Infeliz ano velho e seu último dia
Infeliz ano velho


Desde 2005, ano de início desse blog, nunca escrevi tão pouco como em 2013. As razões foram várias e a principal todos devem imaginar qual seja. Mensagens de final de ano deveriam ser positivas, agradecendo o ano findo e fazendo votos para um novo ano cheio de novas perspectivas e realizações, fora felicidade, alegria e toda sorte de bons desejos a todos os amigos e parentes.

No meu caso, se o fizesse hoje, nesse último dia do pior ano de nossas vidas, soaria como hipocrisia, acho. Peço perdão a todos, mas não há clima para mim. Minhas perspectivas para o novo ano estão sombrias, nesse momento e assim fica difícil qualquer ato mais otimista e/ou positivo.

Meu filho Thomas nos deixou para sempre em abril e, de lá para cá, nós mudamos de volta para São Paulo, deixando enorme saldo negativo em Sorocaba e foi só, praticamente. De bom mesmo, foi poder reunir nosso filho Pedro conosco, novamente, e o pior foi minha mãe vir morar em nossa casa, já não era flor que se cheire, agora com Alzheimer e demente, tornou-se insuportável. Tínhamos em mente encontrar aqui novas perspectivas. Além disso, gostaria de acertar os passos da família até em memória do Thomas, embora isso seja doloroso demais.

Até agora não aconteceu nada de novo no plano profissional. Minha igreja (onde me converti, casei e apresentei a Deus meus filhos) me ofereceu trabalho não remunerado e me enviou uma cesta básica, sem saber o quanto aprecio esse tipo de presente. De bom aconteceu o reencontro com os amigos de juventude, com alguns emocionantes bons momentos na companhia deles.

Olha, se tenho um sonho para 2014, aliás bem egoísta, é não ter um ano pior. Não suportaria mesmo. Se puder encontrar aquela organização sem fins lucrativos com princípios cristãos e precisando de um bom coordenador de desenvolvimento (comunicação e captação de recursos), disposta a remunerar essa pessoa de forma digna e pródiga e esse lugar tenha a minha cara então talvez esse venha a ser o melhor ano de minha vida, desde 1990. Sem falar na evidente replicação de felicidade e alegria a toda a minha família.

Só espero que, nesse caso, minha saúde não me deixe na mão, pelo menos nos próximos cinco, quem sabe dez anos. Razão aparente não há, embora ainda não tenha me submetido àquele exame lá. Bom, há uma pinta a ser removida do meu rosto, mas não tenho coragem de ir a um hospital e dizer à uma atendente imbecil que preciso disso e via SUS. Não aguentaria olhar a cara de perplexidade dela. Talvez seja bom renovar meus óculos. Além de uns graus a mais, seria conveniente uma armação com ares mais joviais.

Li um texto sobre a atual situação do compositor e cantor Belchior. Imagino entender o cara e até o invejo. Também me sinto sufocado pela hipocrisia e futilidade reinante, esse maldito desgosto com esse país e todas as principais instituições indo de mal a pior, sem falar no resto do planeta. Essa falta de liberdade de ser eu mesmo a me esmagar, fora um Deus omisso criado por minha santa ignorância. Bom cada um concebe o próprio Deus e o meu saiu assim. O problema é não ser um simples rapaz latino americano, não ter uma companheira tam-tam para me incentivar a chutar o pau da barraca e ser um tanto covarde.

Sendo assim, sigo minha sina inexorável rumo ao próximo ano, sem a menor ideia de como poderá ser e, confesso, sem grandes expectativas. Espero, pelo menos, poder me alegrar com meus amigos e/ou leitores vivendo o melhor ano de suas vidas.

Feliz ano novo! Happy new year!

Beijo nas carecas e perucas

121413_0141_Amoref2.jpg