A Gruta do Lou

Missões pós modernas da igreja e suas subsidiárias

Atenção: O Registro Br, mais uma dessas agências governamentais desnecessárias, liberou nosso domínio principal, finalmente. Sendo assim, por um ano ou mais, se Deus permitir, você poderá acessar A Gruta via http://www.agrutadolou.blog.br, também.

Foto de H. Bresson

Lá pelo fim da década de setenta (séc. XX), empreendi viagem missionária, cujo objetivo maior era verificar a situação da igreja cristã na Albânia, na época, com as portas fechadas à liberdade religiosa e ostentando o jargão  “a primeira e única nação ateísta do mundo”. Essa missão nasceu em nosso coração ou foi plantada ali pelo velho e esquecido Espírito Santo. Saí daqui sob os auspícios de dois irmãos da minha igreja e do falecido Peter Bronsfield que representava a KLM por aqui, na época, e facilitou a compra da minha passagem de ida e volta. Atravessei o Atlântico duas vezes a bordo de um DC-10, sem dinheiro no bolso. Na ida, ainda levava comigo os travellers reservados à nossa missão no leste europeu restrito ao evangelho, mas na volta, tudo que havia em minha carteira era uma nota de cinco da falecida moeda chamada cruzeiro, valor suficiente para a passagem do ônibus entre o aeroporto e a minha casa, caso os irmãos e a família se esquecessem de minha chegada. Esse périplo durou dois meses e não me lembro de ter notado a falta de qualquer objeto, alimento, roupas, etc. Ao contrário, fiz substanciosas doações dessas coisas a pastores do leste europeu, sob domínio da chamada URSS, enquanto andei pelo velho continente, naqueles dias. Lembro que meu avião fez escala em Zurique e Las Palmas e, nessa última fomos obrigados a desembarcar no aeroporto local, onde todos os passageiros se apresaram às compras e lanches, enquanto eu olhava as vitrines. Mas, ao passar em frente a uma das lanchonetes, ouvi alguém me chamar: “Ei Lou, came here”. Era meu companheiro da poltrona ao lado da minha, no avião, então entrei e fui até o homem que imediatamente deu ordens ao garçom para servir-me sanduíches e café quente, por conta dele.

“Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;

Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel;

E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.

Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.

Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos,

Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento”.

Mateus 10: 5 – 10

Ainda há gente se batendo em favor de juntas e agências missionárias, embora desnecessárias e instrumentos de mercado, fazem mais do que igrejas riquíssimos sem qualquer ação missionária, discutindo e queimando pestanas sobre qual delas teria mais ou menos relevância. Não sei quando foi que perdemos o trem da velha e boa espiritualidade cristã, onde militaram seres bizarros com um jeito de crer infantilizado, capaz de curar enfermos, limpar leprosos, ressuscitar mortos sim senhor, e outras peripécias inacreditáveis, imaginem que ridículo. Sinto vergonha, pois em minhas andanças missionárias, como o resumo que narrei no início, acima, e algumas outras em solo nacional e na África, o máximo que consegui com minhas crenças tacanhas, foi não depender dessas indústrias de serviço missionário e movi-me estritamente segundo a provisão de Deus, a cada passo dado. Em Maputo chequei a praticar um ou outro exorcismo, pois não consegui me furtar de fazê-lo sob a pena de dar vexame perante igrejas locais, mas foi só. Minha tarefa missionária se traduziu em identificar as tais ovelhas perdidas e fazer campanhas em favor delas, depois que voltei para casa.

3 thoughts on “Missões pós modernas da igreja e suas subsidiárias

  1. O fim de todas as instituições eclesiásticas e missionárias só faria bem ao Evangelho, pois obrigaria o crente a fazer ele o trabalho que hj ele põe no ombros da tal de “Igreja” e suas agências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *