A Gruta do Lou

Não divulgue as suas curas

Não divulgue
Não divulgue

Nem tudo que Deus faz em nossa vida deve ser propagado, especialmente, curas de doenças físicas. Nos evangelhos, fica claro o cuidado que Jesus tinha em prevenir as pessoas, por ele curadas, em relação a esse ponto. Embora fosse aconselhável abrir exceção da comunicação oficial ao pastor principal de sua igreja. Não é o caso, por exemplo, dos endemoninhados exorcizados, que o Mestre orientava a anunciar em suas casas e às suas famílias, a libertação ocorrida, no que era parcialmente desobedecido, diga-se de passagem. Os caras aumentavam o circulo de informação, por conta própria e acabavam propagando o milagre entre a vizinhança e arredores, também.

Imagino que a razão desse cuidado por parte do Senhor se deva, principalmente, à concorrência. Em nossos dias, essa precaução torna-se muito mais necessária, portanto. A indústria da cura é extremamente competitiva e poderosa, atualmente, mas com uma ética muitíssimo peculiar, quase chegando ao ponto de não ser ética, ou pior, não tendo ética alguma.

Interessante notar como curar os doentes causava impacto negativo, já naquela época, quando ainda nem havia hospitais, indústria farmacêutica, conselhos regionais de medicina e, muito menos, ministérios da saúde. O cuidado era só em relação a certas pessoas que detinham o monopólio da cura, a saber: curandeiros, feiticeiros e praticantes de coisas místicas.

O problema é que algumas dessas pessoas eram muito bem relacionadas, alguns chegavam a exercer importantes funções junto aos governantes, inclusive com poder de sugerir retaliações aos seus oponentes que poderiam chegar às sentenças de morte.

Um dos evangelistas bíblicos, no caso Lucas, era um curandeiro, embora as versões modernas da bíblia o chamem de médico.Encaro assim porque não há noticia confiável da existência de qualquer escola de medicina naquela época e naquele lugar, onde ele viveu, que pudesse outorgar-lhe um diploma, o que não muda nada, em minha opinião. Pessoalmente acho isso ótimo e imagino que Lucas deve ter sido médico dos melhores, na prática. Pelo menos não vinha com os defeitos de fábrica dos médicos atuais, sobretudo o da mercantilização de suas habilidades.

Talvez possamos incluir, nessa categoria de propaganda de curas a serem evitadas, a ressurreição de mortos. Se não me engano, Jesus, a exemplo de profetas do Antigo Testamento, como Elias, encarava a morte como um mal físico, igual a qualquer doença e que era passível de cura. Estranho né? Mas o mestre não se detinha diante da morte, em certos casos, e tratava a vítima com certeza da cura. Fez isso com Lázaro e com a menina, filha de um dirigente da sinagoga, só para citar os exemplos bíblicos. No caso dessa menina, Jesus chegou a declarar que ela não estava morta, mas dormia.

Isso me leva a pensar que a medicina pós moderna pode ainda estar engatinhando nesse assunto. Será que não estaríamos enterrando gente que só estaria dormindo, e fazendo isso há séculos? Entendo que seria muito difícil segurar uma notícia dessas, mas há antecedentes recentes.

Não estou querendo afirmar que os endemoninhados não seriam considerados doentes, por Jesus. Penso que ele conhecia bem as implicações de seus atos curativos, pois em seu tempo, os exorcismos eram, relativamente, aceitos quando efetuados por religiosos ou místicos. Esse não é o caso, em nossos dias, principalmente depois que a medicina reivindicou para si esses casos, tratando-os como doenças mentais. Um psiquiatra cristão, com quem trabalhei durante algum tempo, costumava dizer que todos os casos que ele tratou, considerados pelos pastores como possessão demoníaca, eram, na verdade dele, doenças mentais. Pudera, esse era o verdadeiro credo dele.

Fica aí o alerta, se Jesus vivesse hoje, provavelmente recomendaria que você não fizesse alarde desse tipo de cura, caso tivesse essa experiência, em lugar nenhum.

Sendo bem assertivo, o melhor é nunca divulgar uma cura alcançada ou realizada. Pelo andar da carruagem, nem mesmo ao pastor de sua igreja. Geralmente, essas pessoas também, costumam ter sentimentos estranhos quando algo acontece com suas ovelhas sem que eles as tenham protagonizado. Inclusive, a lei, na maioria das nações, considera curas praticadas por pessoas sem a habilitação médica concedida por uma escola de medicina, devidamente autorizada pelo estado, como crime de charlatanismo e/ou curandeirismo.

Imagino que eu já tenha sido curado de enfermidades várias vezes, talvez até sob o risco de morte, bem como tenha efetuado a cura de muitos enfermos, embora não tenha sido capaz de curar meu próprio filho. Privilégio que nem Jesus teve, pois segundo a Bíblia, ele que curou e libertou a muitos, não foi capaz de livrar a si mesmo da cruz, embora os calvinistas e outros fundamentalistas deverão discordar de mim nesse ponto, se não no todo. Entretanto, sempre tive o cuidado de não divulgar minhas curas por aí. Se eu fosse você, trataria de fazer o mesmo.


Da Série:   As Sete coisas que Jesus não faria se fosse você

Os sete passos que Jesus não daria em seu lugar


2 thoughts on “Não divulgue as suas curas

  1. Paulo
    Bom, acho que vamos nos apropriar desse seu veredito. Mas a ideia foi dele, digo do Mestre. Ah, a introdução dessa série começa com a frase: “Ao ler pela enésima vez o Em Seis passos o que faria Jesus, do Brabo me veio a ideia de escrever esses Sete passos que Ele não daria”. Enfim, a culpa é sua, como sempre. Bom que você tenha gostado do título, só falta mais uns dois bilhões aprovarem também. Nada que não se resolva com um milagre outro acolá. Certo?

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