A Gruta do Lou

My fair blog

Um dos livros que me fazem falta é a “A Lei do Triunfo” de Napoleon Hill. Aquele excomungado do Martin Claret, com aquela espelunca que ele chama de editora, surrupiou meu livrinho, a pretexto de lançar um livro sobre o Hill, e nunca mais me devolveu. Pessoal, hoje em dia, se gaba dos seus livros de Auto-Ajuda, mas não sabem nada. Sou fruto da geração que recebeu “Auto-Ajuda” de gente como o Napoleon, Allen, Peale, Carnegie, Ziglar, Schuller, Murph e outros tão bons quanto esses. Esses eram os caras quando se fala em Auto-Ajuda. Enfim a auto-ajuda vem de fora, mesmo. Claro que a turma politicamente correta, de minha época, dizia não gostar, mas os lia em segredo.

Talvez você estranhe essa minha conversa, mas isso é facilmente explicável e já foi feito em diversas oportunidades. Eu, o narrador da Gruta, um mero personagem desse gênio da literatura nacional e rico, sou um mero pessimista perdedor, gente pelas quais Jesus Cristo se dispôs a deixar seu manto, coroa e anel real e encarnar como um simples ser humano, com as fraquezas e paradoxos peculiares. Às vezes, tenho a sensação de que essa gente exista para que as Madres Terezas tenham o que fazer na vida. O que seria da boa senhora albanesa e de Marta se não houvesse os pobres e os famintos. Jesus até consolou os caras portadores dessa síndrome de benevolência, chamada por Aristóteles de compaixão, um desses sentimentos baixos e destrutivos, com a promessa de que sempre teríamos esses seres exóticos conosco e não havia urgência em atendê-los.

Meu curso de Mestrado não serviu para muita coisa, até aqui, mas aprendi algo muito interessante lá. Mesmo que não disponha de bens e a porcariada material, o que me exclui da classe operária, ou menos, é a minha estrutura intelectual. Em suma, sou um rico funcional, pois penso como um, ajo como um e até menosprezo os pobres como qualquer rico que se preze faria. Até esse negócio de escrever um blog chamado A Gruta, um lugar destinado aos maltrapilhos, etc., faz parte de minha real identidade. Não se iluda, mesmo quando faço alguma benevolência, trato de fazê-la com a melhor arrogância possível.

Esses senhores citados, muito contribuíram para mina formação de rico. Diria que o Zenon foi o arquiteto da obra. Até então, era mesmo um reles pobretão, praticamente um dos doentes digno de ser abraçado por nosso Senhor, justamente porque pensava como tal. Mas eles me fizeram entender que eu necessitava passar por uma urgente transformação através da “Mudança Comportamental”, começando pela forma de pensar. Claro que o Zenon precisou gastar vários de seus azes escondidos nas mangas, devido à minha proverbial exigência. Foi assim que ele me apresentou, também, gente como Viktor Frankl e seu Significado da Vida, do ponto de vista judeu e rico, mesmo em face da morte, coisa iminente em campos de concentração nazistas; o Harold Kusnher outro judeu e rabino que mesmo tendo sofrido a perda horrorosa de um filho amado, não perdeu a compostura e escreveu o fantástico “Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas” ou se preferir, Quando certas pobrezas acontecem aos ricos” , também; ou um Gerald Jampolsky e sua maravilhosa visão transformadora da vida através da Cura das Atitudes, obviamente, da atitude maltrapilha para uma mais, digamos, esnobe e vencedora.

Outro dia, alguém disse sabiamente que esses modernos livros e movimentos pós modernos de auto-ajuda, como o Segredo, Pai Rico, pai pobre e a nossa querida turma da prosperidade e propósitos são meros copiadores dos originais citados acima. Acho que sou obrigado a concordar.

Mas fiquem tranqüilos, continuarei minha obra redentora junto aos pobres grutenses. Darei sequência na tarefa de inocular meu veneno através desse meu personagem pobre e pessimista, que vive pelos cantos dessa caverninha aos prantos. Quem sabe se o Rio de Janeiro for escolhido como sede das Olimpíadas de 2016, hoje, e o Lula, nosso presidente que era pobre e nós tratamos de transformar em um dos nossos, acabar com a pobreza no Brasil, de fato, eu possa descansar e viver minha vida burguesa em paz, finalmente. Embora isso não seja nada relevante.

Outros textos da série: Achei ouro na Gruta

A Regra de Ouro

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