A Gruta do Lou

O fim do “Fim de Ano” e do Natal.

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Ceia de Natal

 

Em nome dos grutenses gostaria de solicitar o fim do Fim de Ano e do Natal.

Ao contrário dos outros seres viventes, nessa época a tristeza nos abate. Assistir o povo nessa busca frenética por objetos e símbolos da futilidade natalina com a desculpa de festejar o Natal é uma tortura que retorce  a nossa alma.

Nessa época estamos ocupadíssimos imaginando um meio de nos safar dos cobradores; do banco com essa mania de obter lucros; dos  nossos filhos com aquela cara de todo mundo preparando as coisas, menos nós; do medo do ano que se avizinha; de alguém aparecer com uma maldita cesta básica para nos doar, só quem recebe sabe quanto dói, nestas horas é que descobrimos o quanto é melhor dar do que receber.

O maldito fim do ano vem chegando e nos encontramos sentados no chão do cinema (que o lanterninha sensibilizado permitiu aos que não podiam pagar o ingresso) assistindo essa fita de horror onde todo mundo festeja e se alegra enquanto curtimos nossas misérias.

Não há momento do ano pior para nós. A dor aumenta muito quando dizem estar comemorando o nascimento de Jesus. Não é por causa da improvável data, mas ficamos a imaginar em qual época do ano o Salvador preferiria surgir para seu ministério consolador.

Os que dentre nós estão inválidos por doenças, aniquilados por desavenças ou impotentes diante da ausência das oportunidades choram diante da alegria dos demais. Alguém diria, isso é inveja. Imagine, que maldade. Lembra-me quando mamãe me dava dinheiro para um sorvete e recomendava: “Mas não deixe os meninos pobres te verem tomando o sorvete.

Pior é arrumar alguma coisa, mesmo na base do cheque sem fundo, colocar na mesa e festejar. Não tem o menor sentido para nós. É como fazer baile em velório.

Fim de ano é um tempo amaldiçoado. Deputados e senadores aumentam seus salários à estratosfera, os capitalistas liberam um salário a mais para receberem o dobro ou triplo de volta. As famílias de classe média fazem festa enquanto fingem esquecer todas as mazelas e desavenças no seio de seus lares ou da falta deles.

Tudo isso sendo assistido pelos pobres, as prostitutas, os doentes, os endividados, os entristecidos, os esquecidos, os desempregados, os presos, as viúvas, os órfãos, as milhares de vítimas do Tsunami ainda vivendo em acampamentos precários, os trinta por cento de africanos contaminados com o HIV, os new mutilados iraquianos, todos em suas grutas esperando por um Deus que não intervém.

Pelo menos essa ajuda podia ser dada ao Criador. Acabar com o Fim de Ano. Passemos por ele como se nada estivesse acontecendo. Nem tempo para blogar as pessoas têm mais. Quando postam, não comentam e vice versa.

É uma época muito ruim. Seu sabor é horrível. Lembra ensopado de jiló regado ao molho de quiabo e grão de bico.

Se não puderem acabar com esse demônio do “Happy new year”, façam-no com discrição. Não televisionem, não falem dele. Tirem aqueles atores da Globo de nossa frente. Não façam campanhas de natal. Elas deveriam ser feitas o ano todo. Não assem os coitados dos perus, deixem viver as belas aves, pois é um ato politicamente mais correto. Não bebam, façam jejum e, sobretudo, não deem presentes uns aos outros. Troquem por um bom e velho abraço seguido de um beijo ao longo de todo o ano.

Ah! Se eu pudesse, abreviaria esses dias. Deus nos livre. Viva o ano todo e Abaixo o “Fim de Ano” com seu companheiro Natal junto.

 morcego-12

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