A Gruta do Lou

Inclusão Digital, milagre pós moderno

Meu primeiro acesso à Internet aconteceu em 1994. Estava em Portugal trabalhando para a Igreja Maná e o Rato e eu resolvemos acessar. O Rato era o homem dos computadores lá e eu cá, então o Apóstolo Jorge Tadeus resolveu nos juntar para colocarmos os computadores dele em rede. Foi o que fizemos em Alvalade, Praça de Espanha e Loures. Antes que alguém faça a piada sem graça, o Rato não era um rato, muito ao contrário, era um cara muito legal e acredito que continue sendo, embora tenhamos perdido contato.

Quando voltei de Portugal, em julho daquele ano, contratei a Mandic (um dos primeiros provedores que apareceu por aqui) e como já possuiamos um modem no computador de casa, passei a acessar a rede regularmente. O Pedro tinha onze anos e foi o primeiro a se interessar, notívago, logo começou a virar as noites internetando, até que uma conta telefônica astronômica o denunciou. Atualmente ele continua virando as noites na Internet, só que agora tem a companhia do Thomas e usamos banda larga.

Mas em países indianos, uma teoria minha, ao lado da globalização mercadológica que tomou conta do mundo de hoje, vejo a globalização da miséria presente na maioria dos países semelhantes à Índia. Não havia me dado conta disso, até que, em 2003, fui fazer um seminário de desenvolvimento (comunicações e captação de recursos) na APAE de São João Del Rey, Minas Gerais e resolvi fazer a viagem de ônibus. Tenho fama de durão, dificilmente você me verá chorando, mesmo porque, aprendi em 1963, – com a Jackeline Kennedy, que não é nobre chorar em público, quando ela proibiu os dois filhos de chorar durante a cerimônia funeral do marido dela, pois o povo não deveria presenciar os filhos do presidente assassinado chorando a morte do pai, – mas, durante aquela viagem, as lágrimas brotavam nos meus olhos e tive dificuldade em escondê-las, tal a tristeza que senti com o que vi. Centenas de quilômetros de miséria, crianças sujas, descalças e subnutridas pelas ruas, gente morando nas beiradas dos morros em casas mal construídas aos milhares, esgoto correndo a céu aberto, por todos os lados, lixo acumulado e nem sinal do mundo que eu vivia tão intensamente, na Rede Mundial de Computadores, exatamente como acontece em grande parte da Índia, no nosso país e na maior parte do planeta, hoje.

Navegando pela Internet, a sensação que se tem é de que todo mundo está ali, tal é quantidade e intensidade de pessoas conectadas, mas a Internet também nasceu e passou a existir como tudo que o homem inventou na face da terra, segregando a maior parte das pessoas, sobretudo as crianças. Existem muitas lutas de inclusão por aí, das crianças, adolescentes e adultos com problemas de saúde que perdem acesso à escola e tudo mais por não serem aceitas, de uma forma ou de outra, dos idosos que perdem o acesso ao trabalho e à vida, descartados pelos mais jovens, e dos milhões sem acesso a Deus, cada vez mais fora do contexto cibernético de nossos dias, e tantas outras segregações que você conhece muito bem.

De outro modo, por todos os lados surgem esforços navegando contra a maré, no sentido de incluir as massas miseráveis na grade rede. Contra essa tendência estão os donos do mercado global, pois sentem que a Internet possui força suficiente para esmagá-los e lutam desesperadamente pare conter o avanço inexorável dela. Na África, Ásia e América do Sul, onde concentra-se a grande maioria das pessoas e também da pobreza, é possível presenciar verdadeiros milagres de inclusão acontecendo. Aqui m Sorocaba, por exemplo, um bom trabalho nesse sentido vem sendo realizado e, se tiver saco, tempo e dinheiro, farei uma reportagem, mesmo que sejam só umas fotos, para você conhecer um pouco.

De repente, você descobre que há pães sendo multiplicados em algum lugar e, pelo menos para mim, ainda que por um instante, encontro um motivo sublime para deixar o canto de minha boca alongar-se em um sorriso maroto, fora o sentimento de que nem tudo esta perdido.

Não deixe de ver o vídeo, para entender meu ponto.

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