A Gruta do Lou

O Jogo da Culpa

Acho que se alguém deseja bons exemplos a serem seguidos, leia as biografias do Steve Jobs, Bill Gates, etc. Na verdade, não tenho nada a dizer a quem quer que seja. Dei a Deus e à bíblia o meu melhor. Sei que não foi grande coisa, mas Ele parece não ter se importado ou talvez considere a outra parte mais significativa, ou sei lá. O fato é que, no meu caso, a reciproca divina tem sido um tanto exótica.

Por um lado, talvez o menos importante, não tenho do que reclamar. Embora viva a espera do Big One, até agora ele não veio, mas não é fácil viver nesse tipo de perspectiva. De outro, aquele que todos consideram relevante, estou abaixo de zero. Nem posso mencionar os detalhes, pois isso incluiria outras pessoas e elas poderiam não apreciar muito.

Aprendi uma verdade com um dos maiores sábios já inventados pela ficção, falo de D. Quijote de La Manha, criação de Miguel de Cervantes, que costumava dizer: “Um cavaleiro andante não fala de suas dores, ainda que pelas feridas se lhe saiam as entranhas”. Pode parecer até engraçado, e poucas coisas ou pessoas nessa vida me fizeram rir mais do que esse nosso bizarro cavaleiro, mas o fato é que a maioria das pessoas é quixotesca e vive escondendo as dores, inclusive eu, embora não seja nenhum fanático nesse quesito.

Imagino que devo desculpas a todos que os leitores desse blog, afinal portei-me deselegantemente em muitas oportunidades, se considerarmos a hipocrisia, a falácia, a arrogância e seus parentes como deselegâncias. Acho que vim ao mundo com mais defeitos do que os demais, entre eles, quanto mais me estrepo, mais saio por aí ditando regras, normas e todas essas idiotices próprias dos falastrões. Alias, tenho repulsa incontrolável por gente assim.

Olhei lá no meu perfil Facebook e considerei tudo aquilo como esterco, para não usar palavra menos nobre. Bendito Paulo apóstolo e seus eufemismos! Não sou nada daquilo. Minha história, embora até extravagante em certos momentos, é pífia. Então apaguei tudo, afinal não redundei em nada. De repente a droga da vida tinha passado e não dava mais tempo de consertar o que se quebrara. Conscientemente sei que não sou culpado de tudo. Algumas mazelas me sobrevieram devido às minhas escolhas equivocadas, mas a maioria das culpas que me atribuem são injustas. Nós existimos para jogar o jogo da culpa, não se iludam. Ganha quem imputa mais e recebe menos.

Com ou sem culpa, eu me ferrei e ponto. Quando digo eu, incluo as pessoas que estão vinculadas a mim, claro. Sou obrigado a assumir a bronca pela desventura delas. Mesmo sem intenção, eu as ferrei, também. Se houver a tal reencarnação, prometo não repetir esses erros. Peço-lhes perdão, embora isso não resolva nothing.

Não faço a menor ideia do que fazer, daqui para a frente, em área alguma da vida. Imaginava que Deus teria algum lampejo, ainda que fosse não evitar a queda de alguma migalha da mesa, mas o tempo foi passando sem qualquer ar da graça real. Ouso pensar que foi tudo um grande engano. Essa manhã acordei de supetão, muito antes da hora, e dei de cara com a realidade. Foi horrível. Ela é tenebrosa, desesperançosa e má.

Apesar de tudo, creio em Deus, não deixei de crer nele nem um instante sequer. Pode ter havido certa inconstância aí, principalmente quando tive um ou outro momento de luz, durante meus dias. Quando tudo vai bem, quem precisa de um deus? Embora nem nisso fui excelente. O problema é que Ele não crê em mim. Provavelmente o tipo dele seja bem diferente de mim. Não sei, parece que Deus prefere os mais desligados, menos encanados e mais lights. Uma pena, eu gostava dele e ainda gosto, apesar da indiferença. Sabe como é, a rejeição atrai.

Se você teve misericórdia para chegar até aqui, bom saber que não estou tentando pedir socorro, seja como for. Essa fase já passou, a não ser que o Chapolim Colorado vire o Pinóquio. Morro de medo pelos dias por virem, mas estou resignado e acho que ninguém me livrará de minha sina, muito menos eu. Sei que a turma do Segredo não me autoriza a falar assim, mas você sabe, sou meio rebelde.

Então, deixe-me repetir o clichê bíblico: Para onde irei Senhor se só tu tens as palavras da verdade? Se Ele não me estender a mão, fui.

Ops: Decidi colocar a maioria dos textos desse blog sob a rubrica Textos Sagrados da Gruta. Quem tiver ouvidos…



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *