A Gruta do Lou

O Blog de Dostoievski

Colaborando com a campanha do Volney Faustini a favor do Blog, tomei emprestado em socioblog um texto sobre este senhor bem conhecido:

“Em 1876, Fiódor Dostoievsky começa a publicação de uma folha mensal pretendendo fazer “um diário íntimo, em toda a acepção da palavra, isto é, um fiel relato do que mais me interessou pessoalmente.” Mas três meses depois ele escreve: “Custa a crer, mas é verdade, ainda não encontrei a forma do Diário, e não sei se algum dia encontrarei… Assim, tenho 10 ou 15 assuntos (pelo menos) para tratar, quando me sento para escrever. Todavia, os meus assuntos preferidos, afasto-os involuntariamente. Ocupar-me-iam demasiado espaço, exigiriam demasiado ardor da minha parte… e, deste modo, não escrevo o que me agrada. Por outro lado, imaginei com demasiada ingenuidade que se trataria de um autêntico “Diário”. Um verdadeiro “Diário” é impossível; só se pode fazer um diário artificialmente preparado para o público…”.

Minha ênfase estaria mais na dúvida, na vontade de fazer sem conseguir, na ingenuidade do poeta, na insatisfação, fundamentais à criação.

Quando coloco minhas mãos sobre o teclado com a intenção de construir meu post diário tenho sensações muito parecidas (imaginem) com as de Dostoievsky. Penso em vários temas e acabo me afastando dos preferidos, involuntariamente. Sinto medo, mas muito prazer, ao mesmo tempo. Tem sido minha abstração. Quando o vejo postado sinto as mesmas sensações que sentia ao fazer um gol (e olha que fiz muitos! É que eu jogava handebol, hi, hi… mas também fiz os meus no jogo bretão), enfim, um êxtase se é que me entendem.

E pensar no grande escritor postando em seu Blog, diariamente, em busca de sua abstração. Ele não conheceu a Internet, mas profetizou-a.

lousign

# posted by Lou @ 2:10 PM

5 thoughts on “O Blog de Dostoievski

  1. Fala e não te cales. Tudo que você diz e não diz é diagnóstico. Pode ser bom pra mim, mas é sempre sobre você. Não se (nos) prive disso.
    # posted by Paulo Brabo : 1/28/2006 3:01 PM

  2. Escreve, fala de mim, fala de você, fala de nós, fala de todos, fala de tudo. Escreve, fala a mim, fala a você, fala a nós, fala a todos, fala a tudo…

    Ok! Comentário poético?

  3. Se quisermos, verdadeiramente colocar o que gostamos, sentimos,
    não poderíamos seguir formatos, normas ( morais, religiosas, sociais etc),
    o que acaba sempre anulando parte do conteúdo. Somos naturalmente
    influenciáveis por opiniões, cobranças, senso do ridículo e acabamos
    colocando limites, usando filtros, nas nossas emoções.
    Então o medo, mas muito prazer, ao mesmo tempo…

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