Jesus, esse conhecido perdedor

A vida de Jesus, antes de ser elevado a Cristo, dever ter sido chatíssima. Sem dor, sem possessões demoníacas, empregos, negócios, contas bancárias, cartões de crédito, cheques especiais ou fuleiros, iphone, facebook, twitter, amores e todas as nossas glórias, festas com comanda individual, bocas-livres, cultos, cultos teatrais, cultos de louvor, missas, serviços, etc., etc.,

Se Nosso Senhor viesse me visitar morreria de inveja. Olha só quantas coisas temos! E nós não temos tudo, longe disso. Tá cheio de gente por aí, com muito, mas muito mais mesmo se comparados conosco. Quando alguém, na casa dele, antes dele fugir de casa com um circo, tinha alguma dor, ele só olhava pro gajo com a sobrancelha esquerda levemente elevada e a dor logo se retirava com o rabo no meio das pernas. Infecções, viroses ou bacterimias, eram eliminadas com um simples toque, isso se fossem capaz de atrever-se a incomodar qualquer pessoa daquela família sacro-santa.

Na casa de Jesus, enquanto ele esteve lá, nunca nasceu ninguém com algum tipo de má formação, ou síndrome disso ou daquilo. Também, se isso acontecesse, ele consertava só com uma passada de saliva no local mal formado ou em confusão celular. Depois voltava pra rede continuava a sua conversa direta com o céu, via céulular.

Entretanto, mesmo sendo ele o enviado de Deus para dar cabo da morte, o pessoal na casa dele nunca lidou bem com a morte. O pai morreu cedo, dizem ter acontecido quando Jesus perdeu-se em Jerusalém e o velho teria tido um enfarto fulminante com o azar bem grande do filho curandeiro não estar por perto. O pior foi ele ter curado tantos e não ter sido capaz de curar a si mesmo, diziam os caras ao pé de sua cruz, enquanto o salvador jazia morto. O autor do bom livro “Jesus viveu na Índia” nem acredita nisso. Mas seja em Jerusalém ou Bombaim, um dia ele se foi e a morte venceu a vida. Bom, pelo menos, a morte anda por aí ceifando filhos queridos e neca de Jesus, não importa a igreja ou lugar. Embora se estivesse entre nós, dificilmente seria rato de igreja. Provavelmente seria um desigrejado como nós, grutenses.

Enfim, ele vivia se vangloriando de expulsar os demônios, curar enfermos e até, ressuscitar alguns mortos, enquanto os paspalhos de seus discípulos não eram capazes de expulsar nem um reles demônio de terceira categoria, daqueles aos quais basta um pouco de oração e algum jejum e pimba, o chifrudo já era. Além disso, parece ter feito de tudo para seu séquito entender ser essa a missão. Mas o pessoal insiste em levar os próprios filhos endemoniados ao psicoterapeuta e os enfermos aos médicos havidos por acumularem mais e mais fortunas, sem pudor algum, mesmo quando isso custa a vida de um insignificante ente querido de um insignificante missionário qualquer.

Se Jesus voltar mesmo, coisa difícil de acreditar depois de passados tantos anos da promessa dele, precisará andar incógnito. Certamente, se pastores, psicólogos, médicos e políticos o descobrirem, lhe matarão muito mais rápido dessa vez, se já não o fizeram. Assim como lhe odiaram os donos dos porcos aos quais enviou a legião de demônios recém extraídos de um possesso, tratando de expulsá-lo dali rapidinho, ele será odiado por essa gente anti-cristo e ateísta com suas práticas satânicas e agnósticas.

Como ele mesmo disse: “No mundo tereis aflição…” o resto da frase é motivo de ampla discussão teológica”.