A Gruta do Lou

Missão na integra ou a decadence

Estou em um daqueles momentos em que escolho ou aproveito algum acontecimento do dia para destilar meu veneno. Hoje a minha vítima é um evento que está acontecendo em São Paulo sob o título de Missão na Íntegra, com a participação de Ed Rene Kivitz, Ariovaldo Ramos (Diretor da Missão na Íntegra) e Don Richardson (Autor de O Totem da Paz), provavelmente nas dependências da Igreja Batista da Água Branca (IBAB) onde o Ed é o pastor titular e o Ariovaldo, uma espécie de pastor honorário. Esse evento vem acontecendo desde o ano passado e tem agenda para este ano, também.

Antes de mais nada, uma explicação, tenho optado pelo outro lado, como uma espécie de opositor permanente ao status quo evangélico, na maioria das vezes, porque acredito na velha máxima de que toda unanimidade é burra. Claro, se houvesse uma unanimidade inevitável, eu não teria nada a dizer sobre o que quer que fosse. Não é o caso. Várias vezes me perguntaram, desde que comecei blogar, o que eu teria contra esses big stars do evangelho como esses aí acima e outros, como Gondim, Caio, Malafaya, Macedo, Ricardo Barbosa, Nicodemus, Sung, etc. Na verdade, não tenho nada pessoal contra eles, nunca os vi fazendo nada que os desabonasse moralmente, inclusive, alguns deles, como o Ed e o Ariovaldo eu os conheço pessoalmente, considero-os bons amigos e já interagi com eles em várias oportunidades, desde os tempos do seminário e em muitas situações de nossas vidas e ministério. Caso venha encontrá-los por aí, há o perigo de cumprimentá-los com um bom abraço. Os outros encontrei aqui e ali, talvez nunca tenha estado com o Bispo em um mesmo lugar, não sei, mas isso não faz nenhuma diferença.

Meu objetivo primário é apontar o dedo para suas ambiguidades ou paradoxos é confrontá-los, para bem deles mesmos, do evangelho  e, óbvio, dos seus seguidores mais inteligentes. Sem dúvidas, as diferenças entre eles são enormes. Quando faço isso, estou abrindo-lhes espaço para fazerem o mesmo comigo, se bem que sou malandro e inexpressivo o suficiente para não dar-lhes muita ocasião a isso. Um discutível segundo motivo seria aproveitar essas oportunidades para aparecer um pouquinho às custas de gente mais famosa que eu, imaginando-se que os inveje completamente. Em minha defesa diria que há pouco nesses caras que eu inveje, a menos que eles tenham alcançado a paz nessa vida, coisa que eu não consegui ainda. Sei de fatos que lhes aconteceram que não gostaria de experimentar, especialmente certos momentos difíceis. Também tive os meus e não gostaria de vê-los sofrendo as mesmas dores que sofri e sofro.

Em relação ao evento citado, meus amigos Ed e Ariovaldo, embora tenham construído ministérios relevantes, nunca foram missionários, que eu saiba. O Ariovaldo esteve na Costa Rica, se não me engano, em viagem patrocinada pela Open Doors, e planejada pelo Dale Kietzman (meu tutor em assuntos de desenvolvimento e missões), para conhecer um movimento de jovens que se multiplicava nos canos, é isso mesmo, nos canos de esgotos espalhados pelas ruas da cidade antes de serem conectados à rede de esgoto, ou teria sido outro, já que minha memória nessa altura está mais para o Al (Alzeimer) e já deve ter viajado muito por aí, certamente, além de dirigir, participar e presidir várias agências missionárias mas nunca foi um missionário, de fato. O Ed, também pode ter viajado bastante, mas não foi um missionário, igualmente. Consideram-se missionários por causa desse conceito discutível da tal Missão Integral, que faz dos pastores de igrejas, missionários, sem nunca terem visitado nem a favela da vizinhança, na maioria dos casos. Tão pouco isso diminui ou desvaloriza o que quer que tenham feito de bom em favor do evangelho no Brasil.

Evidentemente, faço enorme diferença entre o ministério de um pastor de igreja, um pastor palestrante e um missionário., não em termos conceituais, mas falo do que sucede na prática. Considero missionário um cara que deixa sua casa, sua parentela, seu país, seu povo e segue para viver e anunciar o evangelho em outra cultura. That’s it. Claro que alguns pastores espertinhos, norte americanos of course, inventaram uma tal de missões urbanas para se auto proclamarem missionários. Então passaram a considerar suas tarefas pastorais de campo, como visitar favelas, hospitais, bairros pobres, creches, etc, como atividades de missões. Talvez o Ariovaldo já tenha pisado em alguma favela, afinal ele trabalhou com o Caio lá no Rio e deve ter subido algum morro, por lá. Quanto ao Ed, tenho minhas dúvidas. Já deixei muito pastor de saia justa perguntando se ele já visitara alguma favela, em seu trabalho para Deus. Creio que todos os pastores, pobres ou ricos, batistas ou neo-pentecostais, presbiterianos de todas as seitas e metodistas, assembleianos ou quadrangulares, deveriam incluir essas tarefas como parte de seus job description. Mas isso não faz deles missionários, a meu ver. Não adianta inventar a tal missão integral e apelidar tudo como missões, isso é um grande equívoco  e não acrescenta, ao contrário, se não me engano.

No Brasil, além de mim e do Carlos Siepierski, teriam algo a dizer sobre missões a Najua Diba, missionária brasileira na Albânia até hoje, a Valnice Milhomes, missionária brasileira em Moçambique por muitos anos, as irmãs Margareth que quase perderam a vida em Angola, um outro missionário enviado pela Missão Antioquia que teve seu pênis decepado em algum lugar da África por causa de seus cristianismo, o casal Celso Prado, em Moçambique e Guiné Bissau, a Neuza que perdeu a vida na Índia. O Pr. Jonathan Santo, ao contrário do genro dele que apenas morou na Inglaterra, dirigiu a Missão Antioquia, ainda mantida sob o guarda-chuva de seu ministério faraônico em Araçariguama, eu o chamaria para dar muitas explicações sobre dezenas de vidas que ele enviou para o campo missionário, para viverem sob a maior penúria, e um monte de anônimos ou pouco conhecidos que enveredaram pelo nosso sertão, nossas florestas e pântanos, por toda a África, índia, América do Sul, Cuba e até os confins da terra.

Nunca os pastores de igrejas ou conferencistas semi profissionais, o caso da maioria dos palestrantes de Missão na Integra, que conforme bem explicou o Ed, seria uma nova proposta teológica, diferente, mas nos moldes da velha e ultrapassada Teologia da Libertação, uma proposta metzo marxista do século passado, para a América Latina..

Acontece que o cara, depois de um tempo, fica fominha por falar, principalmente depois que essa atividade, falar, passou a ser muito bem remunerada, além de proporcionar alguns pontos a mais na fama. O pessoal não se faz de rogado, se for convidado para falar, mesmo que seja sobre algo do qual não façam a menor ideia, eles aceitarão e até poderão fazer boas palestras, devido às suas habilidades pessoais para falar em público, embora serão palestras ocas, sem fundamento ou sob o fundamento de outrem, provavelmente.

Trata-se de algo muito distante do conselho de Thiago, cujo teor diz respeito ao ganho contido no calar. Só para ilustrar, deixei o site do evento acionado e , durante o intervalo para almoço, vazou a conversa do pessoal da organização falando sobre, exatamente, o pagamento que fariam ao Don Richardsom e outros gastos com o evento. Aliás, o Don pegou a grana e escafedeu-se do evento, faltando à última parte para a qual estava programado. Deve ter tido seus motivos.

Agora pouco, enquanto estava assistindo a palestra do Don Richardson, que foi missionário na Nova Guiné, há milênios, presenciei-o gastando a maior parte do tempo citando fatos que retirou de livros conhecidos sobre missões, como o excelente “O Segredo Espiritual de Hudson Taylor” que narra boa parte do trabalho desse missionário na China, nos tempos em que eles cortavam tudo dos cristãos, não apenas aquilo.

Sabe, esse pessoal muito exposto ao way of life norte americano fica velho e não aprende. Até hoje o Don confunde fazer missões com proselitismo. Uma pena. Muitos “missionários” perderam a vida, ou essas partes vitais, por cometerem o mesmo erro do velho missionário canadense aí. Meu, você vai a um povo fanático por sua religião, não importa qual seja, e começa a convidar os jovens, sobretudo as mocinhas bonitinhas, para fazer parte da sua religião e acha que eles te darão uma placa de prata ou um troféu por isso.

Se você tivesse estudado um pouco de antropologia comigo ou com a Barbara Burns, saberia o quanto essa gente está pisando na bola e arriscando suas vidas por nada. Anunciar as Boas Novas segundo o modelo neo testamentário protagonizado pelo Senhor Jesus não é convencer ninguém a mudar de religião e, muito menos, mandar exterminar quem pratica outras religiões não cristãs.

Enfim, para mim o pior é que essa volúpia toda para açambarcar todas as oportunidades que aparecem para dar uma “palavrinha” por grana ou fama, é altamente prejudicial no todo chamado Igreja, aliás, na nossa combalida Igreja. Parece que poucos vêm com eu, ou seja, que essa instituição está em franca decadência. 

Entendo que como mentores do projeto Missão na Integra, o Ari e o Ed achem natural estrelarem seus eventos, mesmo porque, duvido que mais alguém conseguisse explicar o que pretendem, como eles. Mas seria muito nobre convidar alguém, como o Don, e deixar o cara falar sozinho e ser o protagonista por um dia, às custas deles ou de seus seguidores.

O pessoal fica por aí lutando contra a extinção de um monte de raças de animais ameaçadas ( o que é muito importante), mas penso que está na hora de se dar conta de que a nossa raça cristã é que está tremendamente ameaçada e essa turma está contribuindo decisivamente para tanto, mesmo que não tenham essa intenção. Será que Cristo terá que resolver tudo sozinho, de novo?

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22 thoughts on “Missão na integra ou a decadence

  1. Pra mim você é um crítico sem noção.
    Disse ser amigo do Ed e do Ari e faz um texto desses, no outro texto voadoras o Jung sitou um monte de coisas, cheio de querer saber mais que os outros. Oro pra que Deus mude seus pensamentos, sua maneira de falar, que dê humildade.

  2. Thiago, antes de mais nada, agradeço seu comentário. Quanto a ser um velho amigo do Ari e do Ed, você pode conferir com eles. Talvez não lhe tenha ocorrido, ainda, mas para mim os verdadeiros amigos discordam e isso os faz mais amigos.
    Não sou a favor de mais uma teologia e não creio que os ofenda por discordar dessa iniciativa. Só para sua informação, defendi muitas vezes uma leitura brasileira dos evangelhos com um consequente posicionamento sobre as principais questões teológicas. Entendo que um alinhamento teológico com o povo hispânico que nos cerca é quase impossível devido às nossas múltiplas diferenças culturais. Quanto a sua acusação de eu ser um possível crítico sem noção, imagino que você ainda precisará revê-la e, no tempo certo, você talvez descubra por que.
    Quanto ao Sung, imagino que ele seja um ser humano tão bom ou melhor que nós dois. Mas ele se expressou publicamente através do Twitter e pisou na bola, coisa que pode acontecer com todos nós, com ou sem intenção. Fiz questão de apontar o erro porque ele anda cheio de si no meio evangélico e não foi a primeira vez que destilou equívocos católicos centenários sorrateiramente. Bom informar-lhe que minha primeira formação religiosa cristã foi adquirida quando fazia parte da igreja católica.
    Para encerrar, sem querer desapontá-lo, Deus poderá ouvir sua oração e resolver ser justo, só para variar, e entender que tenho o direito de discordar, ainda que respeite e até admire as pessoas das quais estou em discordância. Espero que o Criador te ouça e me conceda mais humildade, já que isso nunca será demais, creio.
    Aproveito para lembrar-lhe que a palavra “citou” deve ser escrita com “c” e não com “s”, como você fez. Certamente deve ter sido um problema de digitação, que também costumo fazer aos montes.
    Imagino que você não precisava se dar ao trabalho de defender o Ed, Ari e Sung nessas questões, pois eles são muito capazes nesses assuntos e não prescindem de tal colaboração. Entenda, por favor, que o pior que pode acontecer a esses caras que crescem muito em fama e importância é a devoção burra e inconsequente que você está tentando devotar-lhes. Se me permite um conselho, utilize seu potencial sensitivo e enaltecedor para engrandecer algum desconhecido, mas cheio de valor que, a seu juízo, mereça crescer.
    Acho que já basta. Fique em paz e seja abençoado segundo seus desejos e necessidades.
    Lou Mello

  3. Um recado ao Eber

    Seu comentário será respondido se você tiver nome, sobrenome e endereço completo.

    Aproveito e faço-lhe uma sugestão, caso decida ver seu comentário aprovado e respondido, cumprindo as exigências acima: Leia bem o post que está comentando e verifique com cuidado o que está escrito e atenha-se a isso. Se você insistir em basear suas alegações em suas interpretações ou suposições do que seriam, em sua pobre imaginação, meus motivos, provavelmente, não obterá êxito em seu intento, tampouco.

    Você é o segundo a deixar comentário quase anônimo aqui, hoje. Isso está cheirando a conspiração de puxas-sacos de plantão, se não me engano. Se eu estiver errado, identifique-se e seja digno. Posso estar completamente errado em tudo o que já escrevi, mas minha cara está bem aí na frente e muitos sabem quem sou e poderiam falar por mim um monte de coisas, até algumas boas.
    A decisão é sua, cara pálida.

  4. Então, corro o risco de, ao elogiar demais o texto me tornar um puxa saco grutense, e se tem uma coisa da qual fujo é ser puxa-saco. Mas queiramos ou não o Lou foi no ponto, ainda que uma coisa aqui e outra ali possa não me ser palatável, no todo o texo falou a verdade. Quando eu era entusiasta das missões, inclusive das vezes que estive no Peru fazendo trabalho de férias, me perguntava como alguém pode falar de missões, de prática contextual se nunca esteve in loco. É mais ou menos como um jovem que joga simulador de avião a vida inteira querer levantar e pousar um Airbus ou um Boeing.

  5. Caro Richardson

    Como você não cumpriu a exigência mínima para ter seus comentários liberados no blog, mas poderá fazê-lo a qualquer momento que desejar, quero informar que não cobro para realizar tarefas ministeriais. No máximo, solicito reembolso de despesas (hospedagem, transportes, alimentação) quando há possibilidade de pagamento por parte de quem faz o convite. Caso contrário, procuro não deixar de atender, a menos que não seja possível no momento. Na grande maioria das vezes (que não foram poucas) sai de casa sem qualquer promessa nesse sentido e recebi doações a critério dos anfitriões. Isso inclui as palestras para prevenção ao uso de drogas e álcool.

    De outro lado, tenho uma empresa que, entre outras coisas, faz consultoria e esse serviço é remunerado. Workshops, treinamentos e palestras relacionados a marketing para organizações sem fins lucrativos fazem parte das atribuições da empresa.

    Bom que você tenha tocado nesse assunto e só estou esclarecendo porque entendi ser uma boa oportunidade para tanto.</strong

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  6. Gustavo

    Não tenho dúvidas que você jamais será um puxa-saco de quem quer que seja. 🙂 Em um texto breve sobre temas tão complexos você, os outros leitores e eu sabemos que é improvável esgotar todas as possibilidades. Nesse caso, exercitamos a habilidade de escrever com poucas frases e palavras, como se tivéssemos apenas uma folha para escrever. A idéia é levantar a bola, sempre, mesmo quando corremos o risco de pisar em ovos, como nesse caso. Gostei do exemplo do avião. Lembrei do pessoal da turma do Bush explicando que os caras que enfiaram dois boeings nas torres do WTC teriam aprendido a pilotar em simuladores desses que se compra em shoppings de informática. Por isso o Charlie Sheen e eu não acreditamos neles até hoje.
    Obrigado pela ajuda.

  7. Jaime

    Mesmo problema, você precisa ter um comentário aprovado, pelo menos para ganhar estabilidade para comentar sempre. Isso você consegue fazendo seu registro com nome completo e um e-mail válido.

    Quanto a esses serem os últimos Pastores que você confiava e a possibilidade de citar-lhe alguém que você possa creditar um evangelho verdadeiro, tenho duas coisas a dizer-lhe.

    Primeiro, eu continuo confiando muito no Ed e no Ari que são honestos e dois pastores muito bons. De certo modo, confio muito mais neles, do que em mim mesmo. Dos outros que têm praticado desse projeto Missão na Integra, embora não conheça todos, sei que são escolhidos com muito critério por eles e nada há que os desabone, muito ao contrário. Creio que eles desejam e sempre desejaram pregar um evangelho verdadeiro.

    Segundo, estou questionando a proposta de uma nova teologia e uma confusão entre a proposta deles (Missão na Integra) meio ao molde da Missão Integral com nuances da Teologia da Libertação, somadas a alguns dos pressupostos da Missão Holística da Igreja, voltada ao social, em relação a Missões. quando o objetivo é levar as Boas Novas à uma outra cultura. Esse fato se deu nessa conferência, com a presença do Don Richardson, um missionário de carteirinha.

    Posso ainda acrescentar que há muitos pastores sérios, tanto quanto o Ed e o Ari, alguns menos famosos, espalhados por aí. Eles andam se expondo mais e quem se expõe concede mais chances a gente como eu de avacalhar o que estão fazendo, se a coisa não estiver muito bem explicadinha. Não sou do tipo que esculacha só por esculachar. Quero que eles melhorem o que estão fazendo e adulações não os ajudarão, ou parem com isso e continuem com o velho arroz com feijão evangélico, com culto aos domingos e quartas e uma ceiazinha básica uma vez por mês. Aconselhamento, só em último caso.

    Se você ler um pouco dos quase 1500 posts que escrevi nesse blog, muitos especificamente sobre teologia, descobrirá que tenho os dois pés atrás quando o assunto diz respeito aos teólogos e suas teologias. Nesse ponto estou 100% com o Nietzsche que afirma que esses caras são todos niilistas.

    De repente, você me verá tomando uma cerveja com eles por aí, se é que eles ainda cometem esse pecado, nesse caso, pode ser um café, na Starbuks pois acho que eles não tomam café em qualquer espelunca, ocasião em que falaremos de futebol, automóveis, tecnologia e tomaremos todo o cuidado de não discutir nada sobre teologia.

    Um abraço

  8. Lou, por falar no Caio, ele agora tem um projeto missionário chamado “Caminho às Nações”, com iniciativas na Afríca, mais precisamente na Nigéria e com pretenções em Angola. Não tinha pensado em Missões Urbanas, sob a ótica que foi citada, mas a crítica tem fundamento sem dúvida. Quanto a enviar missionários para viver em penúria, infelizmente outros também fizeram o mesmo. Um abraço.

  9. Juber
    Você sabe que o Caio tornou-se um caso à parte, por causa de tudo que aconteceu com ele e através dele. De qualquer forma, ele não faz parte desse grupo que está propondo outra nova teologia. Menos mal. Pessoalmente, prefiro trabalho em equipe, participação de todos ao invés de pedir a Deus um rei. 🙂 Nós humanos temos enorme dificuldade em lidar com a vaidade e aquelas coisas que Salomão experimentou e acabou confessando que não eram muito legais… com os outros. O Caio não é diferente, pois é humano, também. E tem o perdão do tipo do velho sr. Sebastião Emerich, um antigo diácono dos tempos da Ig. Batista do Sumarezinho: “Perdoar a gente perdoa, mas levar de volta ao ministério, está fora de cogitação” muito comum nas hostes evangelicais.

  10. Olá Lou, foi o meu amigo Zeev quem repassou o seu texto para mim via email. Li, gostei e quero parabenizar pela coragem em dar nomes aos bois, algo talvez que ainda não ousei fazer ainda…
    Gostaria de disponibilizar um texto que o meu amigo citado acima – Zeev – e eu elaboramos numa das nossas conversas que tivemos após eu ter participado de uma palestra com o Ed Renè e o Rene Padilha . Na ocasião o evento ocorreu no seminário servo de Cristo:

    SOBRE UM PROJETO DE ATUAÇÃO NO REINO DE D-US

    Em primeiro lugar, cremos ser necessário percepcionar o intuito das Sagradas Escrituras. Trata-se de um critério para se estabelecer a distinção entre a perfeição como o fim último do ser humano, ou seja, justiça perfeita, relacionamento perfeito, vida incorruptível plena etc. e a nossa condição humana caracterizada pela imperfeição e, por conseguinte, a insuficiência humana em todas as áreas existenciais. O Livro de Romanos considera essa tal complexidade ao diagnosticar a drástica condição do ser humano e ao apresentar a única solução. Nesse sentido, a Bíblia jamais preconiza [diretamente] um processo de transformação social, política ou econômica como condição sine qua non na e para a implantação do Reino de D-us, mas sim uma transformação interior no ser humano por meio da obra do Espírito Santo, e nesse aspecto, nós – como escravos de Cristo – seríamos os arautos desta transformação. Entretanto, a rebeldia causada pelo pecado, que perpassa todas as dimensões da existência humana, propicia inevitavelmente os transtornos e disfunções sociais.
    Ora, pode haver um grande equívoco quanto a quem domina atualmente o kósmos: Jesus Cristo ou o Príncipe deste kósmos? Como interpretar o seguinte versículo: sabemos que somos de D-us e que o kósmos inteiro jaz no Maligno (1 Jo 5: 19)? O fato de “sermos de D-us” seria, incontestavelmente, um índice de uma mudança necessária quanto à perspectiva cosmológica na qual estamos imersos? A condição para que o Maligno, que domina este kósmos, não possa nos tocar de fato (1 Jo 5: 18) não está associada a uma transformação interior e não ao projeto para tentarmos alterar o curso deste kósmos em que estamos inseridos, haja vista que o kósmos inteiro jaz no maligno? Nesse sentido, invevitavelmente, a resignação perante a condição de nosso kósmos – como um critério para se questionar os projetos de psicologização e sociologização, tão em voga nos mais diversos contextos eclesiais – parece-nos ser uma atitude biblicamente razoável. A causa essencial associada ao fato de se opor a tal resignação perante a condição de nosso kósmos talvez repouse no seguinte dado: Queremos nos beneficiar do Sistema-Mundo, mas não pretendemos suportar os seus efeitos colaterais.
    Estamos inseridos naturalmente nos moldes deste kósmos e compartilhamos da ilusão de sua eficiência seguindo irrefletidadmente o curso de tais moldes. João não nos convida para que nos retiremos deste kósmos, mas para que não nos acomodemos ao seu molde, ou seja, somos convidados a mudar de um horizonte cosmológico – no qual estivemos sempre inseridos – para outro horizonte compartilhado pelo Evangelho. Estamos neste kósmos, mas não pertencemos a este kósmos… A conseqüência de tal “trans-posição” ou “trans-formação” – que se dá a nível interior e individual e não a nível exterior e social – é a tensão de vivermos neste kósmos a partir de uma perspectiva não compartilhada por este mesmo kósmos. Toda a angústia e sofrimento proveniente dessa nova criação seria o compartilhar daquilo com que D-us, que se tornou homem para resgatar o próprio homem, experienciou em sua existência aqui na terra. Tal compartilhar é pardoxalmente uma Bem-Aventurança Inefável…
    Não se trata, porém, de não abrir espaço para uma práksis que seja condizente para com os Príncípios do Eterno, mas sim de não nos iludirmos com a possibilidade de alterarmos o curso deste kósmos, e muitas vezes em nosso “benefício próprio”… Quem dentre nós teria a audácia de afirmar que Paulo estava equivocado ao dizer que os que usam deste kósmos, como se dele não usassem em absoluto, porquanto o esquema deste kósmos passa? ( 1 Co 7: 31) E além do mais, que outra perspectiva resta para todo aquele que não entende que a Expansão do Reino de D-us independe de projetos nas esferas politico-social-econômicas para impedir o inevitável curso deste kósmos rumo à catástrofe teleo-lógica prenunciada nas Sagradas Escrituras? Para muitas pessoas talvez isso possa implicar [n]uma rendição sem sentido, mas em Tiago 5 : 1 – 6 nenhum incentivo aos recursos deste kósmos é incentivado para que os trabalhadores que ceifaram os campos dos ricos sejam justiçados – segundo o Critério da Justiça Humana – devido ao fato dos ricos terem retido fraudulentamente os seus salários… Somente o fato do clamor dos ceifeiros terem chegado aos ouvidos do Senhor dos Exércitos já [nos] basta : tanto para que os trabalhadores sejam justiçados – segundo o Critério da Justiça Divina – como para que não nos iludamos com os Cursos e Recursos do Sistema-Mundo para a implantação de qualquer que seja o Projeto de uma Justiça Infalível entre os seres humanos…

    Observação: Esta reflexão foi fruto de um diálogo entre dois amigos que procura[ra]m ponderar algumas propostas que têm sido apresentadas entre os cristãos. Julgamos razoável a necessidade premente de uma abordagem teológica, visando fundamentar determinada práksis bíblica que esteja dissociada de muitas propostas sugeridas por aí, as quais parecem estar se rendendo ao clamor da psicologização ou sociologização dos Benditos e Preciosos Princípios da Palavra de D-us, cujos alicerces não se coadunam com nenhum projeto que desconsidere a condição ontológica na qual se encontra o nosso kósmos devido aos transtornos [sociais, psicológicos, políticos, econômicos, espirituais, familiares etc…] causados pelo pecado: O kósmos inteiro jaz no Maligno. Basta-nos, portanto, o privilégio fantástico de “sermos de D-us” e poder[mos] proclamar ao kósmos inteiro que jaz no Maligno que as injustiças e transtornos sociais sempre existirão devido ao fato do ser humano ser um pecador, mas Jesus Cristo, mediante o arrependimento do ser humano pecador, perdoa e transforma a vida de todo aquele que a Ele se rende[r]… Nenhum projeto e /ou proposta de mobilização social-místico-religiosa que não esteja[m] alicerçado[s] em tal Possibilidade de Proclamação merece[m] ser digno[s] de crédito[s]… Tanto entre os cristãos, como também perante o Eterno D-us, pois toda tentativa de síntese entre o Reino de D-us e o Reino do Homem, embora seja impossível, só pode ser vista [ou cogitada] como possível e desejável apenas para todo aquele que pretende estar comprometido com o Reino de D-us e com Reino do Sistema-Mundo ao mesmo tempo, caracterizando assim o seu estatuto de índíce de In-Fidelidade ao Senhor… Não seria razoável evocar Mt 6: 24 para o questionamento de alguns projetos de atuação e acão social no e para o Reino de D-us, que só na esfera da pró-forma parecem estar dissociados da questão financeira? Se a avareza e a cobiça por torpe ganância podem produzir os seus estragos [inclusive] no Ministério da Proclamação do Evangelho, por que no domínio da atuação e ação político-social-religiosa[s] elas não poderiam estar presentes ?

