O custo do meu trabalho pró Reino

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Madre Teresa de Calcutá

Gerald G. Jampoulsky, para quem dediquei uma comunidade no Orkut (aqui), narra uma passagem de sua vida, em um de seus livros, onde ele pretendia seguir Madre Tereza de Calcutá em uma viagem ao México. Segundo ele, a freira agradeceu dizendo-lhe que seria melhor ele doar, aos pobres, o dinheiro que gastaria com a viagem.

Recebi doações após muitas de minhas palestras ou pregações e até me enraiveci, quando não me deram nada, em outras.

Certa vez, participei de uma reunião da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) que ajudei a fundar e fiz parte da primeira diretoria. Essa reunião começou com um estudo bíblico, ministrado por um conhecido pastor da moda. Ele falou por uns quarenta minutos. Sua fala foi tão impressionante que não me lembro nem o título da palestra.

Depois disso houve uma pausa para o almoço e presenciei o momento em que o dito cujo se aproximou do presidente da organização para receber o envelope contendo a remuneração pelo trabalho. Infelizmente ouvi a menção do valor que o envelope continha e era bem substancioso.

Após sua saída, o presidente virou para mim e disse: sei que é caro, mas para reunir um bom grupo aqui, hoje, valeu. De fato, havia um bom número de participantes. Posso falar por mim, eu não estava lá por causa do tal pastor, na verdade, nem sabia que ele iria participar.

Senti grande vergonha aquele dia. Se pudesse, voltaria a cada pessoa que havia me dado paga para falar do meu assunto predileto (a Bíblia e suas verdades) e devolveria a grana com um sonoro pedido de perdão.

Aquela freira católica tinha uma dimensão muito mais clara de sua missão que eu. Ela aceitava doações direcionadas aos seus atendidos, mas não recebia nada para si própria. Ela dizia que tinha um soldo suficiente para suas necessidades.

Pior é que, lá no começo da caminhada, fiz um compromisso formal com Deus de servi-lo de graça. Comprometi-me a viver do trabalho de minhas mãos, enquanto propagasse o evangelho. Não sei onde ou quando perdi esse contrato de vista. Mas como Pedro, ao ouvir o galo cantar pela terceira vez, senti as lágrimas rolarem pela face. Que vergonha!

Depois disso, sonhei com o dia em que estaria proferindo uma palestra de grande monta, ou mesmo uma daquelas mixurucas como as da Sepal, e de alguma forma encaixaria uma advertência aos organizadores, mais ou menos assim:

“Se vocês têm um envelope contendo dinheiro, seja em cheque ou em espécie, para me entregar no final desse trabalho, por favor, entreguem-no a uma pessoa que esteja em grande dificuldade financeira, sem dinheiro para pagar as contas do mês e outras já vencidas, que tenha família para sustentar e esteja impedido de fazê-lo a contento, no momento.”

Para aumentar a minha miséria, nunca mais apareceu uma oportunidade como essa. Assim, não pude praticar a minha benevolência de forma pública e que me renderia grande prestígio e quiçá um lugar garantido no Reino de Deus.

Aquela freirinha pequenininha tinha muito a me ensinar. Sobretudo, ela captara algo no mestre que eu não fui capaz. Ele não pediu nada e não cobrou nada. Ainda foi capaz de rejeitar certas dádivas. Aquele jovem rico teria comprado um lugar ao lado dele, por qualquer preço, mas ele o mandou desfazer-se de suas riquezas entre os menos favorecidos.

lousign