não explicou bem como seria isso, como de hábito. Onde e como esses pais sobrecarregados de maus momentos constantes encontrarão o alívio prometido? Cadê a clinica de recuperação para pais causadores de maus momentos crônicos?

O palco da recuperação desses indivíduos sofredores parece ser o mesmo em que vivenciam suas desventuras presenciadas por seus filhos impertinentes, ou seja, o mundo de cada um. Os componentes a serem acrescidos em seus mundos são a generosidade e a solidariedade. Não aquela coisa rançosa inventada pela igreja católica e pelos pastores, a tal compaixão que faz os caras sentirem-se indignos e humilhados. Falo da mão generosa estendida voluntariamente, sem apelos ou chantagens.

Agora encontramos a resposta do Filho do Homem à nossa pergunta, na generosidade do bom samaritano, um cara comum, aparentemente, mas com uma grandeza sem igual. Gente incapaz de passar ao largo, de permitir a um pai assaltado e agredido pelos desalmados dessa vida que, sequer, lhe peça algo. Antes disso, toma-o em seus braços e o socorre em um desesperado ato de bondade.

Bem aventurados os capazes de aliviar, em nome de Jesus Cristo, aos pais desesperados em seus piores momentos.

5 thoughts on “O pior momento

  1. Generosidade, Generosidade… é uma atitude tão simples, tão banal.
    Acredito, sinceramente, que ser generoso, independe da nossa
    crença, nível social, raça, etc, etc… mas para muitos, generosidade ainda é um código indecifrável.

    De fato.

  2. Que sejamos nós, enquanto Igreja de Cristo os bons samaritanos de verdade, a colocar à disposição nossas vidas,(essa não é minha praia, mas se precisar estou disposta) a levar ajuda e com generosidade nos solidarizarmos a eles, seja através de uma instituição para tal fim ou até numa intervenção imediata socorrendo os que para a morte em desespero caminham, estendendo nossas mãos que muitas vezes trabalham somente para benefício próprio.

    Miguel… acrescenta o nome dela na lista dos generosos.

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