A Gruta do Lou

O mal sai do meu interior

Jesus era mesmo uma figuraça. Os judeus preocupados com os Herodes da vida e a corja de políticos seguidores (qualquer semelhança é mera coincidência) e o Mestre vem com conversa fiada – “Não, o mal não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem” – uma ironia tosca para não atrair a fúria da Polícia Federal da época – cuja tradução livre seria: o nosso inimigo está dentro de nós.

Sei muito bem disso, mas é impossível ver uma foto com os mesmos caras de sempre, rostos cheios de rugas, cabelos branquinhos, para quem ainda os tem, e barba também – as mulheres desfiguradas pelo tempo, igualmente, mas a voz continua a mesma, a voz e o discurso – um bando de oportunistas feito abelhas rondando a máquina de refrigerantes e ficar sem fazer, pelo menos, um mísero comentário sarcástico. Jesus há de incluir esse pecado em minha redenção. Mesmo pródigo em falar mal do inimigo externo, não será isso a causa de meu passaporte para o inferno, mas essas minhas entranhas contaminadas o justificarão.

A verdade não está mais nessas organizações falidas, mortas e ainda não enterradas. Pessoal de direita preocupado com o plano do governo em formar conselhos comunitários e a igreja da decadência se reunindo para criar mais uma associação igual a muitas já enterradas em passado distante e próximo. Não me venha com aquela conversinha tola e oportunista de me jogar em algum canto só porque discordo do outro. Posso até discorrer sobre as teologias de um ou de outro para justificar minha discordância. Calvino e Lutero enfiaram o pé na maionese, tanto quanto Armínio. Os modernos e pós-modernos estão caminhando a passos largos para se enterrarem em suas próprias plantações. O mal continua saindo de dentro, cambada. Esse é o inimigo.

Quanto à Igreja e as instituições, irão todos para a Internet. Será tudo cibernético. O futuro presente e próximo está nas Redes Sociais. Bobagem pensar em algo como as pessoas não se reunirem mais. Cada vez mais elas se reunirão com qualquer fim, menos para tratar de negócios, sejam os comerciais ou os religiosos. No inverno as praças estarão cada vez mais cheias de gente patinando na neve e no verão todo mundo estará na praia, com ou sem desmoronamentos. As casas de dança e música sem nexo ficarão, cada vez mais, abarrotadas e seus prédios se agigantarão. Tudo tramado ciberneticamente.

A igreja, última testemunha de meu viés cristão, aqui perto de casa, criou uma comunidade no Orkut, a meu conselho. Mas a comunidade não vai à frente. Tolamente, imaginava dar alguma esperança ao grupo. Nada feito. Eles preferem, seguir como ovelhas a caminho do matadouro.

A única imutabilidade em nosso século, em relação aos passados e até ao de Cristo, será o mal em nosso interior – a saber – inveja, rancores, cobiça, mentira, culpa, etc… essas bobagens capazes de garantir nosso lugar no lago de enxofre. Incrível, mas essas senhoras não envelhecem nunca.

6 thoughts on “O mal sai do meu interior

  1. De dentro de nós é que procedem as coisas más, sendo que o que nos contamina, não vem de fora, mas do coração.

    Boa.

    Não falei?

  2. Estou sem lado para justificar qualquer afirmação, pois nenhum combate o sistema dentro. E as muralhas ainda são construídas, a iniquidade aumenta e o amor esfria… Vai piorar, mas eu creio que haverá união da parte de quem se cansa de si mesmo em primeiro lugar.

    Pois é, você acerta, as teologias são mais estéticas, cuidam do que se pode ver e deixam o interior em segundo plano.

  3. É possível mudar a realidade através da palavra (escrita ou falada) e do exemplo.

    “Esses dois homens destruíram a França,” (a dinastia dos Luízes) disse Luiz XVI, ao ver a obra de Voltaire e Rousseau, no Museu da França !

    É mas eles não foram totalmente bem sucedidos. Sobrou o Sarkosy, o filho dele e a Pomer uma excomungada professora de francês nos meus tempos de ginásio.</strong>

  4. “Depois de ter dado abrigo ao mal,ele não mais pedirá que você acredite nele” (Kafka)

    Bom, estamos tentando, mas sem sucesso, ainda.

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