A Gruta do Lou

O Mito da Gruta

Mito da Gruta Mito da Gruta

Muitos imaginam que a Gruta seja um buraco em um morro qualquer. Enganam-se. Talvez seja devido aos apelos persistentes a favor dos endividados, deprimidos, preteridos, etc., pois, ao iniciarmos, seguimos modelo bíblico da Caverna de Adulão, quando os preteridos do mundo juntaram-se a Davi para formarem um exército vencedor. Ficou claro que eles só foram perdedores até unirem-se ao ungido de Samuel, um mais que vencedor, na versão do pessoal da Auto-Ajuda ou da turma da prosperidade.

Tenho outra visão dos fatos, para mim Davi era o cara. Ele saiu da caverna e foi iluminado. Quando voltou, usando de seus dons e talentos na área da propaganda e marketing, como um ex-aluno da ESPM se sentiria, conseguiu convencer aos tolos, gente que acreditava nas sombras estampadas nas paredes da caverna, da existência de um paraíso fora daquele lugar, embora fosse preciso eliminar o chefe, antes de passar de fase. O final da história todo mundo conhece, Davi levou a turma toda com ele, na forma de um exército, eliminou o chefe Saul e mudou de fase, onde os ex-párias viraram vencedores por Cristo, digo, por Davi.

Embora você possa identificar algumas ideias platônicas, tome isso como mera coincidência, embora também compartilhe da crença do velho grego de que a gruta seja o mundo, tudo isso não passa de mera coincidência. Nesse caso, estariam todos, sejam tolos ou ortodoxos, iludidos por imagens projetadas com algum resto de luz que emana do lado de fora. Li em algum lugar que os evangelhos seriam os diálogos de Platão em linguagem teológica. Bultman estarreceu os pastores de sua época afirmando que o Novo Testamento estava repleto de mitos, ainda bem que ele não revelou que o antigo também estava. Entretanto esses detalhes não fazem a menor diferença. A Bíblia continua sendo um livro sagrado, onde escondem-se revelações proféticas de teor e importância universais. Basta apenas um pouco de metafísica na hermenêutica. Caso contrário sempre sobra uma boa maçonaria ou, na pior das hipóteses, uma Ópus Dei qualquer, como nos esclarece o Dan Brown.

Observar as pessoas nesses sites de relacionamento é, ao mesmo tempo, interessante e desesperador. Tanto os desesperados quanto os satisfeitos estão vendo em parte. Aliás, houve um certo judeu que afirmou isso há uns dois mil anos atrás, segundo dizem. Será que ele leu ou ouviu os diálogos platônicos, também. Há quem diga que ele esteve até na Índia, por que não na Grécia, muito mais perto de casa. Pessoal esquece que ele morou no Egito, algum tempo antes dos oito anos de idade. Talvez tenha sido nessa época que ele adquiriu aqueles hábitos faraônicos, como aquela história de derrubar o templo e reergue-lo em três dias.

Não sei se ao sair da Gruta fui iluminado. Certo é que no meu itinerário de leituras consta Sidarta de Hermann Hess, como meus leitores mais assíduos estão carecas de saber, e com ele aprendi a esperar, meditar e jejuar, além de sentar sob a árvore até meu nirvana, onde minha família pensa que estou até hoje. Se era isso a que Platão se referia, então o Hermann e eu conhecemos a realidade e sabemos que nada disso é real, mas apenas sombras, até mesmo o câncer nos pulmões de uma amiga, recém descoberto. O problema é que quando cremos no que vemos, isso se transforma na nossa realidade e não há Davi ou Jesus que nos convença do contrário. Bom, sempre há um ou dois mestrados, mais alguns doutorados, desses que há em qualquer esquina, capazes de fazer o que nossos deuses não fizeram.

Nesse universo de sombras projetadas nas paredes da Gruta há de tudo, economia, educação, saúde e até finanças pessoais (parte da economia). Pior, há teologia, também. Não posso ser contado entre os mais otimistas crentes na Filosofia como a porta de saída da Gruta. Como zelador dela, afirmo ser a fé, não nas sombras, óbvio, mas na realidade iluminada no lado de fora, que na verdade, seria o lado de dentro, afinal, ao contrário do que pensam todos, não somos nós os engrutados, mas eles, a raça de víboras que Jesus quer ver salva e vivendo conosco no Reino de Deus. Depois ele reclama de nossa falta de ânimo ou ânima.

morcego-12

4 thoughts on “O Mito da Gruta

  1. Tive que ler umas três vezes. Cada vez achei que entendi de outra maneira o que não havia entendido. Certo é que a cada leitura poderiamos tirar pontuações diferentes de um texto tão rico.
    Penso sempre que talvez seja eu, dentre outros, a necessitar de salvação e vivência no Reino.

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