A Gruta do Lou

Muito além da Missão

Creio que meu envolvimento com o evangelho, mais sério, deu-se via Missões. Como todos estão carecas de saber, andei por esse mundo de Deus com as boas novas nas mãos, pronto a oferecê-las a quem as desejasse, apesar de não tê-las absorvido e muito menos entendido, muito bem, mas o resultado não foi nada animador. Na Albânia e nos países atrás do muro da vergonha, na chamada Cortina de Ferro, o povo estava escravizado por sistemas políticos nada democráticos, onde as pessoas viviam uma situação robotizada do tipo casa-trabalho-casa e não tinham nenhuma liberdade religiosa ou de escolha em termos de crenças e princípios. Na África, as pessoas encontravam-se imobilizadas pela miséria, igualmente incapacitadas para fazer escolhas filosóficas ou teológicas. Alguns companheiros missionários, que foram à Índia ou ao Tibete, relataram ter encontrado pessoas extremamente desenvolvidas espiritualmente e não tiveram coragem de abrir a boca diante daqueles gigantes morais. Sem falar em Nietzsche, Weber, Rosseau, Kierkegaard, Camus, etc., que me desanimaram sobremaneira a levar essas ideias ortodoxas avante, em nossa sociedade repleta de vias e mentes pós modernas e neoliberais.

Em meio a essas idas e vindas, iniciei minha carreira de professor de Teologia, primeiramente em missões e evangelização. CDF como sempre, tratei de estudar meus temas de ensino a fim de fazer bonito entre minhas vítimas. Li os evangelhos e o livro de Atos várias vezes, até colocar minha mão sob o queixo e concluir que não era nada daquilo. Jesus dizia às pessoas que curava, imagine um milagre sendo feito em sua vida, para ficarem na moita e não contarem a ninguém a respeito. Passou a abrir a boca somente em parábolas e enigmas e quando lhe pediam tradução, lascava outra parábola deixando todo mundo com cara de boi. Em um rasgo missionário, enviou seus discípulos para anunciar as boas novas. Depois de algum tempo os caras voltaram com o rabo no meio das pernas, reclamando que não conseguiam nem expulsar um reles demônio de segunda classe, desses que só saem com oração e jejum, que costumamos expulsar todos os dias, facilmente. Então concluiu que teria que resolver a parada e não poderia contar com a ajuda de terceiros incapazes. A partir daí, abandonou todas as ideias de missões e evangelizações. Ao invés de opções exóticas, optou por sair de cena e deixar o Espirito Santo vir e fazer o serviço de transformar nossas mentes mundanas, através de mecanismos mágicos ou extra sensoriais, a fim de nos permitir adquirir a tal mente de Cristo e ingressar no Reino de Deus.

Sendo assim, as iniciativas missionárias e evangelísticas, a partir de Jesus têm se mostrado inócuas, puro desperdício de tempo e dinheiro, sem falar na frustração de quem se meteu nisso com as melhores intenções evangélicas. Se há uma missão a cumprir, em cada um de nós, seria uma só: Deixar o amor de Deus fluir em rasgos de generosidade. Se queremos ser deuses, então precisaremos aprender a pensar como tal e a primeira lição, nesse caso, é aprender com Jesus a sair de cena e deixar a tarefa para o Espírito Santo. Quanto menos tentarmos ajudar a Deus, melhor. Geralmente, o máximo que conseguiremos se insistirmos, será embolar o meio de campo. Alguém já disse que o que fazemos fala muito mais alto do que o que falamos, então cuide melhor de suas ações em silêncio obsequioso e já estará fazendo muito em termos da missão.

Institucionais

O Thomas voltará ao INCOR na segunda-feira, dia 21. Agradecemos a todos que estão fazendo parte dessa missão, certamente o Senhor saberá recompensá-los.

Estamos precisando de um dentista competente disposto a estudar um conjunto de medidas capazes de permitir a construção de um implante dentário. Dispomos dos serviços de um bom protético.

Quanto a mim, sou grato por todos que generosamente tem contribuído para a superação de meus compromissos nesses tempos de vacas magras. Ah! Uma pequena luz surgiu no fim do túnel. Por favor, não risquem nossos nomes de sua lista de orações, por enquanto.

Necessitamos de um imóvel na região da zona oeste de São Paulo que possa abrigar nossa família condignamente. Caso você saiba de algo assim, me avise. Obrigado.

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