A Gruta do Lou

Maturidade espiritual

Maturidade - Carlos D. Andrade
Maturidade – Carlos D. Andrade

“Pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele.” Filipenses 1:29

Era de se esperar, de alguém capaz de dedicar o melhor de sua vida a Jesus Cristo e ao evangelho, um completo testemunho de abundância e prosperidade em todo o seu caminho.

É muito difícil acreditar em uma pessoa cuja existência esteja marcada por situações e acontecimentos de dor e perseguições, quando ela fala sobre Jesus e o evangelho: “Vá tirar a trave de seu olho primeiro e depois você poderá  falar-me sobre isso”, ouvirá muitas vezes.

De fato, se você tem participado do privilégio de sofrer em Cristo, não apenas crer nele, aconselho a não falar sobre ele e muito menos do evangelho. Na verdade, o conselho se completa se considerarmos seriamente o privilégio de sofrer por ele. Ninguém, cuja decisão tenha sido esta, enfrentará sofrimento de natureza diferente. Mesmo quando você errar ou pecar, o sofrimento virá a você como parte de uma bênção indecifrável e legada pelo criador, a fim de entrarmos na plenitude do amor de Deus. Quando isso acontecer, sua postura e permanência em Cristo, apesar de tudo, falará mais alto do que qualquer palavra proferida.

Acima de tudo, ali em seu quarto, abraçado ao seu travesseiro, se você conseguir identificar e verbalizar: Obrigado Senhor, pelo privilégio de participar do teu sofrimento”, ninguém será mais intimo dele, ou mais amigo, do que você, cujo relacionamento ultrapassou a barreira entre o corpo e o espírito. Quando sofremos por ele, entramos na mais perfeita dimensão de Deus e isso não será conhecido por muitos.

Finalmente, como diria Paulo (apóstolo) : “e o Deus de toda consolação que  nos consola em todas as nossas tribulações, para que, com a consolação que recebemos de Deus, possamos consolar os que estão passando por atribulações.” 2 Corintios 1: 3 e 4

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11 thoughts on “Maturidade espiritual

  1. “Maturidade Espiritual”. Não é fácil chegar a ela. O autor de Hebreus
    exorta os cristãos hebreus que não tinham progredido na fé. “Heb.5:11a14. Francisco de Assis, ou São Francisco como preferirem nos diz “preguem o evangelho, se preciso for, usem palavras”. As pessoas não entendem quem assim procede, mas como disse Madre Tereza, “afinal, nunca foi entre você e os homens, mas entre você e Deus”. O sofrer por Deus é privilégio oculto aos homens, mas suas atitudes não são.

    Exatamente, não é fácil chegar a ela.

  2. Muitas vezes me sinto, espiritualmente, no Jardim da Infância…
    me sinto pequena demais.
    Preciso entender/aprender muito… espero que Deus seja paciente
    comigo.

    Não! Não diga isso. Deus pode ouvir.

  3. Ainda não consigo entender essa teologia do sofrimento, imaturidade espiritual? Pode ser, mas sempre entendo que Cristo morreu para que tivessemos vida e vida em abundância, além de nos exortar a termos ânimo diante das aflições. Isso para mim significa: seja feliz homi, é assim que Deus quer, Ele já sofreu tudo por nós. A única coisa que Ele exige de nós agora é AMOR. E quem pode amar sem ser feliz? Você pode me dizer: Ele, e eu lhe respondo; só Ele!

    abraço de primeiro encontro!

    Obrigado pela visita e comentário. Agradeço por incluir esse texto despretensioso sob a rubrica “Teologia do Sofrimento”. Mas isso é lá com o Driscoll, Bell e Piper, enfim os norte americanos. Se Jesus morreu para termos vida abundante, alguma coisa deve ter saído errado, ou a vida não recebeu a parte dela e saiu fora do contrato. Por aqui, você encontrará centenas de pessoas maltratadas pela vida e sem saber qual a providência de Deus para remediar isso. Mas você corre sério risco de estar certa e nós errados. Quem sabe, somos um bando de desobedientes ou rebeldes abandonados pelo salvador, ou algo assim. Agora, temos nossos momentos, como ver algo inacreditável em meio às nossas tormentas e usar essa visão para consolar gente aflita. Sei lá.

    abraço de primeiro encontro, mesmo assim, bem forte.

  4. “Se Jesus morreu para termos vida abundante, alguma coisa deve ter saído errado, ou a vida não recebeu a parte dela e saiu fora do contrato.” Diz você.

    Não pode ter saído errado, porque o Senhor não faz nada errado. O que pode ter acontecido e essa é a posição que defendo hoje é que alguns homens mais uma vez, assumindo a intermediação entre Deus e os homens (falo dos sacerdotes, pastores, líderes religiosos, apostolos, etc)não conseguiram largar o osso do rendimento que o sofrimento gera.Reergueram os templos, escravizaram os leigos e os mantem reféns da culpa e do pecado. Esquecem de dizer que Deus já pagou a conta e que a graça é de graça.
    A indústria religiosa cresce e o povo continua tomando leitinho nas mãos dos que detem o poder.Acabar com isso pra quê?

    Crer nas promessas de Cristo tornou-se anti-bíblico e aí corremos sérios riscos, é verdade.

    Assim,eles nem entram no Reino de Deus e nem deixam as pessoas entrarem…lembra que é isso que se faz desde sempre?

    Quem vai pagar a conta?

    Seria cômico se não fosse trágico. snif, snif, snif!

