A Gruta do Lou

Michael Jackson – They Don’t Care About Us

 

Como grutense matriculado sob o número três, estou todo endividado. Meu maior e mais importante credor hoje é, ninguém menos do que Sir Michael Jackson. Ele superou todos os outros meus verdugos, nos últimos dias.

Inocentemente, resolvi fazer uma homenagem ao maior artista pop da história, falecido em 25 de junho último. Inseri o vídeo clip Thriller em um post, sem texto, por acreditar na força da imagem, capaz de falar por mil palavras. De alguma forma, ele foi informado no lugar onde está. Talvez tenha ingressado no tal Reino anunciado por Jesus e tomado a forma ou, pelo menos, os atributos e facilidades dos anjos, e tratou de retribuir minha homenagem, em sua conhecida liberalidade.

Este blog recebeu nos três últimos dias a maior visitação de sua breve história, elevando o número para a marca de 1550 passantes diários. Claro, eles vieram ver Michael, numa tentativa de segurá-lo por aqui. A ironia é que estamos em uma caverna, ou gruta, exatamente onde grandes personalidades costumam ser vistas em suas últimas aparições.

Tudo bem, sei bem dos entraves teológicos disso tudo. Mas há precedentes. Ultimamente, os estereotipados, colegas de nossa igreja cibernética em comunhão diária via Twitter, Blog e redes sociais diversas andam competindo para apurar quem consegue ler mais livros.

Em princípio, parece uma boa competição, mas não para mim, capaz de admitir três únicas formas de competir: futebol, natação e xadrez. Os livros são objetos quase sagrados, para mim. Costumo tratá-los com muito respeito e devoção. Nem sequer os deixo próximos de seus desafetos. Jamais colocaria um Fernando Pessoa perto de um Fernando Sabino ou um Jorge Luís Borges a lado de um José de Alencar.

Nada contra escritores brasileiros, pois até gosto de dois ou três. Embora tenha dilapidado boa parte de minha biblioteca para não deixar faltar comida em nossa mesa, ainda tenho alguns bons volumes em minhas prateleiras. Um dos meus preferidos, como alguns já notaram, é “Minha Vida e Minhas Ideias” de Albert Schweitzer. Ele me ensina o caminho do saber; por exemplo, foi ele quem me mostrou a importância quase primária da leitura de três obras: “O Contrato Social” de Rousseau, segundo ele, a mais grandiosa criação linguística em francês, “A tradução da Bíblia” de Lutero, a perfeição mais apurada na tradução a Bíblia e “Além do Bem e do Mal” de Nietzsche, na língua alemã. Ele encantou-me a fim de garantir minha permanência na Teologia, somada ao amparo da Filosofia.

Infelizmente, como bom grutense, procrastinei deixando para a última hora o cumprimento de minha missão ministerial. Dia desses, fui lembrado dela, novamente. Quase todos entendem haver uma relação entre a mendicância de  minha vida travada atual e uma possível libertação futura rumo à verdadeira prosperidade, caso volte à minha sina missionária.

Talvez estejam certos, não sei, parece predestinado demais, dogmático demais para um deserdado de Calvino. Nesse livro encontro base para meu colóquio sobre Michael Jackson e, quem sabe para todos nós. Em seus estudos dos evangelhos sinópticos, Schweitzer conclui às tantas: “Mas os pertencentes ao Reino dos Céus já não são homens naturais, pois com o inicio do Reino messiânico sofreram uma transformação que os elevou a um estado sobrenatural, igual ao dos anjos. Na sua qualidade de seres sobrenaturais, o menor dentre eles é maior, por conseguinte, do que a maior personagem humana da História do mundo.” Eles não cuidam de nós, grutenses.

Capricornio PB

3 thoughts on “Michael Jackson – They Don’t Care About Us

  1. Sobre Michael Jackson:
    ” Um homem derramou sua beleza por nós,e nós o devoramos”
    Ah! A natureza humana…

  2. Porque grutense número tres?

    Antes de mim, Elias, Davi e Jesus foram grutenses. Mas Davi perdeu a carterinha e hoje sou o nº 3. 🙂

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