    Daniel Kunihiro e Ze´ev Hashalom

  11. Daniel

    O Ze’ Ev já havia me enviado esse texto de vocês e mais dois.
    Faz algum tempo que estou procurando alertar sobre os descaminhos em que esse pessoal tem andado. Citei-os pelos seus nomes por ser da mesma faixa etária, ter estudado teologia na mesma escola de alguns deles e até ter caminhado com eles, em algumas situações. Achei que tinha liberdade para tratá-los de frente. Ressuscitar o Rene Padilha também é um grande equívoco, a meu ver. Percebi que o levaram para a África a fim de participar do que chamaram de edição africana da conferência de Lausane. O Rene é uma espécie de sobrevivente da teologia da libertação, uma espécie de tentativa de leitura marxista da Bíblia. Marx jamais leria a Bíblia de novo, depois de escrever o seu “O Capital”, pois ele considerava a Bíblia a fonte primária do capitalismo, para ele, o grande demônio presente no mundo. Como bem colocou o Max Weber, é bem provável que o protestantismo tenha aberto o caminho para o capitalismo solidificar-se na esteira dos seus passos e, ao mesmo tempo que produzia os mais incríveis milionários da história, de outro lado, crescia uma miséria e pobreza jamais imaginada, nem Satanás a teria pensado, provavelmente. Mas isso deveu-se ao oportunismo capitalista, a meu ver. Infelizmente o dinheiro serviu de isca para os líderes das igrejas e eles acabaram como lacaios do capital, que é onde situam-se os nossos amigos citados, precisamente. Com o agravante de que eles tentam, desesperadamente, a opção social sem abrir mão do dinheiro. Acho que nunca leram o conselho de Jesus ao jovem rico. Bom, em meus mais de trinta anos de evangelho, nunca conheci quem seguisse esse conselho do mestre. Eu sou compulsoriamente pobre, e confesso não ter feito nada por isso, a não ser, um monte de burradas na área financeira.
    Pretendo ler os textos de vocês mais acuradamente e depois fazer algum comentário, se me sentir capaz disso ou encontrar algo que tenha valor contributivo para seu pensamento. Em uma primeira olhada, percebo que vocês conseguiram ver os grandes perigos que esses senhores estão incorrendo em relação à Palavra de Deus e uma teologia equilibrada e isso é muito bom. Espero que continuem atentos, escrevendo e estudando, pois o Reino de Deus precisa de cristãos pensantes e com livre pensar.
    Agradeço os comentários
    Um abraço para você e para o Ze’ ev.

  12. “Deus te cinja de força e aperfeiçoe o teu caminho. ” Sl18 32. É o que tenho pedido para mim também, creia. Não tenho tempo nem o hábito de comentar na net,não sei nem se é assim que se fala,mas o assunto me interessa e acabei lendo tudo.Depois fui ao seu perfil e fiquei sem entender. Como um homem que faz tantas coisas,em tantos lugares,não está assoberbado o suficiente,para ainda encontrar tempo de avacalhar,como você mesmo disse num dos comentários, o trabalho alheio? Não creio que você seja amigo dos pastores que citou.Porque com amigos,agente trata pessoalmente ou ,se o assunto é relevante para outros ,agente encontra um meio de ser mais útil ,do que ficar atirando pedras ao ar. . Uma delas pode acertar alguém e ferir de morte.E não terá sido o seu suposto amigo Ed ou o Ari quem o fez, mas você.Amigos não se agridem, se apoiam e quando não concordam fazem de tudo,menos avacalhar.Se estou parecendo uma puxa-saco grutense, isso não importa,porque de uma coisa eu tenho certeza,Eu não sou amiga deles,nunca estive pessoalmente com eles ,nenhum deles me conhece .E isso não vai aumentar ou diminuir o meu valor nesse comentário,quanto a você,se não definir melhor o seu discurso ,todo o seu conteúdo será comprometido.Seria muito disperdício ,querido.

  13. Quanto legitimidade de ser missionário,fico a vontade,pelo fato de também ser da sua faixa etária e lhe digo,desde minha adolescência aceitei o chamado missinário,me coloquei a disposição para ir aos campos longínquos e o mais distante que Deus me mandou eu poderia ir a pé.Querido ,fico imaginando se Deus seria tolo de mandar alguém de outro país fazer o trabalho que Ele pode fazer através de mim.E Ele tem trabalhado pra caramba.

  14. Mere Lima
    Obrigado pela visita e pelo comentário. É assim mesmo que se faz, basta escrever sem outras regras, alem na norma culta, claro.
    Bom, vamos por partes: Quanto a mim e às minhas atividades, o que você deve ter visto diz respeito ao conjunto das coisas que já fiz e imagino estar apto a fazer, conseguido nesses pouco mais de sessenta anos de vida e luta, mas não vai além de uma oferta de serviços. O fregues vê o que está precisando e solicita, pode ser uma consultoria para a empresa não lucrativa dele, um treinamento, uma palestra ou até o conserto do microcomputador, dele ou da ONG. Fazemos qualquer negócio, desde que seja honesto e pago à vista, porque não posso voltar para casa de mãos vazias, sob o risco de ter que dormir no sofá.

    Quanto a avacalhar meus “amigos”, há em nossa cultura uma série de mitos, não se surpreenda se, de repente, topar com algum deles. Um desses mitos diz respeito à sua reclamação, ou seja, a de que seja pecado avacalhar pastores, amigos ou inimigos, pois eles são homens de Deus. Nessa lógica, seria pecado avacalhar qualquer ser humano, independente de sua atividade, inclusive euzinho, avacalhado por ter passado dos quarenta anos, não ter angariado riquezas, ser feio, etc., e, principalmente, por me negar a concordar com o que andam fazendo em nome de Deus, os tais “pastores”. Olha, os caras se tornaram homens públicos, eles têm programas de TV, de radio, púlpito, site, livros, blog, detêm o poder sobre as editoras, sobre pessoas estratégicas e mais uma pá de coisas enriquecedoras. Como tal, eles se tornaram sujeitos à avaliação(o eufemismo de avacalhação) desse público ao qual eles se dirigem o que me inclui, para azar deles. Sem falar, que os dois em questão, andam em polêmicas intermináveis citando publicamente outros pastores, alguns dos quais já foram mui amigos.
    Esse post foi escrito minutos após um evento que eles organizaram cujo tema era Missão na Íntegra, e trouxeram um missionário famoso, mas já em dias de aposentadoria, especialista em Missões transculturais. O detalhe é que o negócio deles, passa longe de Missões Transculturais e está em uma outra rota muito diferente, qual seja, uma espécie de recrudescimento tardio da falida Teologia da Libertação, um trem com viés comunista, que teve lugar nos anos 70/80 e afundou junto com o muro da vergonha, em 1989. A presença do missionários Don Richardson era só um chamariz para eles poderem destilar o veneno deles, com muito carinho, claro, pois eles são pastores extremamente delicados (sem ironia aqui). Se você tiver dúvidas, tente assistir os vídeos desses eventos aqui.
    Meu discurso é muito claro: quero a igreja de volta, mas do jeito bíblico, ético e espiritual como propõe outro pastor amigo, o Eugene Peterson, autor do texto postado hoje. Se você chama esse meu discurso de conteúdo comprometido, então não há mais nada a fazer, mesmo, além de seguirmos nossos caminhos.
    De qualquer maneira, peço a Deus que te abençoe abundantemente e ilumine seu caminho da melhor forma e a critério Dele.

  15. Mere

    Então, mas esses senhores que você defende, nunca foram a lugar nenhum, nem a pé, coisa que eles abominam. Já viu o carro deles? Quanto a Deus enviar missionários de outros países, pare enfrentar culturas totalmente diferente das originais não é o ideal, mas muitas vezes necessário. Fiz isso, de uma forma não convencional e sou fã de alguns missionários que o fizeram da forma convencional. Por exemplo, Albert Schweitzer, Prêmio Nobel de 1958, que deixou seu confortável cargo de diretor de um dos mais renomados seminários do mundo, estudou medicina, já na meia idade, e iniciou um projeto de saúde no meio da África, em Labaranê, e nas horas vagas, anunciava as Boas Novas. Para ajudar no sustento dessa obra, todos os anos, votava para a Europa onde tocava Bach em órgão, no que era exímio. O dinheiro que lhe davam era todo empregado em Labaranê. Me parece que você tem essa opinião for desinformação, mas sempre posso estar enganado.
    Abs.

  16. Olá, Lou, fico feliz de perceber que estou falando com alguém de convicção e, como já disse, peço para mim também o que está em Sl 18.32. Obrigada por responder com o cuidado de esclarecer, não apenas de discutir.

  17. Fiquei pensando, se as suas ponderações não seriam, não somente contra as pessoas citadas, mas também contra si mesmo. Concordo que a fundamentação teórica é linda, mas sem encarnação perde a beleza. Porém, entender a perspectiva da Missão Integral como uma ressurreição da teologia da libertação é fazer uma análise simplória desprovida de um olhar multidimensional. Me parece que há semelhanças e distanciamentos entre as duas, o que não significa que sejam a mesma coisa. Digo isso, porque li seu comentário e concordo com você em parte e com os citados em parte. Como leitor me parece que o texto pode acrescentar muito, mas também incitar uma série de sentimentos meio infantis. Fiquei pensando nisso. Talvez como autor ter esse feedback seja bom. Acredito na Igreja do Senhor Jesus, e não na Igreja que a gente constrói o tempo todo na nossa cabeça, com versículos, teologias, etc.

