Jingle bell, jingle bell, não faz mal…


Antigamente, costumávamos nos desejar feliz natal um dia antes ou mesmo na véspera. Estranho muito esses tempos em que os cumprimentos começam muito mais cedo. Todo mundo está se despedindo, saindo de férias. Férias do blog é inaceitável. Onde já se viu! Mas todo ano é isso, começo a me acostumar. Pessoal é burocrático, fazem blog com aquele espírito do mais alto grau de funcionalismo público, com horário, direito a férias e vagabundagem.

Somos todos filhos de uma sociedade concebida sobre o alicerce do emprego. Para mim, eterno militante da sociedade dos sobreviventes honestos sem ser empregados, muito menos patrões, a não ser de nós mesmos, nacionais ou internacionais, a crise cuja maior conseqüência é o desemprego, não faz sentido algum. Não sei se conseguiria viver sob essa cultura exótica de horários, salários, férias, carteiras, patrões e aquele sufoco insuportável, sempre ávido por uma boa sexta-feira ou as férias.

Ah, as férias. Todo mundo para a praia. Passar falta de água, tudo mais caro, coco boiando no mar e a rapaziada feito bife a milanesa na beira d’água, empanado com areia, sol em excesso e caipirinhas de pinga barata. Fila para comprar pão, peixe e sorvete. Sem falar na fila para tirar a ficha e entrar na fila de pegar o trem. Nos tempos de vacas gordas, tirava férias antes. Ia para a praia em fins de novembro, começo de dezembro. Calor suportável, fila para nada, cidade vazia, a tal ponto que o cara da caipiroska vinha me servir de meia em meia hora, no meu guarda-sol, de onde eu via o mar, enquanto lia o livro da hora, sem precisar me distrair com as belas transeuntes.

Nos tempos atuais, ficamos por aqui lambendo sabão. Se pelo menos puder blogar para ninguém ler, vá lá. Veja parte do E-mail recebido do jornal O Globo, onde a Telefonica se desculpa da nova pisada comigo:

“Referência: 152507

A Telefônica informa que a situação do Sr. Luiz Henrique Mello foi regularizada, mediante envio da segunda vi a da conta com os ajustes necessários. A empresa, que entrou em contato o com o cliente para os esclarecimentos necessários, lamenta e pede desculpas pelos transtornos causados.”

Agora só falta a nossa parte: pagar a dita cuja. Essa é a época em que a taça de contas a pagar transborda. Enquanto os empregados estão gastando seus merecidos décimos terceiros salários, nós da outra banda, ficamos com as migalhas, quando eles as deixam cair.

Nessa minha sina meio masoquista, acabei inaugurando a Gruta justamente nessa época. Não bastava eu fazer aniversário por esses dias. Tinha que arrumar mais um motivo para me sacanear. Pessoal some e leva os cumprimentos e os presentes com eles. Enfim, a Gruta completará três anos de atividades quase ininterruptas no mesmo dia em que você comemora (equivocadamente) o nascimento de Jesus o Galileu. Somos todos do mesmo signo: Jesus, a Gruta e eu, para horror dos horoscofóbicos. Segundo o WordPress foram 844 posts (mas tem um monte ainda não transportado da velha Gruta em Blogger. Deve dar uns mil e cem, no total), 4491 comentários, 117 categorias e 112 tags. Segundo o Motigo Webstats foram 124.243 visitas com um pico de 426 em um só dia e segundo o Sitemeter 148.975 visitas (incluindo acessos diretos ou via sites de contato). A diferença se explica pelo fato do Sitemeter me agüentar a mais tempo.

Já que vocês estão (a maioria) de saída, melhor desejar-lhes já, embora precipitadamente, Feliz Natal e o tal Próspero Ano Novo. Aos que, como eu, amargarão a ressaca do vinho barato, presente do vizinho com a sobra dos brindes aos clientes dele, estaremos de plantão aqui, como fazemos todo ano, isso se conseguirmos pagar a maldita Telefonica. Tomara que chova sem parar nesse verão e não de praia um dia sequer. Que saco! Brincadeira, curtam muito e torrem debaixo daquele sol escaldante, nas areias daquela praia poluída e cheia de gente suada, onde você não se lembrará de mim.