    Não sei qual igreja ou pastor está vivendo do sofrimento. Minha visão é aquela onde os pastores e suas igrejas preferem mais o cristianismo triunfalista, mesmo os mais ortodoxos. Cristãos sofredores são mais facilmente encontrados em grutas, cruzes, monastérios, pelas ruas, etc… Estou falando de gente doente (com aquelas coisas sem cura), abandonadas, endividadas, deprimidas, além da idade, esquecidas por um Deus muito exigente, que só abençoa os obedientes e não pecadores (sic). Mas estou convicto a respeito da graça. Essa gente não nos impedirá. Duro será conviver com eles na tal vida eterna.

  5. Amiga Graça, ou eu estou muito enganada, ou o seu lugar é mesmo aqui na Gruta.

    Suponho que sim.

  6. AMEN.

    God bless you,
    T.

    Caramba! Sem ressalvas? Preciso ver onde errei. 🙂

  7. É, Deus tem idéias loucas: sofrimento e bençãos, tudo junto…
    Precisamos aprender a sofrer e receber isso como dádiva.
    Boa semana Lou!!!

    E não é? Obrigado, para você também.

  8. “Estou falando de gente doente (com aquelas coisas sem cura), abandonadas, endividadas, deprimidas, além da idade, esquecidas por um Deus muito exigente, que só abençoa os obedientes e não pecadores (sic).”

    Lou, parece que vc está descrevendo a sociedade em vivemos. É essa sociedade, exatamente como vc descreveu, que tem alimentado, não algumas igrejas, mas toda a industria religiosa e não só ela, a farmaceutica também, a do consumo, a da mídia, enfim todas as instituições que só “lucram” com o sofrimento alheio. Talvez seja por isso que tem tanta gente trabalhando por esses desvalidos e a situação, em vez de melhorar, piora a cada dia. Se acaba o sofrimento acaba o “lucro”.
    Eu sei que K. Marx não era cristão, mas tenho a leve desconfiança que Jesus já era marxista…

    Pois é, lucrar com o sofrimento alheio é pura sacanagem. Mas a FIAT, a Coca Cola, a Telefonica, a Sky e tantas outras também fazem isso e pior, com a robótica e a informatização de que se utilizam, cada vez mais, estão deixando as pessoas a pé e desempregadas. Pelo menos, as entidades precisam de gente para atender aos sofredores e estão sempre empregando os desempregados. Gente como eu, por exemplo. Não tem jeito. Mas ainda sou um romântico e acredito ser o sofrimento produto da ganância, do egoísmo, do individualismo, do materialismo e todos esses ismos desagregadores e nocivos. Usar o sofrimento como meio de lucro e é só mais um detalhe nessa roda de insensibilidades. Seguramente Jesus era um anarquista, como eu.

  9. Você tem razão irmão Lou, mas tão ruim quanto deixar as pessoas a pé ou desempregadas, é vender-lhe ilusões, necessidades e esperança e, principalmente, a esperança em Cristo porque essa foi nos dada gratuitamente e é assim que devemos repassá-la: de graça!

    As entidades prá mim são espiritos do “caipiroto” que transtornam a cabeça de muita gente e retiram a força do povo para exigir o que têm direito como cidadão.

    Assim, todo o sistema é amarrado para acomodar e vender paz onde não há paz!

    Olha, tenho experimentado não fazer nada, de forma compulsória, e não está dando certo. Consegui desagradar a todos, além de mim mesmo. Então arrumei uma exploraçãozinha básica, afinal precisamos de comida na mesa, como todo mundo. Agora, como diria nosso professor de Ética Cristã, essa senhora (A Ética) está na raiz de toda a nossa preocupação. Podemos servir ao próximo feito Jesus ensinou com ela, sem explorar, ou como ensinou o atabalhoado Paulo, só comendo as sobras feito o boi que debulha e coisas do tipo.

  10. Salmo 137 – Uma releitura
    (leia o original abaixo)

    – Hoje já não se anda mais às margens do rio
    Não, ninguém quer estar à margem
    Que estar à margem é ser marginal
    O anseio é por estar no centro
    Ver e ser visto, ser bem quisto, ser moderno, ser certo
    – Já não há mais salgueiro
    Há muito é açucareiro
    “Doce é a vida, aproveitemo-la”
    – A lembrança de Sião já não causa dor
    As harpas já não são penduradas
    Não, ao contrário, quer-se mesmo é entreter, agradar
    Os pedidos são atendidos, todos
    O que importa é a felicidade imediata
    Os opressores estão aí e “a gente não ta nem aí”
    Insistem: sejam alegres, felizes
    Por que renúncia? Por que fidelidade?
    Por que prantear? Por que questionar?
    Então ta!
    – Terra estranha? Não, terra desfrutada
    Desde as entranhas, ainda que não autorizadas
    – Esqueça o passado, isso é coisa de museu
    O que importa é o presente, o prazer iminente
    Pegue-o com as duas mãos, e não se esqueça de seu ventre
    Tampouco do seu paladar
    No fim, no fim é o que restará
    – Se já não há mais os filhos de Edom contra quem lutar
    Há, muito presente, o hedonismo
    O prazer máximo com esforço mínimo
    – Nãããão! Não destruam Babilônia
    Ela tem jeito, com jeitinho tudo se ajeita
    Ela tem tanta coisa boa, por que você a rejeita?
    – Dispense-se os serviços da Pedra que a tudo esmaga
    Que a tudo reduz a pó
    Por que essa violência toda?
    “Somos da paz”
    Wagner Coelho

    Salmo 137
    1 Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.
    2 Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas,
    3 pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião.
    4 Como, porém, haveríamos de entoar o canto do SENHOR em terra estranha?
    5 Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita.
    6 Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria.
    7 Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos.
    8 Filha da Babilônia, que hás de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste.
    9 Feliz aquele que pegar teus filhos e esmagá-los contra a pedra.

    Valeu meu caro, uma re-leitura muito interessante.

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