A Gruta do Lou

Jejum

No conhecido Sermão da Montanha, Jesus cita três práticas religiosas. Se não me engano, a prática delas seria o suficiente em termos de uma religião. São elas: a contribuição, a oração e o jejum e serviriam para afinar o relacionamento com o divino. Claro que, a grande maioria, ao ler esses textos, fica com a impressão de um Rabi ensinando suas velhas crenças a um punhado de gentis e abnegados devotos. No entanto quero insistir na existência de uma grande revelação ai. Quem estava falando não era um Lou da vida qualquer, era o Mestre dos mestres. Para o grande radical e extremista xiita aqui, o Galileu estava ensinando à multidão de ouvintes e aos leitores dos vinte séculos posteriores sobre as três armas capazes de realizar milagres e com o potencial de mudar o curso desse mundo. Então, jejuar é bíblico e trans-secular. Afinal, se os sacerdotes não meteram o dedo deles ai, teria sido o Filho do Homem quem o teria homologado.

O Mahatma Gandhi entendeu o jejum como uma arma pacífica capaz de mudar a opinião de multidões em favor delas próprias. Com um propósito coletivo em mente, a senha certa, jejuar podia parar uma revolução e suas conseqüências mortais, mesmo sendo na Índia e com uns quinhentos milhões de pessoas envolvidas. Ele conseguiu demonstrar, em pleno século XX, a exatidão de sua crença.

Pouco tempo atrás, um cara chamado Garotinho (e não é gozação), um político com alguma expressão no Brasil, notadamente por sua ligação com cristãos neo-pentecostais via ADHONEP, resolveu jejuar, mas com uma diferença em relação a Gandhi e o autor do método: seu alvo era mudar a opinião das pessoas em benefício próprio, a senha errada, no caso, ser candidato à presidência da nação. Não logrou êxito.

Eu já fiz algumas incursões nesse terreno. Dono de algumas teorias sobre questões relacionadas à alimentação e suas conseqüências, descobri certa capacidade em parar de alimentar-me por vários dias. Claro que quando alguém usa a expressão jejuar, não precisa estar falando sobre parar a alimentação, necessariamente. Poderia ser não postar no blog durante alguns dias. No meu caso, meus jejuns não pretendiam parar nenhuma revolução em andamento em meu país (não nasceu o louco suficiente para isso), ou convencer algum segmento a me escolher como candidato à presidência (nem para isso). Na maioria das vezes, estava interessado em conseguir uma olhadela do Superior Celestial em minha direção e meus probleminhas. Tanto é que nunca cheguei a fazer propaganda via qualquer tipo de mídia. Só a Dedé ou meus filhos o sabiam.

Quando um sujeito jejua, ele está querendo algo. Bíblico, ético, religioso, egoísta, coletivo ou individualista, não importa, o desejo de convencer, mudar, manipular ou obter socorro está presente, seja para ele, um amigo ou para todos.

Sendo um pouco mais sacerdotal, jejuar é uma atitude mais peculiar às almas nobres. Quando alguém que prezo anuncia um jejum, consegue a minha mais profunda admiração. Perde se revela um objetivo egoísta, mas ganha se o objetivo for o próximo, o coletivo ou o superior. Jesus de Nazaré fez o jejum da vida em benefício de toda a humanidade, durante os quarenta dias no deserto. Que o diga o meu amigo Khalil. Desconfio que ele tenha conseguido cativar o favor do Pai em nosso benefício, para sempre. Não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal. Um pedido mais voltado ao pecado e suas conseqüências, do que aos acidentes pontuais do nosso viver. Ele usou a senha certa.

O Bush e seus asseclas estão preocupados com os países envolvidos em desenvolver armas de extermínio em massa. Claro que a preocupação é com um possível uso delas contra a América do Norte. Mas seria interessante se ele prestasse mais atenção na preocupação que teve a rainha da Inglaterra com John Knox: “Não há nada que eu tema mais nesse mundo que o senhor John Knox e sua suas orações”. Ela conhecia o poder da arma daquele pequeno homem e seu grande chapéu.

Pouco tempo atrás, dois dos meus amigos da blogosfera me enviaram uma contribuição. Eles não têm noção da quantidade de milagres que realizaram na vida de nossa casa com esse ato.

Contribuir, orar e jejuar podem mudar o mundo. Se bobear, podem neutralizar as tais armas que o senhor Bush, tanto teme. Se alguma alma nobre declarar que está se envolvendo com uma delas, melhor colocar as barbas de molho. Algo grande está para acontecer.

Se quiser mudar algo e for um objetivo nobre (a senha) jejue, ore ou contribua.

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