A Gruta do Lou

Natal na Gruta


Parece piada se não fosse paradoxal. O natal começou na Gruta. Ele é nosso, ou melhor, era. Por um acaso, desses que acontecem a todos nós, Jesus nasceu onde foi possível. A cidade estava cheia devido ao senso em andamento e não havia lugar nas hospedarias, pimba! Ele acabou nascendo em uma Gruta, coisa comum naqueles dias, especialmente na agenda dos viajantes. Os magos foram enviados, levaram presentes porque eram educados e não iriam aparecer de mãos vazias. Pronto, isso é natal.

Se a data é essa ou não, algum precipitado ou mal informado acabou adotando como sendo. Muito provável a igreja ter usurpado a festa de Santa Claus para ela, juntando o útil ao agradável. Muitas crianças por aí não sabem diferenciar Papai Noel de Deus. Enfim, os dois servem ao mesmo propósito, arrumar as coisas que não temos competência para conseguir, Noel faz isso uma vez por ano e Deus o ano todo, exceto no natal, quando o céu entra em férias coletivas.

Em nosso caso, habitantes da Gruta, Natal não costuma ser sinônimo de tempo bom. Deveria ser, afinal, mal ou bem, é o dia em que se comemora o nascimento do nosso irmão mais velho, Jesus de Nazaré, nascido na Gruta de Belém. Nasceu na Judéia, mas é chamado de Galileu e Nazareno. Eu nasci em São Paulo e me chamam Lou da Gruta. A vida é assim.

Para nós funciona desse jeito: se, no Natal, fazemos de conta que não temos nada a ver com isso, fica todo mundo com cara de boi. Se metemos os pés pelas mãos e nos endividamos, ainda mais, para proporcionar alguma alegria efêmera em nossas casas, ficamos nós com cara de boi, depois, quando começarem a chegar as cobranças, às quais não teremos grana suficiente para saldar. No meu caso, deixo de pagar contas e gasto o dinheiro na festa, então sento e choro, ou lanço minhas lamentações na Gruta. Coitadinho de mim!

Então os grutenses formam um bando de irresponsáveis? Em certo sentido sim, começando comigo. Minha mãe definiu esse conceito a meu respeito há muito tempo. Acho que foi quando gastei o dinheiro do almoço na escola em Confetes e Ki-bambas. Ela nunca entendeu meu ponto de vista. Os quitutes da Kibon eram infinitamente mais saborosos que o rango da D. Mirthes cheio daquelas bobagens verdes e legumes horrendos. No fim, ela e meu pai pagaram a conta da comida que não comi e achei isso um grande negócio.

Assim é o nosso natal, que era nosso e agora não é, mais um tempo onde nos divertimos aumentando nossa desgraça. Claro que passamos tudo em família, damos beijinhos e abraços para todo mundo e fazemos de conta que tudo vai bem. Alguns até bebem um pouco a mais para esquecer. Meu vizinho passou por aqui, antes de viajar para Botucatu e deixou duas garrafas do vinho promocional dele, com toda delicadeza e bondade. Sendo assim, periga eu não ver o dia terminar.

Bom, depois de tudo isso, se você puder acreditar, aceite meu sinceros votos de um abundante feliz natal. Não faz mal se você não está em seus melhores dias. Faça como ensinou o sábio Harold Jampouski: Prefiro mil vezes estar feliz do que estar certo.

Outro beijo nas carecas e perucas, apesar de vocês insistirem nessa mentira de que não são carecas.

6 thoughts on “Natal na Gruta

  1. Então, Feliz Natal também!!!

    Obrigado. Não sei se todos sabem a grande mulher que você representa. Nós somos muito gratos por seu apoio e amizade cristã. Deus há de recompensá-la na medida certa. Grande abraço.

  2. Confete e Ki-bamba,caramba!!!
    Sempre achei que só eu fazia essa troca…

    Abraço com ternura,todos.

    Sejam felizes, sempre.

    Tá vendo! Sempre aparece alguém para acabar com nossa originalidade. 🙂 Abraços daqui para você e toda felicidade liberta do mundo. Deus há de mudar de idéia. Às vezes ele é meio teimoso mesmo, mas no fundo é um cara super legal.

  3. Lou,gostaria de poder não ver o dia terminar,mas estou tomando alguns remédios,e assim só poderei dar uma bicadinha.Pena,né?
    Feliz todos os dias!!!Felicidades pra você,pra Dedé e pros queridos filhos em 2009!!Pra mim o ano de 2008 foi brabo.Não me envergonho de falar,sem falso pudor “cristão”.Espero em Deus que 2009 seja mais maneiro,pra mim,pra vocês e pra todos os homens de boa vontade.

    Agradeço. Não são os nossos dias e anos que estão piores, mas o mundo está pior e o sal insípido, que só presta para ser jogado fora, tem muito a ver com isso. O Caminho é restaurar a Igreja, como inocentemente tentou Francisco de Assis. Então teremos dias e anos melhores. Mas espero que Deus desvie de seus rumos e lhe dê uma ano muito melhor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *