Na velocidade do nosso tempo

Velocidade, rapidez, agilidade, etc., não é só em termos de comida, fast food, trangênicos, sexo seguro e essas porcarias, tudo anda muito rápido, hoje em dia. Você pode enriquecer rapidamente, tanto quanto empobrecer na velocidade de um raio, ou engordar da noite para o dia, aliás acho que emagrecer poderia ser a exceção nessa regra, mas não é, as pessoas não emagrecem por que são vagabundas, na maioria dos casos, o Ronaldo que o diga.

Resolvi compartilhar a escrita do meu livro Finanças OK, em um dia meio ruim, e no outro desisti da idéia, dado o interesse, ou melhor, falta dele por parte dos leitores. Não pense você que isso me chateia, ao contrário, acho bom porque tiro mais uma idéia tola da cabeça, rapidinho, speedy. Continuarei escrevendo, quer queiram ou não, pois preciso cumprir minha sina nessa vida. Tenho os filhos, plantei as árvores, mas ainda não editei o maldito livro. Morro de inveja de quem o fez, ou você pensa que minha propaganda grátis pró livros do Brabo é ingênua e desinteressada? Entretanto, não consigo pagar o preço. Nesse caso sou como os gordinhos, bem vagabundo. Além de não escrever o trem, pelo menos como pretendo (sou perfeccionista e tendo a procrastinar por causa disso), fico implicando com os caras que poderiam facilitar o caminho para mim. Desse jeito fica difícil. Bom, a gente sempre pode ganhar na loteria e mandar fazer, digo, editar, sem ser preciso adular nenhum desses alcoviteiros, cheios de hábitos insalubres e suas crenças periclitantes.

Na verdade, nem carece ficar triste porque alguma coisa não esteja bem. Isso pode mudar num piscar de olhos. Um E-mail certo, um Twitter, uma conversinha via Skype, um torpedo no alvo e pronto, tudo pode mudar. Nossa, sinto mesmo é não ter tido essas ferramentas nos tempos de minha adolescência e início de juventude. Fico imaginando quantos problemas teria evitado. E tem gente que vem com aquela conversinha a favor da vida dos séculos passados. Tô fora. Minha tristeza é ver todo esse arsenal só no último terço de minha vida. Cara, fui um nerd antes da hora. Gastei meu tempo arrumando máquinas de escrever e relógios. Só fucei o primeiro computador aos quarenta anos (quero dizer: por dentro), embora tenha sido apresentado a eles (uns monstros que existiam na pré história de minha vida) em meu primeiro emprego, na Avon. O problema é que ninguém me deixou vê-los em suas entranhas.

Fui o tipo de menino que teria começado desenvolver um software qualquer na garagem de minha casa ou no dormitório da universidade norte americana, não fossem os pais e professores obtusos que tive e o fato de não ter feito faculdade na outra América, aquela que deu certo, embora esteja em rota de declínio, agora. Quando comecei meu negócio de manutenção em bicicletas na nossa garagem, devia ter uns doze anos, meu pai me pregou a maior bronca da história. Nada a favor do emprego e essas enganações universais, pois ele também nunca acreditou nisso, mas devido a sua intenção em me dar tudo o que eu precisasse, por causa de sua neura em relação ao meu avô, o maior pão-duro de São José dos Campos. Com isso me estragou para sempre. Mas nada acontece por acaso, Deus tem tudo sob controle, creia-me, negócio de livre arbítrio, democracia, demo isso, demo aquilo, não é a dele.

Como o Wood Allen, também acredito que tudo dará certo, no final, ou muito antes do que esperamos, ou seja, a vontade divina prevalecerá, não importa qual venha a ser.