A Gruta do Lou

O fruto de minhas Confissões

“O fruto de minhas Confissões é ver, não o que fui, mas o que  sou. Confesso-vos isto, com íntima exultação e temor, com secreta tristeza e esperança, não só diante de Vos, mas também, diante de todos os que crêem em Vós; dos que participam da mesma alegria e, como eu, estão sujeitos à morte; dos que são meus concidadãos e peregrinam neste mundo”.

Confissões de Agostinho Livro X Cap, 4.

Hoje é dia 20 de dezembro e as pessoas estão se despedindo. Já recebi muitas mensagens de adeus. É o inicio da peregrinação rumo ao supremo encontro dos parentes (só dos aceitos). Estou com medo que só um número muito reduzido permaneça a postos em seus computadores para manter o mundo andando. O trabalho vai triplicar.

O que confessar?

Isso me lembra uma cena interessante. Estávamos em Águas de Lindoya. Era uma super conferência para pastores organizada pela SEPAL. O preletor mor era o Caio Fábio. Uma manhã, Dedé, a Carolina (pequenina ainda) e eu descemos para o café. As mesas eram todas grandes no restaurante do hotel. Sentamos junto a uma que estava vazia. Logo chegaram a Cíntia e a Silvia, iludidas pelo falastrão, na época, cantavam em suas apresentações de graça. Iniciamos uma animada conversa envolvendo lembranças de nosso tempo juntos, lá no Tio Cássio, ironizando a “teologia” que lá reinava. Eis que adentra ao recinto “Caio” em pessoa, repara em nossa mesa e resoluto ocupa os últimos dois lugares disponíveis, ali. Para não dar muito na cara, continuamos nossos assuntos domésticos com muita ironia e graça. Exemplos foram dados e até algumas citações bíblicas surgiram. Reparei que o mancebo a tudo prestava atenção e só comeu uns cinco ou seis pãezinhos franceses com bastante queijo e salame, enquanto entornava umas dezesseis xícaras de leite com café e arrematava com uns sete ou oito pedaços de bolo seco. Terminada a refeição, Dedé partiu para as compras com a Heloisa e a Carolina a tira colo e eu fui para o sacrifício, assistir a palestra.

Sentei no fundão para que o mínimo de pessoas reparasse em minha presença ali. Durante os cento e dez minutos seguintes, ouvi estupefato o Preletor expor cada palavra, cada exemplo, cada citação bíblica atirada aos quatro ventos durante nossa conversação matinal, ao redor daquela mesa sacro santa. Claro que para cada palavra original ele acrescentou umas oito ou dez variantes, numa verborréia inacreditável.

Até hoje estou em duvida, se teria havido tão assombrosa manifestação sobrenatural, em que anjos houvessem nos revelado o plano de pregação do orador ou se ele não tinha plano algum e nós o salvamos, naquela manhã.

Como não faço parte dos aceitos entre os familiares e estou completamente duro, uma vez que a grana do Projeto não saiu ainda, devido a entraves burocráticos, permanecerei a postos por aqui, até que a cia. de luz nos permita, ou a grana saia finalmente.

Retribuo aos que estão saindo rumo à suas MECAS, com os mais sinceros (se acreditarem) votos de feliz natal e próspero ano novo. Aos que ficam, prometo muito sangue, sexo e lágrimas, por aqui. Eventuais gozações poderão surgir.

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