A Gruta do Lou

O enigma da Caverna

No excelente livro de Dan Brown, “O Código Da Vinci” Jacques Sauníére, curador do museu Louvre, ao receber um tiro na região do abdômen, percebe que morrerá em dez minutos e gasta esse tempo preparando um enigma a ser decifrado por sua neta com a ajuda do historiador Robert Langdon, especialistas na arte da decifração, a fim de levá-los a entender o significado de seu assassinato. A idéia não é nova. Dois mil e poucos anos atrás, outro importante personagem do cristianismo, na verdade, o mais importante, também montou um enigma elucidador de sua missão na terra, diante de sua morte iminente. Claro que estou me referindo a Jesus de Nazaré, o mestre dos mestres na arte dos enigmas e parábolas. Para entendermos o significado da morte e missão redentora do Nazareno, será necessário decifrar o papel de cada um dos componentes do cenário onde os fatos se deram. A cruz, a sede, as últimas palavras, o enterro envolvido em linho branco e o depósito do corpo em uma caverna cavada na rocha. Jesus teve mais tempo para conceber e montar seu enigma final, do que Jacques Suníére. Os evangelhos não registram explicitamente, mesmo porque os evangelistas não se deram conta das intenções finais do mestre, mas não apagaram as pistas capazes de nos levar a entender a mensagem e decifrar a charada. Logo após a crucificação dele, aparece na história uma personagem quase insignificante, aparentemente, mas com uma missão fundamental na execução e cumprimento da última tarefa encomendada pelo Galileu. Trata-se de José de Arimatéia, membro do Conselho, homem bom e integro, que até então não figurara nos relatos, ele vai a Pilatos e reivindica o corpo de Jesus, o envolve em tecido de linho branco e o deposita em um sepulcro, uma gruta cavada na rocha. A vida de Cristo começou em uma gruta e terminou em uma gruta. Seria coincidência se não soubéssemos que nada na vida desse personagem possa ser um mero acaso, sem falar em sua quase compulsão por comunicar-se através enigmas. O Filho de Deus desejava reunir os salvos libertando-os das prisões desse mundo, a saber, do dinheiro, do sexo promiscuo e do individualismo. Seu último sermão, proclamado com sua vida e morte, seu corpo e seu depositário final aponta para a Caverna cavada na rocha, onde ele está sedento com suas mãos estendidas por todos nós que chegarmos despojados de nossos carrascos e verdugos, envoltos no linho branco de nossa redenção e com dores, mas livres para entrar como pedras vivas no Reino de Deus com Ele.

lousign

3 thoughts on “O enigma da Caverna

  1. Pingback: Lou Mello
  2. É tão simples,tão claro…que demoramos a entender.
    Estamos acostumados a deitar em ” camas de pregos”

    Muitos hospedaram anjos sem se dar conta… outros os lêem, diariamente. 🙂

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