A Gruta do Lou

Na hora da tempestade, melhor ter lastro disponível

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Algumas pessoas declaram seu status religioso, por aí, como ateu ou agnóstico e o fazem com certo orgulho. Provavelmente haja certo menosprezo pelas pessoas mais ligadas à religião, como se essa opção fosse própria dos mais fracos, dos primitivos ou dos indecisos.

Desde menino vivi minha vida reservando algum espaço para as práticas religiosas. Vim de um lar simples, acho que pertencíamos à classe média baixa, tínhamos casa própria, quase sempre dois carros e até uma casinha vagabunda lá na Vila Mirim, na Praia Grande, para as nossas férias. Meus pais foram funcionários públicos da prefeitura de São Paulo. Meu pai era um artista, com passagens pelo circo, rádio, TV e cinema. Tinha alguns talentos, principalmente o domínio da arte de pintar, o que deu a ele a capacidade de ganhar bom dinheiro quando usou isso para fazer Outdoors, pelas redondezas. Minha mãe sempre trabalhou fora de casa e teve uma passagem importante pela empresa Avon Cosméticos Ltda. durante uns quinze anos. Isso nos deu momentos de tranquilidade e algum prazer, mas nunca perdemos nossa simplicidade. Não precisei trabalhar antes dos dezoito anos, exceto uma ou outra ajuda no trabalho do meu pai, nos momentos de mais atividade.

Para mim e meus amigos, ira à igreja aos domingos pela manhã era programa obrigatório em nossa agenda. Fiz todo o curso primário em uma tradicional escola católica e cheguei a participar de alguns movimentos católicos, quando jovem. Mas até aí, era uma militância comum, um tanto equidistante. Aos vinte e cinco anos me converti ao protestantismo e iniciei uma etapa mais religiosa em minha vida. Estudei teologia e mergulhei em uma leitura quase compulsiva da Bíblia e dos assuntos relacionados, incluindo boa parte da Filosofia que se fez necessária. Foi o desenvolvimento de uma espiritualidade pouco comum e incluiu uma grande e profícua convivência com inúmeras pessoas com excelente estatura nas coisas de Deus.

Durante muito tempo, se você me perguntasse por que estava tão interessado em tudo aquilo, não saberia responder ao certo. Essas coisas sempre me encantaram, a história da vida, ministério e via sacra de Jesus Cristo me fascinaram, desde sempre, e a própria história da Igreja, também. A história de Israel foi uma grande descoberta para mim e acabei me tornando um conhecedor acima da média de tudo isso. Nunca pensei a respeito como algum tipo de exercício primitivo. Muito menos, senti alguma espécie de superioridade em relação aos ignorantes no tocante a Deus e seus caprichos, mesmo quando gastei meu tempo com inutilidades como lecionar em escolas teológicas ou frequentar igrejas ditas evangélicas.

Entretanto, chegou o tempo de compreender porque Deus, a Bíblia e a vida cristã vieram a fazer parte do meu dia-a-dia. Quando situações complicadas, algumas muito difíceis, vieram a fazer parte do meu viver, percebi que esse embasamento espiritual, se não resolveu, me permitiu atravessar a grande tormenta com mais lastro e equilíbrio. Nosso Tsunami ainda não passou e suspeito que possa demorar a passar. Mas acho interessante mencionar que é muito bom poder contar com Deus quando me vejo diante de problemas que a ciência não pode solucionar ou que nem dinheiro, igrejas, pessoas generosas ou maldosas e muito menos políticos, advogados, psicólogos e sacerdotes com ou sem prosperidade sejam capazes de fazer algo capaz de minimizar ou muito menos eliminar meus problemas.

Talvez alguma coisa relacionada a trabalho e moradia até poderia ser equacionado se houvesse gente de boa vontade e caráter generoso de fato. Mas, dificilmente alguém consegue estender a mão ao próximo sem humilhá-lo, como faria Jesus, por exemplo. Sendo assim, na maioria das vezes, prefiro optar por uma atitude aparentemente orgulhosa e dar uma de D. Quixote e seu viés cavalheiresco, não mencionando minhas dores, ainda que pelas feridas me saíssem as entranhas. Só sucumbo a alguma atitude pedinte se a necessidade envolver outras pessoas sob minha responsabilidade, em termos de saúde.

Estou certo que minha guerra e cada uma de minhas batalhas só poderão ser vencidas se Deus vier em meu socorro, mais ou menos como ele fez naquela passagem envolvendo o grande profeta Ezequiel (Ez. 37:5): “E assim falou o Senhor Deus a esses ossos: Eis que farei entrar em vós o sopro de vida e vivereis.” Poucas pessoas ou coisas sobre esse planeta poderiam me salvar ou mesmo amenizar minhas dores.

Meu conselho nessas horas, se tenho alguma permissão para tanto, às pessoas em meio a esses furacões que não disponham de alguma fé, que seja, é buscar socorro junto aos que tenham experimentado essas travessias logrando êxito através da providência divina e corram daqueles que sobre o que não entendem ou não experimentaram, fazem ousadas asseverações.

De outro lado, confesso sentir um misto de prazer e pena quando vejo um desses “ateus” diante de graves problemas que ciência e dinheiro não podem ajudar. Taí uma situação triste de ver. Pior é que o divino, com o humor que lhe é peculiar, certamente nos usará para socorrê-lo. Como disse Paulo, o apóstolo: “para consolar com as mesmas consolações com que fomos consolados”.

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