A Gruta do Lou

O educado

Durante minha breve passagem pela terra, tenho experimentado muitas possibilidades, sobretudo em termos profissionais. Sou capaz de atuar em algumas áreas, mas temo que em nenhuma delas de forma excelente. Bom, pelo menos não do meu ponto de vista. O pessoal me acha competente com os microcomputadores, na área de desenvolvimento (comunicações e captação de recursos) para ONGs, como professor de educação física e em teologia. Mas procuro não me impressionar com isso, mesmo porque sei qual é a minha verdade.

Atualmente, sobretudo nos Estados Unidos, o livro da Amy Chua, apelidada de Mãe Tigre, tem causado boa polêmica. Sou filho de mãe autoritária e sem noção, o autoritarismo dela só me obrigou a passar dez anos fazendo terapia com o Zenon, sem nunca ter tido alta.

Meu desempenho escolar sempre foi pífio e difícil, em resumo, abordava tudo superficialmente, como se fosse pecado me empenhar em alguma coisa. Sinceramente, acho que gostaria de ter sido incapaz de me contentar com qualquer nota menor que a máxima, nos meus tempos de escola. Me arrependo de não ter feito o curso completo de piano, ganhando o prêmio de melhor aluno do conservatório, mesmo que para isso fosse necessário sacrificar as longas horas que passei correndo atrás de bolas de todos os tipos, ou de garotas que não me ligavam a mínima.

Em toda a minha vida, a única coisa na qual me empenhei a fundo, deixando quase tudo para lá, foi o microcomputador. Resolvi que ia dominar aquela fera e não deu outra, passei noites e noites em claro, digo, no escuro, mas acordado e mexendo no trem. Claro que isso foi no tempo do onça, negócio funcionava na base do Dos 1, disco bolacha e eram códigos para todos os lados. Agora, virou coisa para burros, clicou ali e pronto, foi para a conta. Qualquer criança capaz de dar um aperto com um só dedo mexe em computadores, ipods, iphones, etc. Em outras palavras, o único esforço que fiz na vida não serviu de nada.

Se eu fosse filho da Chua ou tivesse uma mãe como ela, estaria morando, hoje, em São José na Califórnia, mais propriamente no vale do Silício e infernizando a vida do Steve Jobs, Bill Gates, Larry Page e Mark Zuckerberger com algum programa que não utilizasse nenhum tipo de teclas, teclados ou algo nesse nível. Seria capaz de executar minhas obras prediletas de Bach e Tchaikovski ao piano e, seria faixa preta de judô e karate. Para relaxar, praticaria ikebana e arco e flecha.

O Vocacional, escola que defendo com unhas e dentes, nesse aspecto não ajudou muito também. Era o defeito dela, ser frouxa. Os alunos que saíram de lá são muito inteligentes, mas bundas-moles como eu. Ao invés de notas, nos davam percentuais para amenizar o desastre e ao invés de nos tirarem a comida, de vez em quando, éramos levados à sala de orientação para conversas com a Dona Evair. Meu, a gente vivia bagunçando para ganhar uma horinha com aquela mulher fantástica, sob todos os pontos de vista.

Enfim, ao invés de Vale do Silício estou aqui em Sorocaba tentando bolar mais um plano mágico para debelar aquela cesta cheia de contas ali, no piano consigo fazer uns acordes que não redundam em nada e judô e karate só pela TV, mesmo. Mas sou um gentleman.

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