O alquimista que vive em mim
O alquimista que vive em mim.
O alquimista que vive em mim.

Nossa, minha procrastinação anda piorando, pensei que me livraria dela, com o tempo. O tempo passou, mas ela não. O domingo está passando e fico arrumando desculpas para não enfrentar o principal. Coisa de louco! Quando era um pouco mais jovem, me transformei em um hábil utilizador da maiêutica socrática e, igualmente, achei que ficaria cada vez mais craque nela, com o passar do tempo, mas tenho cedido à tentação de não esperar os caras falarem e sair pulverizando ideias próprias por aí. Tentarei uma reviravolta nesse quesito.

Acho chocante a ideia de uma pessoa ir à Igreja para encontrar a Deus, quando o Criador se encontra na própria. Quantas outras versões de O Alquimista ainda haverão de ser escritas até que não instrumentemos mais a Igreja sob essa falsa crença? Aliás essa bobagem é midiática, também (andava doido atrás de uma oportunidade para usar essa palavra). Burras são as casas de deus em aceitar essa função como se isso estivesse correto. Deus não mora em igrejas de pedras mortas, mas as pedras da verdadeira igreja são as vivas.

Sócrates ajudava as pessoas a encontrar a Deus nelas mesmas, no que foi seguido por Jesus Cristo, que nunca leu os Diálogos de Platão. Este, por sua vez, foi seguido por um fariseu chamado Saulo, que depois de achar o criador em algum lugar nos limites do corpo de e do espírito, trocou de nome para Paulo, embora as muitas letras o fizessem delirar. Seguindo essa fila, através de milhares de anos e milhões de imitadores, você irá me encontrar, embora eu deteste filas e rejeite-as tanto quanto ao diabo.

Como concessão, vivo convidando mais gente para essa fila de seguidores socráticos. Com isso, não estou invertendo papéis. O Filho de Deus ainda permanece como o salvador e filho único do Divino, em meu arquivo. Só no método é que foi precedido por Sócrates, se não me engano. Se bem que não tenho lá grande certeza das vantagens desse ato insano. As coisas de Deus não se veem, são todas explicadas e sentidas pela fé, outra coisa abstrata. Mas os pajés são assim, falam das coisas que não se veem, mas o fazem com grande convicção e nos levam a crer no que não se vê. Não sei porque todos os pajés tem cara de safados. Talvez seja por não disporem de provas do que dizem e serem hábeis manipuladores, em contrapartida.

Nossa insegurança, nascida nas fontes da culpa, nos leva às pajelanças. Eles ungem nossas testas com óleo consagrado (seja lá o que isso queira dizer), fazem orações com suas mãos sujas impostas em nossas cabeças, terminando com um empurrão, cujo alvo é remeter-nos aos braços de um diácono qualquer e nos constrangem a dividir nossos bens com eles, digo, com a igreja. Faz parte desse contrato secreto (não mais depois desse post), assistir cultos intermináveis, com músicas e apresentações de gosto duvidoso, pregações falaciosas, leitura de bíblias com traduções suspeitas e outras práticas tendenciosas.

Tudo isso seria desnecessário se descobríssemos o alquimista que vive em nós.

morcego-12