O diabo veste batina e colarinho clerical

Anne Hataway

Durante meus primeiros vinte e poucos anos de vida vivi sob o patrocínio religioso católico. Decepcionado com as falácias da Igreja Católica, após esse tempo, deixei-me converter ao cristianismo protestante, onde gastei mais vinte e tantos anos de minha vida escassa. Mais uma decepção religiosa.

Essas seitas, sem exceção, apropriaram-se do evangelho e tornaram-se utilitaristas desde seus nascimentos e posteriores desmembramentos. Jesus Cristo com seus preceitos evangelísticos utópicos e subversivos sempre foram deturpados ao bel prazer e interesses de Papas, padres e pastores.

Se olharmos os evangelhos com algum cuidado, veremos o Galileu, filho do carpinteiro José e sua esposa Maria, andando pela Judéia e adjacências a pregar as boas novas de salvação, paz e generosidade e elas nunca incluíram a formação de instituição alguma. Nem mesmo o discipulado empreendido por ele junto a alguns seguidores abriu qualquer precedente institucional, momento algum.

Desde então, tudo que se fez na direção religiosa pode ser considerado anátema, como Ele próprio diria. O maior problema dessas organizações, a meu ver, é o fato delas terem se distanciado da essência, ou seja do evangelho de Jesus, perdendo-se em loquacidades frívolas, relacionadas aos interesses e negócios próprios das instituições.

Durante todos esses anos, militando por esses meandros pseudo cristãos, nunca encontrei um padre, freira, pastor ou leigo cujo primeiro plano de vida não fosse dar conta dos negócios eclesiásticos, via de regra, relacionados às questões financeiras.

Evidentemente, o arcabouço teológico gigantesco que se formou, ao longo de dois milênios, é extremamente confuso e desnecessário, ainda que seus defensores enxovalhem as nossas prateleiras literárias com milhares de teses e contra-teses segundo seus entendimentos e desentendimentos.

A grande verdade, dessas que ninguém ousa e muito menos deseja mencionar, é que o diabo veste batina e colarinho clerical, se bem que alguns mais moderninhos preferem uma boa La Coste. De todos esses caras que se arvoram em defensores dessa ou daquela facção religiosa de cunho cristão, não há nenhum que esteja com a verdade e muito menos com a razão, seja lá qual for a seita de sua preferência e escolha. Estão todos a serviço do inferno, ou haveria estratégia melhor a ser adotada a quem interessasse desviar as criaturas de Deus de seu Criador, do que inventar essas hierarquias e instituições malignas?

Se desejar seguir a Jesus, tome sua cruz e siga a dele. O que Ele espera de cada um de nós ainda é que sejamos puros e autênticos seguidores, pregadores através de nossas vidas, independente da tradução bíblica que venhamos a estudar. No fim, o vencedor deverá ser o Amor Agape de Deus todo inclusivo e não nós.