Missão à Albânia

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

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Partida rumo a Albãnia (1979)

 

Em 1979, meados de junho, estava lendo o livro “O Contrabandista de Deus”. Em determinado trecho o autor falava da Albânia e a descrevia como o País mais inexpugnável do planeta, especialmente ao proselitismo cristão. Novo convertido, metido de cabeça no new cristianismo daqueles dias, orei a Deus, despretensiosamente, mais ou menos assim: “Senhor, mesmo sendo eu um jovem brasileiro, recém casado,  esposa grávida de nosso primeiro filho, quase sem dinheiro, com cara de turco ou judeu, menos de 1,80 mts de altura, cabelos negros e ondulados, olhos negros, apesar disso, se o Senhor quiser me usar para fazer algo missionário nesse país, eis me aqui. Amém” e continuei a leitura.

Um amigo e irmão cristão estava na Europa trabalhando com uma missão, cujo ministério era voltado aos países da chamada cortina de ferro. Ele enviou-me uma carta, naqueles dias, dizendo estar se preparando para fazer uma viagem à Albânia e que gostaria de ter um companheiro para essa viagem. Surpreso com a “coincidência” respondi a ele informando minha disponibilidade no mês de julho próximo. Era professor e, em julho, estaria de férias. Nova carta e a confirmação, vamos à Albânia em julho, fale com a Igreja.

Dirigi-me ao nosso pastor, na época, o Tio Cássio e fiz o relato a ele. No domingo seguinte, antes do culto, houve uma reunião na sala do pastor. Presentes, o Tio Cássio, o Pastor Jonathan dos Santos, o Pr. Newton Touler de Maringá PR, com mala e cuia e eu. O Tio Cássio entendendo ser eu muito novo e inexperiente, convidara o Pastor Jonathan para me substituir e este, por sua vez, entendendo não ser ele a pessoa escolhida por Deus, para esta viagem, convocou o Newton para substituí-lo. Pouco antes dessa reunião, o Tio Cássio falou com o meu amigo lá na Europa (por telefone) quando ele lhe disse ser eu a pessoa certa ou ninguém mais e a Igreja ficava a vontade para participar ou não. Assim a reunião serviu para comunicar ao Pastor Newton que ele não iria para a Albânia. Sabiamente, o Tio Cássio convidou-o a pregar naquela noite e pagou suas despesas de volta para casa.

No fim do culto, o Tio Cássio solicitou uma oferta especial para envio de um segundo missionário à Europa e para uma viagem missionária especial à Albânia. Na segunda feira, sem ter recebido qualquer confirmação, passei o dia tirando meu passaporte e preparando minhas coisas para a viagem. Era uma ação pela fé. À noite, fui à Igreja e o Tio Cássio me recebeu, colocou o braço em meu ombro e perguntou: Tudo pronto para a viagem? Respondi: Sim, só falta pegar a passagem. Ele me orientou a ligar para o Peter Bronsfield, um pastor holandês que morava em Belo Horizonte (ele era o representante da KLM no Brasil) e solicitar o bilhete. Na oferta do dia anterior, a Igreja recebera todo o dinheiro necessário à viagem dos dois missionários brasileiros à Albânia.

A viagem acabou durando dois meses. Estive na Albânia, onde orei “in loco” pela liberdade do povo daquele país, cruzando seu território de norte ao sul e de leste a oeste e depois, em vários outros países da Europa.

Guardo comigo o sentimento de ter participado, por escolha divina, da derrubada dos muros de uma espécie de Jericó moderna. Não com muros de pedra, mas espirituais. Hoje, na Albânia não existe mais o sistema de governo totalitarista de cunho marxista leninista que havia naquela época e o povo voltou a ter liberdade de escolhas, inclusive a religiosa. Tenho notícias de que existem mais de 70 Igrejas cristãs instaladas por lá, neste momento. Considerando o tamanho e topografia desse país, essa é uma grande notícia. Espero que sejam Igrejas cheias do verdadeiro amor ágape.

Pouco tempo atrás, a Najua Diba, missionária brasileira trabalhando na Albânia, enviou um dependente de drogas abanes para ser tratado em uma clínica evangélica aqui em Sorocaba. Tive o prazer de recebê-lo lá no Esquadrão Vida.

Só uma advertência, cuidado ao fazer orações despretensiosas.

lousign
# posted by Lou @ 4:02 PM