A Gruta do Lou

Jesus Cristo improvável

Russell P. Shedd

Dizem por aí que Jesus Cristo morreu, em morte horrenda via crucificação, coisa tão perversa que nem os Estados Unidos ou o Iraque, dois dos mais violentos países do século XXI, cogitam usar para fins disciplinatórios em nossos dias.

Esses povos mais bárbaros atuais preferem métodos mais amenos como a tal injeção letal ou o velho e eficaz método de enforcamento.

De qualquer modo, Jesus estaria mais para um cidadão comum que tomou a religião, especialmente a pregação dos rabinos, mais a sério, tentando viver os preceitos aprendidos.

Em termos modernos, sua predica foi acentuadamente herética, quanto mais nos tempos em que viveu, se é que viveu. Para os mais céticos, Jesus e toda a sua biografia não passa de um mito.

Mas o Dr. Shedd e eu não, somos do grupo dos teimosos e servis, assim pretendemos seguir com nossas crenças mais evangelicais até que a morte nos separe.

A única diferença é que ele vivera a fé dele confortavelmente como sempre, afinal ele é um missionário norte americano, enquanto eu seguirei comendo pão produzido nas padarias infernais, salvo uma ou outra brisa de verão.

Embora a opção de servir a mamon esteja sempre à minha disposição, contra o que reluto tenazmente, permanecendo dividido entre aderir ou rejeitar cheio de duvidas e síndromes insuportáveis.

Em minha modestíssima opinião, toda a teologia envolvendo o tal sacrifício, morte e ressurreição de Cristo surgiu bem depois de sua passagem pelo planeta, se é que veio mesmo. No mínimo, após o início do cristianismo como igreja, coisa ocorrida lá pelo século quarto.

Mas o auge da teologia vicária viria acontecer bem depois, em meados do século XVI. Não foi por acaso que gente como Lutero e Calvino despontaram naqueles dias, cada qual com suas heresias.

O barato é que essas crenças, hoje em dia, estão no bojo da ortodoxia. Legal né?

Tirando o lado paradoxal dessa bobagem a respeito da morte expiatória de Jesus, afinal a teologia do próprio cordeiro sacrificado teria sido muito diferente, a saber, salvação pela graça e absolutamente contrária ao paganismo vigente em seus dias.

O Filho predileto de Deus chegou ao absurdo de dar a entender aos seus interlocutores que seu Pai não compactuaria com a equação pecado + culpa= morte, e propôs outra, a saber: sacrifício + amor ágape= perdão incondicional.

Nesse caso, nem o arrependimento e a fé seriam condições prévias, mas atitudes inevitáveis diante da verdade, segundo os apologistas mais criveis desse tempo.

Felizmente essas insanidades cristocêntricas passaram, prevalecendo os ensinos pragmáticos de Lutero e Calvino. Enquanto isso, nós aqui abaixo do Equador, nada chegados a essas aventuras repletas de trabalho teológico árduo, onde um teólogo precisaria estudar a vida toda para conseguir provar uma única tese.

Preferimos nos acomodar ao que já existia e nos foi trazido gratuita e desinteressadamente pelos nossos colonizadores, particularmente pelos holandeses, alemães e norte-americanos.

Não fossem os portugueses e seu cristianismo católico romano esculachado, muito mais cômodo e adaptável ao nosso jeito sambista e futebolístico de ser, fatalmente nadaríamos de braçada nas ondas predestinativas, tão a gosto desses apologistas ortodoxos.

O máximo de nossas incursões teológicas é fazer um cursinho quase predestinarias em Ciências da Religião na Metodista, ou na PUC. Há tanta vergonha por lá que os caras nem ousam chamar aquilo de teologia, se não me engano.

A história tem importância relativa, o que funciona no fim são as nossas crenças, inclusive as falsas. Tanto faz se Jesus existiu mesmo ou não. Ele mesmo teria cansado de repetir: “Bem aventurados os que não viram e creram”.

Prefiro fazer parte dessa turma e seguir pregando o evangelho da graça pelos dias que me restam, bem distante desses fanáticos ortodoxos.

Se bem que sou tão idiota, pois ainda incluo essa gente em minhas orações, vez por outra, pedindo a misericórdia divina pela vida deles, também. Mesmo sabendo que a reciproca seja improvável.

cropped-Capricornio-PB.jpg

7 thoughts on “Jesus Cristo improvável

  1. Jesus me perdoe, mas como você não está acusando o recebimento das minhas mensagens de email, deixo aqui este sinal de fumaça. Respondi sua segunda mensagem no próprio dia 22:

    2011/8/22

    Luiz Henrique!

    Recebi sim, mas não sei quando ou se terei o apetite de me lançar à tarefa. Tudo é vaidade?

    2011/8/22 Lou Mello
    Paulo

    Tudo bem?

    Enviei um E-mail para você hoje, usando o serviço de E-mails do seu blog. […]

  2. Caro Brabo

    Sinais de fumaça funcionam muito bem como mantenedores da esperança, afinal, onde há fumaça há fogo.
    Todas os estímulos foram respondidos e todos os meios funcionando legais.
    Valeu, pelo menos nos certificamos da solidez de nossa amizade e ainda nos falamos um pouco.
    Só um detalhe, careca enorme tem o Drauzio Varela e certos pastores por aí. A minha só está proeminente, ainda.
    Abraço véi
    Lou digo Luiz Henrique

  3. “Tanto faz…” afirma vc. E com razão! Primeiro porque é absolutamente impossível provar de um jeito ou de outro. Segundo, porque a fé não é a confiança depositada naquilo que se provou correto, real ou qq coisa desse tipo. Terceiro, porque nem que um anjo viesse do céu e desse a mensagem de Jesus, as pessoas iriam aderir incondicionalmente. Gente simplesmente não faz esse tipo de coisa; fazem loucuras piores, mas não essa.

  4. Lou,

    Falar em Graça hoje é uma heresia mesmo, pois o “negócio” hoje é falar em pagar o preço, seja ele em sacrifícios ou grana mesmo.

    Abração.

  5. Lou,

    Falar em Graça hoje em dia, é uma tremenda heresia mesmo, pois o “negócio” é falar em pagar o preço, seja em forma de sacrifício pessoal ou em grana mesmo.

    Abração.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *