O cão sempre volta ao vômito

Nosso novo integrante da casa, uma cadela de uns dois meses de idade, filha do Vagabundo e alguma Vira Lata, agora nominada de Bia (Beatriz) começou a vomitar ontem e não parou até agora. Estivemos no veterinário, na parte da manhã, mas o tal estava em cirurgia, seja lá o que isso for. Voltaremos logo após o almoço. Em Sorocaba, a hora do almoço é sagrada, começa às 11 horas e se estende até as 14 horas. Dizem que os espíritos (todos judeus ou maçons) não gostam de saracoteios nesse meio tempo.

Enquanto isso, nossa cadelinha vomita e torna o produto da atividade, como se estivesse condicionada para tanto, desde a fábrica. Interessante notar que os dependentes químicos fazem o mesmo, não em relação ao vômito, mas à droga/álcool. Depois dos primeiros usos, parece que há o acionamento de alguma chave interior e inversível o a vítima não para mais de repetir esse comportamento.

O tanto de hipocrisia relacionada ao assunto é colossal. Se eu fosse presidente ou algum tipo de autoridade com aquela delícia que acompanha esses cargos, ou seja, poder, tratava de declarar guerra a países vizinhos produtores de drogas, ao invés de os sustentar a pandeló usar as mesmas roupinhas ridículas usadas por eles e andar por aí de beijinhos com essa corja.

Tenho recebido certas reclamações de psicólogos e seus simpatizantes, ao longo da existência da Gruta. Algumas chegam a ser exageradas, mas, via de regra, me acusam de ser preconceituoso com esses caras. Bobagem, a psicologia existe desde o tempo em que nós, raça humana, existimos. Claro que os nomes vieram depois, inclusive o título, na verdade bem recentes com pouco mais de cento e cinqüenta anos. Meu problema com os psicólogos é defensivo e não ofensivo. Na verdade, defendo-os, na medida em que fico indignado com a mercantilização da atividade. Já repararam quantas novas doenças psicológicas eles colocaram no mercado nos últimos dez anos? E a migração dos psiquiatras para a terapia, então, por razões de mercado, somente? Fora isso, sou um baita analista do comportamento e das relações humanas, ou seja, farinha do mesmo saco e não sou tão otário a ponto de fazer titica na minha própria cabeça.

Entre outras, os psicólogos e psiquiatras cristãos ou não resolveram arrogar para si o direito de tratar a dependência química e os seus adeptos. Logo, logo eles lançarâo no mercado o Transtorno Etílico Obsessivo (TEO) ou o Transtorno de Personalidade Fumaciva (TPF), whatever. Com essa intromissão voluntária e nada bem vinda, os caras embaralharam a coisa de tal maneira que ninguém se entende mais. Quem trabalha no ramo é obrigado a fazer curso para aprende a desfazer nós. Issom mesmo, os nós que os psicólogos deram e nem eles sabem desatar. Aí vem aquela conhecida desculpa: A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera a dependência química incurável. Balela, apenas um eufemismo para incompetência.

Faz tempo que dei minha mão à palmatória nesse assunto. Participei de um monte de seminários, encontros e todas essas porcarias, onde os terapeutas evangélicos eram ridicularizados. A grande verdade que não quer calar é: quem consegue o melhor índice de resultados positivos no tratamento da dependência química são exatamente esses ridículos irmãos evangélicos e suas manias por milagres e atos de Deus. Apesar disso, o próprio povo de dele (Deus) tem enorme dificuldade em apoiar o trabalho desses heróis anônimos. Preferem contribuir para a camisa Lacoste nova de A e B ou R e E. Pior é o pessoal vitimado com esse mal em suas vidas, direta ou indiretamente, geralmente gastam o que têm e o que não têm antes de entregar o problema na mão de quem não entende quase nada de psicologia ou psiquiatria, mas muito do Criador e suas soluções maravilhosas.

Tratar a Dependência Química é trabalho para quem recebeu de graça e está disposto a dar do mesmo jeito. Requer espaço livre no campo, ar puro, local para boa prática esportiva (nada de musculação e seus derivados), ótima alimentação e muito descanso. Oração, só uminha de manhã, outra antes das refeições e outrinha antes de dormir. Pregações, nem pensar. Prioritário é entender quem é o autor dos milagres.

Caso contrário, eles continuarâo a voltar aos seus vômitos.