A Gruta do Lou

O Deus que nunca conheci

 

 

Morgan_Freman

Se você ler qualquer coisa escrita ou ouvir qualquer coisa dita por mim dando a ideia de eu conhecer a Deus, por favor delete.

Eu não conheço Deus.

Pelo menos não como ele deve ser, de verdade. Na bíblia, ensina-se que Deus é Espírito, ou seja, invisível, não pode ser visto, portanto. Na mesma fonte, encontramos informações sobre três pessoas conhecedoras de Deus com experiências únicas em relação aos outros mortais. O primeiro foi Moisés, ele viu uma luz, depois Elias, esse ouviu um som e finalmente Jesus e ele acreditava ser o Filho de Deus e, portanto, deve ter conhecido seu Pai em outro plano e não sabemos se, encarnado, tinha algum tipo de foto do velho na memória.

Por outro lado, também creio em Deus, não o conheço, não faço a menor ideia de seu formato ou onde ele vive, mas acredito ser ele um velhinho muito bondoso, misericordioso, generoso, perdoador e mais um monte de coisas boas. Sobretudo, ele adora fazer milagres, creio, embora desconfie de seus critérios, ou melhor, para mim ele não tem critério algum, pelo menos não algum possível compreender com nossas mentes finitas e medíocres.

Depois de muito pensar, de ouvir incontáveis horas de pregações apologéticas sobre Deus, ler carradas de livros sobre o Criador e mais um monte de apologias minuciosas sobre Ele, por todos os meios disponíveis, conclui: tudo isso não passa de especulação e eu não sou menos culpado dessa prática.

Toda a teologia, não só a nossa, é especulativa, afinal ninguém conhece a Deus. Dou certo crédito a Jesus, a quem admiro muito, embora não o tenha conhecido pessoalmente, apesar de toda a minha capacidade de transladar-me no tempo e no espaço, coisa de fazer inveja ao J. J. Benitez, mas sempre quando vou e volto, a imagem dele se desvanece. Acho necessário melhorar a nossa máquina do tempo. Talvez seja oportuno dar uma sapeada nos primeiros capítulos do projeto de um futuro livro meu “O Galileu Errante”, até para eu saber se vale a pena mesmo termina-lo.

Não sei se não estaria deixando de exagerar se dissesse ser, a maior parte do material didático disponível sobre Deus, um amontoado falacioso, incluindo aí, as bobagens Calvinistas, luteranas, arminianas, etc.,

O fato é: não consigo mais, não importa quanto me esforce, sentar na frente de um cidadão cuja intenção primária seja me tomar uma hora, ou muito mais, falando sobre um cara nunca visto por ele mais gordo e, sobre o qual, fará um monte de suposições.

Por outro lado, posso ser pescado facilmente para ouvir alguém capaz de mencionar, logo a saída, a intenção de refletir sobre Deus, um ser do qual ele não faz a menor ideia ou não pretende definir, portanto.

Posso estar redondamente enganado, mas Deus é só para ser crido. Sabe aquele negócio de Fé? Eu creio nele, mas não posso falar nada sobre Ele, sem o risco de me lambuzar todo. Eu mesmo posso já ter me enrolado nesse breve texto ao confessar minhas convicções sobre um Deus bondoso, etc.. De repente não é nada disso, mesmo porque, esse negócio de bem e mal ou de bom e mau é muito terráqueo e/ou antropomórfico para o meu gosto.

Pelo menos eu, prefiro imaginar um Deus criador de todo o universo, semelhante ao descrito pelo autor do Gênesis, o livro, não a banda, “o criador dos céus e da terra”, querendo dizer todas as galáxias. Lá vou eu conjecturando de novo.

O David Icke é um senhor inteligente e me divirto além de me informar com as conjecturas conspirativas dele, muitas semelhantes às minhas, mas ele se embaraça todo quando fala sobre Deus, por fazê-lo com base nas bobagens teológicas aprendidas por aí. Imagine nós, então, um bando de obnóxios dos senhores desse mundo, não estaríamos sujeitos a fazer nesse terreno.

Por fim, sempre fui tido e havido como um contador de histórias, ou de “causos” como dizemos por aqui, um mentiroso autorizado, na verdade e, como tal, tenho grande prazer em ouvir outros mentirosos como eu, se estiverem prévia e devidamente identificados, claro.

Então se for falar de Deus e estiver interessado na minha atenção, mencione, antes de começar, sua intenção de fazer algumas conjecturas sobre o Deus desconhecido, mas  alguém em quem você apenas acredita nele pela fé, um espírito, sem forma, sem cor e que ninguém jamais viu, muito menos você, salvo algumas encarnadas via corpos de outros, como ele vive fazendo através do Morgan Freeman.

Afinal, melhor será ser contado entre os que não viram e creram.

Capricornio PB

4 thoughts on “O Deus que nunca conheci

  1. Quer dizer que Deus não é igual ao Freeman?!?!?! Que pena!!! Gostei dele…
    Vc esqueceu do Antonio Fagundes. Ele fez um Deus excelente. E o Lima Duarte tb fez, mas era o mesmo Deus do Fagundes…
    Quer dizer, de repente a gente pode somar os 3 e tirar uma média: Deus é como Antonio Lima Freeman, ou Morgan Duarte Fagundes, ou… sei lá!
    Só sei que Deus não é como eu o imagino… nem vc.

    1. Rubinho É verdade, também gostei do Fagundes no papel de Deus, problema dele é falar português… Deus fala inglês, preferivelmente. Se os autores (deveriam ser roteiristas) de novelas brasucas tivessem um mínimo de visão e criatividade escreveriam mais papeis de Deus para o Fagundes. Daqui para frente pode até ser um papel vitalício para ele. Ainda bem não pareço nadinha com Deus, apesar do pessoal jurar que fui criado a imagem e semelhança dele. Ah, antes que me esqueça, você também foi, na opinião dos mesmos. 🙂

  2. Lou,
    não sou nada adepto desse Deus ínvisível mas real. Essa coisa de Tillich… um Deus além de Deus.
    Afinal quem poderia um dia conhecer alguém?
    Ficaria feliz se um dia chegar a conhecer eu mesmo, talvez só mesmo no dia da morte. E quem sabe então coincidentemente não será o dia de conhecer o velhinho de barba branca.

    1. Roger
      Seguramente você chegou bem perto de algo real, auto-conhecimento com God-conhecimento, quando as cortinhas se rasgarem de alto a baixo. A pretensão aqui era menos, só avacalhar um pouco mais com os apologistas de plantão, aqueles mencionados por Paulo a Timóteo que sobre o que não entendem fazem ousadas asseverações.

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