A Gruta do Lou

Meu pé esquerdo

Paulo, apóstolo, solicitou a Deus, diversas vezes, a retirada de algo que ele denominava figuradamente de “um espinho na carne” e parece não ter logrado êxito. Há vários anos venho orando por uma razão específica, duas na verdade, e não tenho obtido a resposta esperada, tão pouco.

Experimentei vários métodos de oração. Orações insistentes, específicas, da madrugada, ao meio dia, em pé, deitado, ajoelhado, decúbito ventral, correndo, andando, na igreja, no meu quarto com a porta fechada, na casa do pastor, em nome de Jesus, ou não e nada de pitibiriba.

Um dos pedidos é muito simples, uma porta ou janela seja o que for de trabalho. Claro que imagino algo remunerado e com a capacidade de pagar minhas contas e ainda sobrar para as despesas do dia-a-dia e a liquidação do meu passivo. Em nossa última passagem pelo INCOR, os médicos prescreveram vários procedimentos para nosso filho, entre eles, lavar o pé esquerdo dele diariamente, onde há uma lesão aberta, até a completa cicatrização. Desde então, assumi essa tarefa e, em dado momento, tive a sensação de que Deus me dera aquela incumbência.

Não sei o que acontece com o maioral. A conferir com o apóstolo da Igreja furada, essa mania é velha, desde aquele tempo em que as pessoas vendiam tudo que tinham, davam aos pobres e partiam para viver em comunidade, provavelmente de onde Marx tirou a idéia ultrapassada dele, que o Frei Beto adoraria implantar no Brasil. Ele, o frei de gravata, é um dos fieis mantenedores das Casas Taiguara , obra social do meu amigo Daniel Fresnot. Capitalistas só fazem doações se puderem capitalizar algo com elas.

Agora tenho um trabalho, embora seja temporário, assim espero, o meu pé esquerdo que nem meu é, mas sinto como se fosse. Mas Deus não entendeu bem o ponto principal. Quando peço um trabalho, não é aquela porcaria destinada ao malvado do Adão que meteu todos nós nessa enrascada, ou seja, trabalhar com o suor do meu rosto por nada, o famoso trabalho escravo que os capitalistas e os socialistas veneram, pois podem, prazerosamente, ver milhares de pessoas servindo-os a troco de bananas. O que realmente estou pedindo é a oportunidade de trocar minha capacidade de trabalho por moeda corrente capaz de amansar a fúria dos meus credores, sem falar no tratamento de nosso filho. Trabalhar, trabalhar é secundário.

O blog virou uma atividade de trabalho, também. Mas é outro que só dá despesa, fora o tempo que consome. Não rende bulhufas em termos financeiros e, de vez em quando, alguém manda pesadas criticas, quando não são ameaças mesmo. Se, pelo menos, servisse para alegrar alguém, vá lá. Há algo muito errado no reino da Dinamarca.

Preciso descobrir a chave do coração de Deus. Aquela da Madre Basiléa Schlink não serviu. Caso alguém tenha uma operante, mande rápido, por favor, se não tiver custo. Estamos com água na altura da boca. Fora aquela sensação de que Deus não responde orações de gente como Paulo e eu, de novo.

7 thoughts on “Meu pé esquerdo

  1. Eu nunca vi nem o cheiro de chave de acesso ao coração do Divino…

    Mas creio que a misericordia DEle não nos deixou entrar água na boca para nos afogar, ainda.

    Deus há de responder Lou, se Deus quiser…

    Abraços

  2. Lou, água até a boca é água pra caramba. Com essa sêca toda – a chuvinha que caiu foi pouca – vc podia vender essa água…
    Desculpe. Sério, tô tentando conseguir algo melhor, mas até agora… nada!!! Bem, com tanta água, se vc nada, já é alguma coisa…
    Desculpe, de novo.

  3. Também estou tentando encontrar a tal chave. Tentei de tudo. Incluindo joelhos no milho. Deus, no entanto, permaneceu silente (Ele não é de muita conversa mesmo – ao menos comigo). Não vi sarça ardente nem fogo ‘chovendo’ do céu; milagre mesmo é eu ainda estar aqui. E permanecer. Isso, ao contrário de Paulo, não me basta, mas é tudo que eu tenho. E é só isso que me faz viver. Abraço, meu amigo.

  4. Pingback: Lou Mello

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