A Gruta do Lou

My Brother

Cresci e vivi ouvindo de um Jesus, às vezes Cristo, outras de Nazaré, Galileu, Rei dos Reis, Filho do Homem, cheio de graça e mansidão, embora tivesse surtado quando viu o Templo cheio de gente fazendo e participando de correntes, estabelecendo propósitos materiais ou indiferente à pessoa ao lado. Diziam que esse Jesus viera para salvar a humanidade da morte eterna, perdoar nossos pecados, tomando sobre si todas as nossas transgressões e enfermidades. Também anunciaram-no como o cordeiro perfeito, o pão da vida e a verdade.

Nisso tudo acreditei, do fundo de minha alma e de todo o meu coração. Com o tempo, comecei a perceber algumas inconsistências, tanto na diversidade dos textos quanto na experiência dessa vida, então chamada cristã. Questões surgiram e não faltou quem me dissesse que não deveria duvidar, que a fé exige devoção cega e servil, diziam eles, a seu modo.

Aos poucos, percebi que o Jesus bíblico era mais à minha moda. Alegre, irônico e até sarcástico, às vezes. Sobretudo, um excelente construtor de enigmas e parábolas a fim de perpetuar seus ensinamentos. Imaginei sua consciência a respeito das astúcias sacerdotais e pastorais, ao longo do tempo e, pouco a pouco, o Mestre dos mestres foi surgindo, primeiro nas sombras e depois claramente em uma visão que meus irmãos insistem em não ver.

Sei agora que ele não veio salvar, posto que a salvação já fora graciosamente doada a toda humanidade pelo Pai. Sua maior preocupação ao assumir a forma humana, a tal encarnação, era remover a trave de nossos olhos, a fim de que pudéssemos enxergar o argueiro no olho dos outros. A trave era a culpa. Embora estivéssemos sob a absolvição plena, geral e irrestrita, vivíamos como se fôssemos culpados, como de fato fomos, um dia.

Que bom! Agora podemos viver sem esse trambolho estorvando nossa visão, então sermos capazes de estender a mão ao infeliz mais próximo e dividir com ele tudo aquilo que tivermos e ele não, coisa que antes nos era impossível.

Não é maravilhoso conhecer o verdadeiro Jesus, o único Cristo?

5 thoughts on “My Brother

  1. Yesssss… Espalha isso,principalmente no meio evangélico!

    Vamos todos espalhar, o efeito será mais eficaz.

  2. Pingback: Nelson Costa
  3. Tentaram fazer dele uma figura a quem se deve mais temer que amar, e então essa figura falsa se tornou a própria trave que ele veio remover do nosso olho.

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