A Gruta do Lou

Irmãos do Grande Irmão


No último post, Carta Online à Senhora Presidenta resolvi embarcar na utopia do Philip Yancey com um único propósito: despertar nosso senso de ridículo.

Para todos os efeitos me acho um cristão e sempre que sou questionando sobre religião, fé, igreja, etc., é assim que me classifico. Entretanto, se no tal julgamento final, seja lá o que isso signifique, me acusarem de falsidade ideológica, hipocrisia e/ou formação de quadrilha (com os outros cristãos confessos mas falsos como eu), serei obrigado a confessar: culpado.

De repente, ao ler o texto do Yancey, bastante ridículo a meu ver, tive a sensação de estar olhando no espelho e a imagem produzida ali era de um homem maduro e ridículo. Meu, não dava para ver nada de Jesus Cristo naquela foto ( a saber, o líder máximo da seita cristã em todos os tempos, tido como o próprio filho de Deus encarnado).

Por várias vezes mencionei uma experiência vivida na Albânia, nos tempos em que o Marxismo Leninismo imperava por lá, sob a batuta do ex-burguês o Big Brother Enver Hoxa, já falecido. Lá havia alto-falantes em todos os lugares, ruas, praias, interiores, morros, debaixo d’água, etc., gritando sem parar as cretinices produzidas pela mente doentia do Enver e seus asseclas, a fim de obrigar os ouvintes (povo) a acreditar em tudo aquilo. Ainda bem que não havia nenhum Roberto Marinho por lá. Se aquele cara tivesse uma redezinha de TV, naquela época, com um receptor devidamente instalado em cada lar, a Albânia estaria a serviço daquele totalitarismo nojento até hoje.

Em 1969, quando o nosso Big Brother de plantão, a ditadura, fechou brutalmente o Vocacional (Escola onde estudei por seis longos anos), caiu em minhas mãos um exemplar de “1984” de George Orwell. Sem dúvida, esse foi o primeiro livro sério que li na vida e, mal sabia eu, tornar-se-ia norteador de minha compreensão, em certo sentido, ao longo da minha caminhada. Orwell foi um dos mais impressionantes profetas contemporâneos sobre a face da terra. Nem Nostradamus em suas melhores previsões chegou tão perto dele. Aliás, nem eu. Para todos os lados que olho vejo a profecia dele se cumprindo, nas TVs em todos os cantos da casa, da minha e de quase todo mundo, nos microcomputadores pessoais, uma das invenções geniais de Steve Jobs, e todo o resto das porcarias diabólicas que ele criou ou ajudou a criar.

Através dessas caixas, caixinhas e micro caixas falantes, os Big Brothers atuais nos massacram com suas falácias, com o propósito de entupir nossas consciências e nos fazer acreditar que as mentiras por eles anunciadas, sem tréguas, são verdades absolutas. Lula chegou a dizer explicitamente que uma mentira dita muitas vezes acaba virando verdade, e fez isso zillões de vezes.

As mensagens mais veiculadas pelo sistema Orwell em nossos dias estão relacionadas aos interesses econômicos dos governantes. Segundo um dos meus principais conselheiros financeiros, o Robert Kiosaky, nós somos obrigados a trabalhar cinco meses a cada ano, só para pagar os impostos. Provavelmente, no Brasil ainda seja mais, pois somos detentores da maior carga de impostos do planeta.

A Rede Globo já havia perdido a vergonha, se é que teve alguma algum dia, quando decidiu mandar ao ar um Reality Show com o título de Big Brother. Mais recentemente, nosso governo atual resolveu pregar abertamente o aumento do PIB acompanhado de ampla campanha pelo aumento do consumo e do endividamento do povo. Como se dizia no tempo da escravidão dos negros e suas infames senzalas, “com fome se trabalha mais”. Coitado do Orwell deve estar todo revirado em sua tumba.

Há um artigo, brilhantemente postado pelo Alyson Amorin em seu excelente blog, com o título Fé e Economia do Ched Myers autor do livro O Evangelho de São Marcos, originalmente publicado pela Revista Além-Mar que começa assim: “Não é o sexo. Nem sequer a política. O verdadeiro tabu da teologia é a economia. «Gastamos o nosso dinheiro como se não conhecêssemos o Evangelho; e lemos o Evangelho como se não tivéssemos dinheiro», afirma o jesuíta John Haughey, sublinhando um sentimento difuso entre os teólogos e na Igreja dos Estados Unidos”. Acho que você deveria perder um tempinho e ler o artigo todo. Se tiver mais tempo, aproveite e leia o blog do Alysson todo.

Onde estou querendo chegar? Elementar meu caro leitor amigo ou não, se vivêssemos a utopia do evangelho, o que faria com que o evangelho fosse promovido de utopia a realidade, precisaríamos romper com o Big Brother, de todas as formas. Não haveria acordo, principalmente na área econômica, pois para Cristo tudo pelo que o BB luta só diz respeito a ele mesmo. Ao contrário, a verdadeira proposta cristã, contida nos evangelhos, não busca seus próprios interesses, e faz isso sem incentivar qualquer tipo de auto depreciação ou flagelação. O Yancey, por exemplo, está certíssimo quando diz ao presidente que não precisamos aumentar PIB nenhum. Isso é uma necessidade prioritária do Big Brother, para enriquecimento próprio, como todas as outras mentiras que ele vive gritando por todos os lados, através de qualquer uma de suas telinhas. Os empresários, outro bando de velhacos, do qual faço parte, inclusive, vivem se gabando de só fazer o contrário do que o governo pede ou tenta impor.

Certamente, a coisa não para por aí e temo que seja muitíssimo mais abrangente. Nossos conceitos sobre quase tudo estão deturpadíssimos. Se o véu que cobre nossos rostos nos impedindo de enxergar a realidade, ou como diríamos aqui na Gruta, nosso estado engrutado de viver que só nos deixa ver sombras nas paredes da Gruta, apenas, fosse alterado, não sei se resistiríamos ou seriamos capazes de assimilar o golpe embutido nesse ato, tamanha seria sua violência. Vivemos como Judas viveu, querendo resolver o problema já resolvido dos pobres, ou dos enfermos, prisioneiros, órfãos, viúvas, idosos, etc. Isso tudo não passa de futilidades frívolas, como diria o apóstolo.

Claro que não vemos nada disso e isso ajuda a pregação mentirosa do Grande Irmão. Para tanto, precisaríamos de fé e não há artigo mais escasso do que esse, em nossos dias.


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