A Gruta do Lou

Caminhos

Todos nós sabemos tratar-se de uma briga velha e, geralmente, de velhos. A Igreja adotou postura reacionária e queimou, esquartejou, enforcou e praticou um monte de atrocidades contra os imprudentes e precipitados dedicados à ciência, em tempos medievais. Até hoje me pergunto se os caras da igreja não me confundem com algum cientista. Os adeptos de Galileu, D’a Vinci, Newton, etc. revidaram e sociedades secretas foram criadas e desenvolvidas com essa finalidade. Hoje, ao que se saiba, adeptos da igreja mantém sociedades secretas (ou nem tanto), cujo principal objeto é defender a religião das sociedades pró ciência, existentes há séculos. Juro que a Cave for All (Gruta ou Caverna) não é nenhuma sociedade secreta. A filosofia passou pela fase dos metafísicos e, além de fazer escola, deixou muitos adeptos. Talvez, um movimento resultante tenha sido o chamado Cristianismo Científico, ainda encontrado nos Estados Unidos e alguns lugares do mundo esparsos, já devidamente desfigurados. Um dissidente desse movimento, com alguma importância, foi um cara chamado Emmet Fox. Ele morreu em 1951, ano de meu nascimento, não sei se isso vem a ser mais do que uma simples coincidência. Creio haver lido todos os livros traduzidos para português desse autor. Como em tudo que lemos, algumas coisas me interessaram e outras nem tanto. Dentre os pontos positivos, um deles foi ter encontrado nessa literatura a possibilidade de pensar em cristianismo e ciência caminhando juntos. Vixe! Quando a ciência ainda engatinhava, a igreja era a resposta para quase todas as questões então inexplicáveis, considerando-as como atos de Deus. Vivemos em uma era muito pródiga para a ciência, que com a ajuda do computador ganhou impulso incomensurável. Entretanto ainda me espanto em encontrar cristãos, pastores e ovelhas, tentando fazer opção entre uma ou outra. A Igreja perdeu muito terreno com o avanço científico e Deus deixou de ser o protagonista em muitos campos e áreas de nossas vidas. Entretanto, Jesus Cristo com sua peculiar prudência fez mais do que morrer naquela cruz infame na nossa vez, ele deixou um grande testamento escrito aos seus descendentes espirituais, também. Novamente preciso recorrer ao Fox, pois ele nos deu a chave para compreender esse documento legado pelo Salvador de todos nós: a metafísica. Esse libelo está embutido no texto sagrado, em especial, nas narrativas dos discursos e conversas do Nazareno, mas não está visível. Muitos estudiosos do texto bíblico morreram sem tê-lo descoberto. Não atentaram para as palavras do próprio Mestre quando disse que falava por parábolas e enigmas. Infelizmente, esse ainda é o tipo de estudioso das escrituras predominante. Interpretação literal persiste e houve no passado e continua havendo no presente, resistência à presença da metafísica em nossos estudos. O paradoxo é ouvir a negada dizer que crê em Deus, um ser invisível. Se entendêssemos a mensagem de Deus, ciência e cristianismo jamais estariam em rota de colisão, mesmo por que, suas rotas são absolutamente diferentes. Deus não está no que eu não entendo, mais provável que esse seja o reduto da ciência. Deus está há zilhões de anos luz acima disso. Uma grande verdade diz respeito a um fato consumado, em nossos dias, cristãos ou não, estamos totalmente dependentes do desenvolvimento cientifico. Nenhuma religião cristã que venhamos a praticar conseguirá nos absorver em mais do que vinte por cento de nossas vidas. Na verdade, a maioria dos membros de igrejas está apegada a sentimentos baixos do tipo “pelo sim, pelo não” e pouco resta-lhes de atitudes de fé. Inclusive porque, atualmente, o espaço para a fé restringiu-se às dúvidas da morte e do pós vida, quase exclusivamente. A igreja, cada vez mais, serve de criadouro em sistema de confinamento de gado sustentador de picaretas. É uma instituição com todos os sintomas de decadência e a irmã dela, a falência. Até hoje, o ser humano não encontrou resposta satisfatória para a questão do significado da vida. Suspeito que essa resposta encontre-se em algum lugar nos textos e narrativas sagradas e só alcançável com a ajuda da metafísica. Qual é o caminho?

lousign

6 thoughts on “Caminhos

  1. Pingback: Lou Mello
  2. Belo texto, Mr. Lou!

    Cheiinho de verdades verdadeiras…

    Como dizia um quase conterrâneo meu:
    “Quando dou esmolas, me chamam de santo. Quando pergunto porque são pobres, chamam-me de comunista.”
    DHC

    Chega um momento na vida em que você convive bem com as oposições e diferenças, até gosta disso.

  3. Como dizem os americanos, meus olhos sangram!

    É algum projeto de contracultura esse seu, algo meio Saramago, de escrever sem colocar parágrafos?

    A internet é inclemente mesmo com parágrafos curtos, tá ligado, Luiz Henrique? Minha sugestão: insira parágrafos, mesmo que sejam aleatórios.

    A regra culta, no entanto, manda inserir um parágrafo a cada 140 caracteres.

    Certo, mas não prometo os 140 caracteres, sou prolixo demais para tanto. Mas o Saramago tem a ver com isso sim. Acho que foi por ter encontrado o cara lá em Lisboa e conversado com ele quase três minutos. Devo ter sido contaminado com algum vírus, sei lá. Valeu!… E no dia seguinte, li tudo isso em um bom post por aí, em alguma bacia das almas.

  4. A resposta encontre-se em algum lugar nos textos e narrativas sagradas. Ele escondeu, muito bem escondida. Só Ele sabe. Creio que Ele revela. Ao homem não é dada essa honra. Eis aí a inutilidade da teologia.

    Agora, vá convencer essa gente petulante… mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha, certo?

  5. Tenho feito essa pergunta e a resposta é um eco. Outro dia li o “Cântico Negro”, de José Régio e me espantei. É possível ouvir uma outra coisa soando baixinho por dentro do eco da pergunta…

    Viktor Frankl e a logoterapia me deram algum alento e direcionamento nessa questão. Talvez uma chave para encontrar a porta.

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