A Gruta do Lou

Nobreza Utópica


Sei lá o que aconteceu, mas nos últimos dois meses a média de visitas e acessos a esse blog caiu de mais de duzentos por dia para menos de trinta. Nem nos primeiros dias de vida ele recebeu tão pouco interesse e, naquele tempo, não havia o Google, esse poderoso motor capaz de mover milhares de leitores ou bisbilhoteiros para qualquer porcaria que tenha um sitio na internet.

Talvez esse fato seja providencial, pois dentro desses últimos cinco anos, jamais estive tão completamente vazio em termos de ter o que escrever quanto nesse momento. Pelo menos, para escrever alguma coisa contendo um mínimo de sentimento. Para escrever ou replicar palavras desprovidas de valor próprio seria fácil.

Como posso falar de Deus se sobre esse tema só me restaram dúvidas. Não tenho a menor ilusão de ser o único decepcionado com Ele, pois há até livro com esse título, mas todos os que se sentem assim estão frustrados em relação à própria ideia que faziam desse ser, mais nada. Pior é que essa vem a ser uma das minhas poucas certezas que restaram e as outras são bem piores que essa.

Estou proibido por mim mesmo de me queixar em meu próprio blog, ainda que se suponha um blog como uma espécie de diário de seu autor, pois isso tem a capacidade de envergonhar ainda mais minha família, sobretudo meus filhos. Não bastasse o ser inútil em que consegui me tornar, com boa falta de ajuda divina. Se há um Deus, e penso que haja, ele é completamente diferente do ser que inventei ou que tentaram me fazer aceitar.

Existem incertezas incomensuráveis se continuarei escrevendo aqui ou em algum lugar. As chances de perder essa oportunidade são enormes, no momento.

Durante esse tempo fiz algumas ameaças de encerrar o blog, que não passaram de fraudes marqueteiras em busca de aumentar e manter leitores desavisados. Não estou fazendo isso agora e, se as coisas melhorarem, será muito provável que eu o mantenha funcionando, embora tal perspectiva seja extremamente improvável, até onde eu possa vislumbrar, tal a gama de providências necessárias para as quais não tenho a menor chance de fazer frente, agora.

Estou longe de estar deprimido. Talvez muito angustiado, com raiva e inveja de quem teve a competência para vencer, mas sem qualquer sentimento mais digno. Depressão só pega em gente com caráter. Não tenho como evitar a verdade. Estou mais horrorizado comigo mesmo do que com quem ou o quer que seja. Seria ótimo se eu tivesse alguém, até mesmo um Deus, para jogar a culpa por tudo que me sobreveio nessa vida. Mas em todas as minhas desgraças vejo as minhas mãos sujas de sangue ou de incompetências.

No próximo dia 25, quase todo mundo comemorará o natal, que supõe-se, entre outras coisas, seja o dia de festejar o nascimento de Cristo. Para mim, seria o dia de mais um aniversário dessa Gruta blog, também. Seria oportuno tomar uns goles a mais por isso, afinal esse blog é uma das poucas coisas que me trouxeram alguma alegria e refrigério durante toda a minha existência, até aqui.

Bom, melhor parar por aqui e tratar de sair de casa. Como bem ensinou o Martin L. King: “Um pai e marido desempregado precisa ganhar as ruas diariamente, nem que seja sob a pior das nevascas, para evitar mais constrangimento à sua família”. Pior é que em Sorocaba não tenho muitas opções para matar o tempo. Em São Paulo isso seria infinitamente mais fácil.

Tomara que os vinte e poucos leitores que chegarem aqui hoje não entendam isso como algum pedido de socorro, embora pareça. Nada mais humilhante do que perceber sentimento de pena ou dó nas pessoas, em relação a nós. Honestamente não quero ajuda, embora precise, de ninguém. O único milagre que satisfaria minhas ambições agora seria se eu fosse transformado em algum individuo nobre, desses que tiveram a competência para viver e não causar sensações ruins nas pessoas que estavam a seu lado.

Bom, de qualquer forma, espero que pelo menos você venha a ter festas de fim de ano muito legais e um feliz e próspero ano novo.



 

 

2 thoughts on “Nobreza Utópica

  1. Lou, vou tentar levantar sua autoestima…não para, gosto muito de seu blog…lembre-se “uma alma vale mais do que o mundo inteiro”…então, como portador de uma alma, peço, não pare!

  2. Luis,
    Obrigado. Eu não tenho poder para parar com o blog. Como você, temo que alguma força fora de nós faça isso, como aconteceu quando tentei mudar para a plataforma ning (que era grátis) e em seguida eles passaram a cobrar e fiquei a ver navios. Ainda bem que, naquele caso, foi só voltar onde já estavamos. O problema é sempre o mesmo, ou seja, Deus teima em fazer as coisas segundo a teologia dele e não a nossa. Isso me irrita profundamente. Grande abraço e não desista mesmo, embora você me negará três vezes antes do galo cantar, acredite. Beijo na careca.

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