  18. Sylvio
    Agradeço a visita e seu comentário.
    Como costuma dizer meu amigo Paulo Brabo, escrevo para mim mesmo, fundamentalmente. Além disso, não me sinto conhecedor de Deus, embora creia nele, talvez mais do que o esperado. Esse detalhe me traz imensa preocupação com o que as pessoas creem e, ao escrever, tenho as crenças conhecidas em perspectiva e brinco com elas, não por desrespeito, mas como forma didática ou literária, talvez para amenizar.
    Quanto à Missão na Integra proposta pela rapaziada da IBAB, principalmente, a mim seria necessário mais análise e reflexão. Entretanto quando digo que se trata de uma tentativa de ressuscitar a Teologia da Libertação, na verdade, uso de ironia. São dois os motivos, não sei quanto eles leram, estudaram ou vivenciaram a Teologia da Libertação. O movimento não se estingue na opinião atual do Gutierres, que me parece ter revisto o próprio posicionamento, o que não é mal. A TL englobou muitos outros pensadores importantes, alguns ainda vivos, talvez parte deles tenha se desiludido, e seria interessante que eles estudassem tudo isso, se ainda não fizeram. Depois conheço parte das duas turmas e um pouco da experiência deles e isso me faz cético, para dizer o mínimo.
    Sinceramente, não vejo nesse pessoal da Missão na Integra o empenho requerido aos teólogos pensadores e isso me preocupa. Não pense que não desejo sucesso a eles ou a qualquer teólogo brasileiro que resolva estudar de verdade. Vejo uma lacuna monumental e carência imensurável nessa área, por nossas bandas. Provavelmente, devido à nossa proverbial inapetência para atividades intelectuais e que requerem algum esforço mental. Preferimos, em geral, deixar nossos ticos e tecos mais à vontade.
    Talvez, hoje, eles não me vejam como pessoa grata, se é que algum dia viram. Conheço os principais e cheguei a conviver com eles, numa ou noutra circunstância pelos caminhos de nossas vidas.
    Mas gostei de seu comentário, sobretudo em seu posicionamento elegante a respeito da Igreja do Senhor Jesus, aquela que você e eu não conhecemos, infelizmente. Salvo engano.
    Um Abraço
    Lou

  19. Caro Lou,
    que bom conhecer pessoas que podemos conversar como seres humanos no que diz respeito a temas que pressupõem dogmas, inflexões, “xiitismos”, expondo de forma respeitosa e honesta nossas reflexões. Agradeço também a sua consideração ao meu comentário. Fiquei curioso em saber a sua perspectiva acerca da missão da Igreja e se quando você diz que nós não conhecemos ao Senhor Jesus, você tem como pano de fundo o relato do apóstolo Paulo quando escreve que: ” … em parte conhecemos, mas um dia conheceremos como somos conhecidos… “, ou seu pano de fundo é outro para sua colocação. Se puder expor agradeço.
    Abraços

  20. Sylvio
    Em uma pequena frase, posso te responder que a Missão da Igreja é aquela dada por Jesus aos seus seguidores, a saber: “Vós sois o sal da terra”. Há os que defendem a tal Grande Comissão: ” Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a todas as criaturas” ou o Grande Mandamento, “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.
    Pessoalmente gosto da Igreja como a instituição preservadora da humanidade, portanto, da vida. Talvez a Missão da Igreja inclua as três ideias, preservar, propagar e amar. John Stott nos legou um livro concebido após o Congresso Internacional de Evangelização Mundial, celebrado em Lausane – Suiça em 1974, cujo título é A Missão Cristã Hoje. Nele essa definição torna-se muito mais ampla e densa. Aliás, a primeira coisa a fazer, nesse caso seria definir o que é “Igreja”, se não me engano. Bom, milhares de pessoas, a maioria gente do mais alto nível teológico cristão, passaram uma semana debatendo o tema para, no final, dar a luz a um documento que ficou conhecido como “O Pacto de Lausane”. Vale a pena ler, em minha humilde opinião.
    Quanto a conhecer o Senhor Jesus, nós não o conhecemos antes e depois da encarnação. Quanto a Seu tempo encarnado há farta informação, sobretudo nos evangelhos e cartas neotestamentárias, canônicas ou apócrifas. Gosto de brincar com o fato de que ninguém conhece Deus (O Pai de Jesus, quiçá de nós todos), pois ele é Espirito, segundo dizem por ai só apareceu para Moisés, feito uma luz, para Elias feito um som e Jesus como filho deve tê-lo conhecido. A nós compete crer, ou seja, estabelecer com Ele uma relação de fé. Ousaria dizer mais, se o conhecermos, sei lá de que forma, nossa relação com Ele mudará e não será mais pela fé. Talvez essa seja a intenção do divino, manter a coisa a nível da fé. O fato é que tudo que se diz dele é pura especulação, nesse caso, já que ninguém o conhece. Me parece haver séria diferença entre crer e conhecer. Jesus parece ter mencionado isso no episódio envolvendo Tomé: “Benditos aqueles que não viram e creram”. Penso que Paulo referia-se, quando falava sobre Jesus, que nós só conhecemos o Cristo encarnado, mas deve haver muito mais a conhecer, em outro plano. Assim como de nós dois, também.
    Espero tê-lo confundido mais ainda ou, na melhor das hipóteses, esclarecido melhor meus confusos raciocínios
    Um abraço.

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