A Gruta do Lou

O cristão e a saúde

Dráuzio Varela em o Cristão e a Saúde
Dráuzio Varela em o Cristão e a Saúde


Jesus Cristo em O cristão e a Saúde
Jesus Cristo em O cristão e a Saúde


Ex- vice-presidente J. Alencar em O cristão e a saúde
Ex- vice-presidente J. Alencar em O cristão e a saúde


Continuando a refletir sobre a idéia maluca de Jesus, coisa inviável já na época de sua peregrinação por esse planeta ecologicamente ameaçado, falo da igualdade preconizada pelo Mestre, segundo palavras do apóstolo Paulo aos meus irmãos corinthianos da igreja de Corintho. Parece que esses alvinegros do primeiro século haviam começado algum programa doido de equalização da situação financeira dos membros da Igreja, com alguns requintes extravagantes como sustentar missionários malandros, como o próprio apóstolo em questão, um imprudente que tinha compulsão por começar e manter igrejas equilibradas por onde quer que andasse, sob inspiração do Espírito Santo, outro personagem esquecido ao longo da história da igreja.

Acompanhei atentamente a entrevista dada pelo médico ateu (declaração re-enfatizada ao longo da própria entrevista) Dr. Drauzio Varella, como sempre com aquela visão quase cega de quem olha o mundo por um único prisma, no caso dele, a medicina, pela qual ele busca explicar quase tudo e o que não consegue, considera incurável, coisa de médicos. De tudo o que disse, e disse muitas coisas minimamente interessantes, uma afirmação destacou-se mais para mim, que se os ricos fossem ou frequentassem os hospitais públicos ao invés de se refugiarem em tratamentos dispendiosos nos hospitais destinados somente aos capazes de pagar caro por suas curas ou mortes, o sistema de saúde melhoraria muito. As ênfases são minhas, obvio.

Na opinião do doutor, os ricos tem recursos para botar a boca no trombone ou tomar providências cabíveis quando mal tratados, ao contrário dos pobres, que aceitam aquele horror a que são submetidos nesses estábulos onde suas doenças iguais as dos ricos são tratadas.

Essa afirmação do Varella me incomodou em dois sentidos, pelo menos. Primeiro porque meu comportamento durante esses incômodos vinte e três anos de tratamentos do meu filho, em hospitais públicos, na maioria das vezes, pode ser qualificado como de um rico. Atualmente, tenho destilado meus inconformismos com o INCOR e seus congêneres oferecidos pelos nossos governos corruptos e insensíveis através do blog e das redes sociais. Pobres não agem assim, sentam e esperam durante longas e intermináveis horas para serem mal atendidos ou jogados para todos os lados feito sacos de batata.

Outro sentido despertado pelo médico foi a postura do ex-vice presidente que deixou esse mundo há pouco, o Sr. José Alencar. Aquele homem sofreu seus últimos doze anos de vida “lutando” contra um câncer maldito nessas pocilgas oferecidas pelo sistema de saúde paulistano (o cara era mineiro convicto e vivia em Minas Gerais) como o Hospital que ele mais frequentou, o Sírio Libanês (Um dos mais chiques do país). Tadinho dele. Enquanto isso, minha mãe andou lutando contra o câncer dela (menos agressivo do que o dele) lá no Hospital Pérola Byigthon, onde se um cara reclamar volta para o fim da fila na porrada e isso significa atrasar o tratamento em meses, se não em anos.

Não pude deixar de pensar, desculpem minha maldade, que o velhinho mineiro poderia ter tido uma única atitude nobre na vida, pelo menos, já que estava com o pé na cova mesmo, ou seja, exigir ser tratado junto com minha mãe lá no Pérola e aproveitar para melhorar um pouco aquela espelunca quase haitiana.

Se não me engano, a única conclusão com algum sentido lógico aqui, é considerar a proposta de Jesus propagada pela pena do apóstolo Paulo aos corinthianos, lembrando, produzir igualdade no meio de nossa sociedade, o tal desenvolvimento social que insisto em estar envolvido a meu prejuízo, uma bravata demagógica e insana. A bíblia está cheia dessas utopias desmioladas, talvez por isso, o Dr. Dráuzio tenha tanto orgulho em declarar-se ateu, apesar de correr cerca de 70 a 80 kms todas as semanas, uma bandeira típica de quem acredita em vida eterna.

morcego-12

11 thoughts on “O cristão e a saúde

    1. Roger
      Então, por aqui temos essa opção, ou seja, quem pode pagar como o ex-vice-presidente, pode receber um tratamento bem melhor. Mas o número de pessoas com condições de fazer essa opção é infinitamente menor, em relação aos que podem.

  1. menino, tem tanta coisa neste texto para refletirmos que precisamos ir por partes:

    1) Dr. Dráuzio Varela quando aparece eu desligo a TV porque, além de não acrescentar nada, desinforma;

    2) Evoluímos muito em termos de saúde coletiva, claro que longe está do ideal, mas o número de hopitais e pronto atendimento aumentou e qualificou-se. A estratégia de atendimento do cidadão com a criação da saúde da familia é uma das melhores do mundo.
    O que astranvanca o progresso é que as pessoas que trabalham em saúde, com honrosas e muitas exceções, estão como a maioria dos pastores e meio mundo, correndo atrás da bufunfa, o outro pouco lhe importa.
    Os recursos também ainda são reduzidos e/ou mal aplicados em todos os sentidos;

    3) e aí, retornamos ao X da questão, sem educação, sem prática individual e/ou coletiva responsável dos que criticam e exemplo dos dirigentes a sociedade se desenvolve a base de muito sofrimento e injustiças.

    Penso que não é á toa que tudo que é dado por Deus é gratuito:

    “Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus.”

    Há se os crentes levassem isto a sério!

    1. Graça
      Estamos em plena era da informação tentando sobreviver sob a ética protestante da era industrial. Pessoal insiste em manter a saúde, a educação, governo e até a igreja alinhados aos interesses do mercado e em útlima análise da ética de uma era que agoniza.
      Uma confissão, tenho protagonizado brigas incríveis com pessoal da saúde, mas as perdas de quem briga não são pequenas e, muitas vezes, nos colocam em risco muito maior.

    1. Graça
      Em termos de ONGs ou organizações, estou mais para desconstruir do que construir e a razão é muito simples, esse modelo institucional pertence a era industrial, em franco declínio, dando lugar à era da informação. Nesse caso, toparia ou sugeriria uma Rede Amigos da Saúde, ou da boa saúde. Veja a Rede Global de Cidades Inovadoras crescendo a incorpando-se e fazendo a diferença em diversas frentes, contando com mais de 1100 membros, com um ano de vida. Sempre que tenho um tempinho vou lá aprender com eles e descobrir o quanto não entendo de urbanização equilibrada. Esse é um tema e tanto para uma boa conversa ao pé de Nosso Senhor do Bonfim, se não me engano. 🙂

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