Nossas imagens sombrias

Oliver Sacks

 

O neurologista Oliver Sacks revelou, recentemente, estar com câncer terminal. Essa notícia levou a Consultora de Empresas Beia Carvalho a lembrar-nos do excelente documentário “Janela da Alma“, onde há vários depoimentos lindos sobre o tema, inclusive do próprio Oliver. É o tipo do vídeo que você não poderá ver uma única vez. Há muito ouro ali.

As diferentes capacidades de visão, começando com a dos seres humanos que é limitada, se compararmos à visão das aves de rapina, como o falcão, a águia e até o nosso velho e bom urubu, nós passaríamos como seres próximos à cegueira. Mas o documentário foi a campo e trouxe o depoimento de alguns cegos, entre outros depoentes com algo diferente em suas visões, que conseguem enxergar mais do que a maioria dos humanos, usando outros sensores, como a audição, o tato, paladar e o melhor, a alma.

Quem lê as bobagens que escrevo nesse blog, será sempre testemunha de quanto venho insistindo nessa questão das nossas imagens sombrias, em especial, nos temas mais teológicos e/ou relacionadas a Deus e às coisas espirituais. Nós acreditamos naquilo que somos capazes de ver, entretanto, não nos damos conta de que nossa visão é parcial. Há várias razões para isso, desde do tipo de visão que a espécie humana possui, passando pelos problemas físicos e emocionais que podem interferir, até as diferenças existentes dentro da própria espécie. É sabido que os orientais e os esquimós possuem visão mais ampla em relação aos ocidentais, em termos físicos.

Entretanto, a raça humana tem se destacado em completar sua capacidade de ver através de outros meios, internos e externos, por um lado, e por outro tem se fechado em “cavernas e grutas” permanecendo e se contentando em ver as sombras nas paredes desses lugares fechados como se fossem as imagens plenas e reais.

Hoje é sábado e estou escrevendo por volta do meio dia. Nessa altura deveria estar terminando a primeira parte de um WorkShop cujo tema era as “Finanças Pessoais”. Mas o grupo de pessoas que havia confirmado presença não efetivou suas inscrições e a empresa organizadora não teve outra alternativa, a não ser cancelar o evento. Me preparei muito (cerca de seis semanas) para poder proporcionar uma oficina bem legal para quem participasse. Como não sou economista e muito menos contador, meu enfoque seria um pouco diferente. Evidentemente, não havia como escapar de algumas definições essenciais como as questões relacionadas aos ativos e passivos, bem como do orçamento e seus componentes receitas e despesas. Mas era justamente sobre as imagens e os enfoques que residiriam minhas ênfases, ao examinarmos mitos e lendas, a maioria deles determinados por visões equivocadas e agravados com falsas crenças, a partir daí.

Dito isso, resta-me acrescentar que o dinheirinho (havia feito um precinho bem camarada para ajudar o pessoal) que adviria daí, provavelmente, me fará uma falta incomensurável. Bom, isso se pensar só no que estou vendo, visão possivelmente bem parcial, pois naquilo que não sou capaz de ver, pode residir muitas possibilidades capazes de me salvar de mais essa.

Capricornio PB