A Gruta do Lou

O fim da comunidade terapêutica

Depois de uma semana e cinco quilos a menos, acabo de fazer uma refeição completa, em porções limitadas e com menu especial. Agora estou esperando a reação disso tudo no organismo. Por enquanto a sensação é boa. Fora isso, continuo no meu chá de boldo.

Ironias à parte, a prefeitura inaugurou o inaugurado Posto de Saúde do Bairro. Sabe como é, uma semana antes da última eleição ele foi inaugurado, mas não funcionou até agora. Segunda-feira, abre para atendimento ao público. Pode ser que eu faça parte desse contingente, se não conseguir outro meio mais civilizado de obter atendimento médico.

Uma palavra muito falada e escrita nos últimos tempos é: midiático (próprio da mídia ou difundido pela mídia). Algumas pessoas pensam que seus textos ou falas não estarão ok se não aparecer um midiáticozinho em algum ponto. Isso me lembra a história da palavra protocolo, muito presente em meus tempos de Office Boy da Avon. Alguns anos atrás, a palavra entrou pelos meios educacionais e ganhou o universo expositório, não tinha um falador que não mencionasse um protocolo aqui ou ali.

Não sei, às vezes tenho a sensação que certos caras querem fazer revolução pela palavra, não pelo significado ou contundência, mas pelo valor da hora e vez. Nas exposições igrejeiras ou teológicas eles não fogem à regra. Tempos atrás, por exemplo, alguém falou em “igreja como uma comunidade terapêutica” e essa praga pegou como picão em meia de lã. Não preciso dizer que desconfiei de cara, para mim era mais uma clara conspiração dos discípulos de Freud para transformar a Igreja em pasto para suas experiências Menguélicas.

Não deu outra, de lá para cá, as pregações viraram apologias a relacionamentos com cara de Spock ou Rogers, isso quando os pregadores acertavam tema e prédica, sem pagar mico, como fez o falecido Luiz Zitti, certo domingo, lá na Batista do Morumbi, pregando sobre algo que ele denominou ” A baixa-estima de si mesmo”, antes de ser exonerado a bem da igreja. Pastores até inventaram a formação em terapia pastoral, imagine.

Creio que já aconteceu a constatação da falácia dessa besteira, só não apareceu alguém com peito para desfazer a defecada, cuja autoria remonta-se a certos intocáveis teólogos da falida teologia da libertação, uma tentativa de fruir comunismo em termos teológicos. Sempre achei isso uma grande perda de tempo. Para mim, Marx fuçou muito na bíblia dele antes de escrever O Capital. Aliás, dizem por aí, que o maior feito de Marx foi aperfeiçoar o capitalismo, que ficou muito mais perverso depois de sua singela obra.

Tudo bem, se é por falta de coragem, para dizer o mínimo, a tal comunidade terapêutica era uma grande heresia, talvez a maior dos últimos tempos. Se tivessem buscado as origens da igreja, da comunidade de oração e comunhão, pelas mãos de gente verdadeiramente consagrada à obra do Senhor, talvez nossa igreja não estivesse tão arrebentada. Fora ter preparado pasto para essa turma da prosperidade (deles mesmos) vir pastar e se locupletar, para nossa vergonha.

Creio que esse texto não terá força midiática (sic), nem mesmo servirá de protocolo às escaramuças twitteiras. O que não faz a menor diferença para mim. Amanhã, provavelmente,  estarei na fila da indigência junto com os colegas maltrapilhos com alguma pilha fraca na carcaça e ninguém poderá me tirar mais nada, se não me engano.

OPS: Alguns melhores amigos que tive ou tenho na vida são psicólogos e ótimos profissionais. Por incrível que pareça, não são apenas os psicólogos que erram, professores de Educação Física, Teólogos, Administradores, médicos, padeiros, advogados, etc., também.

5 thoughts on “O fim da comunidade terapêutica

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Pois é meu irmão Lou, tá todo mundo querendo ganhar din-din fazendo média ou mídia ou ainda psicodiagnósticos até do que não tem explicação…
    Também tem psicólogo que tá faturando depois que se converteu ao “cristianismo instalado” e frequenta igreja para atrair clientes carentes, iludidos ou ludibriados por toda essa parafernália que se dá o nome de religião…
    Eles se merecem?

    Creio que essa proposta herética de comunidade terapêutica é uma das raízes de todos os males.

  3. meu cauro, sempre mexendo em vespeiro com vara curta, né!!! Nem a doença te abate!!! Ou vc já tá saradinho?

    A raiz do meu mal ainda está aqui e, parece, enquanto não for estirpada não sararei. Completamente diferente do que nos instruiu o mestre, segundo ele, era para nós curarmos os enfermos e, naquela época, não havia medicina invasiva. Estou tentando a ajuda de um médico amigo da família para resolver a parada, se não conseguir, só me restará sucumbir ao SUS. Agora, deixar o inimigo descansar, nem pensar.

  4. É o nosso Dom Quixote…lutando com um moinho de vento…nada lhe abate!!!

    Sempre me acusaram desse negócio de ser quixotesco, talvez seja por causa de minha Dedecinéia. 🙂

  5. A comunidade terapêutica pode ser uma raiz herética, mas a maior das heresias e raiz principal do desvirtuamento da igreja de Cristo foi cometida por um de seus principais apóstolos – o Paulo, que cheio do fermento dos fariseus, decidiu que uns eram mais espirituais que outros e suscitou a divisão do povo de Deus no grupo que sabe tudo (clero) e a maioria que não sabe nada (leigos), tendo ele próprio se tornado o primeiro Papa da igreja quando estimula os homens a olharem para ele que ele se encarregava de imitar a Cristo…pronto…começou a levedar toda a massa…

    Paulo foi um bocó de mola usado pelos padres e no fim, ainda perdeu a cabeça.

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