A Gruta do Lou

Homofobia, homossexualidade, homo sapiens e a Igreja


Nos últimos tempos, temos nos defrontado com inúmeras discussões e acontecimentos envolvendo o tema da sexualidade. O epicentro desses eventos situa-se, na maioria das vezes, em manifestações contra ou a favor da homossexualidade.

Em uma olhada rápida no significado, definições e histórico de homofobia e homossexualidade, descobrimos que o segmentos da sociedade que mais contribuíram para o desenvolvimento e globalização desses dois fenômenos foram a Psicologia e a Psiquiatria. A partir daí, os outros setores, tais como a Igreja, Mídia e Governo, saíram atrás tentando posicionar-se e entender o que estava acontecendo.

Como sempre, nós brasileiros fomos a reboque dos norte americanos nessa parada, não por acaso, os gringos adoram experimentar suas novidades em terras brasilis, como se sabe. Quando não é aqui, a África é a opção. Até aí, nada de novo, apesar de trágico.

Em minhas parcas observações, tenho notado o despreparo colossal do pessoal da Igreja Protestante nesses temas. Desde as Igrejas chamadas neo-pentecostais até as ultra ortodoxas históricas, o que se vê é um vasto festival do besteirol, do achismo crente ou os inimigos infiltrados agitando o pedaço. A meu ver, a Igreja Protestante precisa definir sua posição teológica em relação à homossexualidade e à homofobia, quiçá, em relação ao homem, ou ao homo sapiens.

Sabe, Jesus disse que nós, os cristãos, como igreja, deveríamos ser o sal da terra, em outras palavras, preservar a vida no planeta. Sendo assim, creio firmemente que o tom deva ser dado pela Igreja aos seguidores do filho mais velho de Deus. Cabe à Igreja definir-se teologicamente a respeito dessas trepidantes questões e os porta-vozes dela passarem a propagar a posição oficial em uma única linguagem. Nesse caso, a Igreja precisará evitar, ao máximo, utilizar-se das teorias psicológicas, já conhecidas e defendidas por seus postulantes.

Historicamente, a Igreja em seu papel de sal da terra, tem servido como fator de equilíbrio da sociedade. Se de outros lados você tem as instituições que defendem posturas mais liberais em relação a quase tudo, desse lado há a Igreja mantendo-se ultra conservadora nas questões de macro ética, como é o caso, se não me engano. Dessa forma, teremos uma sociedade mais equilibrada, evitando as radicalizações e extremismos liberais ou fundamentalistas, chegando à promiscuidade generalizada, como os que devastaram sociedades inteiras no passado, como conta a história universal.

Nesse sentido, creio que a Igreja Protestante deveria alinhar-se à Igreja Católica que permanece contra a Pena de Morte, a Eutanásia, o aborto e os anticoncepcionais, independente da posição individual dos líderes e seguidores. Então, ir mais adiante, definindo nossa posição teológica sobre a Homossexualidade e a Homofobia, seria um grande avanço e ganho a nosso favor, já que a Igreja Católica é omissa teologicamente falando, sobre esses tópicos, resumindo-se a adotar as posturas psicológicas e limitadas a respeito.

Tenho pensado sobre a homossexualidade e percebo o tamanho da complexidade desse tema. Primeiro há a necessidade da compreensão e entendimento do termo, muito longe de ser unanime. Mesmo porque, quando se fala em homossexualidade, mistura-se transsexualidade, bissexualidade, travestis, amizade colorida, amizade casual com alguém do mesmo sexo, etc. A Igreja carece de uma definição sobre esse tema. Para tanto, será necessário conversar, sentado ou não, mas amplamente, sempre tentando manter essas conversações no âmbito da teologia, em bases bíblicas e espirituais. Creio ser necessário não cair nas tentações de nenhuma prostituta.

Poucas pessoas pensaram e definiram homossexualidade tão bem quanto a Psicoterapeuta Alemã Karen Horney. Creio que todos os interessados deveriam conhecer a obra dela, em termos de compreender o fenômeno, do ponto de vista psicológico. Desde que isso não sirva para alicerce ou lastro às decisões da Igreja a respeito. A importância desse conhecimento se faz necessário à toda sociedade, bem confusa nessa altura. Um exemplo é a pergunta: a qual sexo pertencem os gays?  A homossexualidade não defini o sexo de ninguém e é um estado transitório de maior ou menor duração na vida de algumas pessoas.

Salvo anomalias anatômicas raras, as pessoas nascem, claramente, do sexo feminino ou do sexo masculino. Bom, pelo menos, nunca vi um pai gritando na maternidade: “Meu filho nasceu, é um gayzinho“. A Igreja não pode aceitar tolices como: “almas femininas presas em corpos masculinos e vice-versa”, “desejos de seres de outras vidas para mudança do sexo natural” e outras piores, por uma razão muito simples, ou seja, não há base teológica para esses disparates e muito menos algum tipo de substância científica. A homossexualidade não é um estado permanente e pode ser alterado, responsavelmente, a qualquer tempo, a gosto do freguês.

Também notei, e isso inclui toda a minha experiência visitando centenas de igrejas protestantes de várias matizes, no Brasil e fora, que as igrejas não costumam discriminar, odiar ou hostilizar os homossexuais, especialmente quando eles evidenciam comportamentos capazes de comunicar sua preferência sexual. Nesse caso, não há homofobia por parte da Igreja Protestante, pelo menos, não nos moldes veiculados pela mídia, ultimamente e deveríam protestar veemente contra as acusações injustas que lhes fazem. Essa deveria ser a bandeira protestante, desde já, sobre esse tema: “Somos contra a homofobia”.

Bom momento para consultar a definição de HOMOFOBIA e lembrar que a Igreja Protestante não odeia, não tem aversão e não discrimina homossexuais de nenhum tipo, no mínimo, não mais do que qualquer outro segmento da sociedade.

O termo homofobia não foi bem cunhado ou traduzido, em minha opinião. Ao pé da letra significaria fobia por seres humanos, de qualquer tipo. De outro lado, pessoas que possuem comportamento obsessivo em relação a sexo com pessoas do mesmo sexo, como é o caso de um senhor, que anda por aí vociferando que já teria feito sexo com mais de quinhentos homens, me parecem vítimas de um distúrbio obsessivo que requer tratamento e um nome apropriado, se é que já não exista. Para a aversão, ou preconceito contra pessoas ditas homossexuais também seria oportuno que os psicólogos cunhassem designação mais apropriada. Mas agora é tarde, o homofóbico já pegou e não creio que será mudado.

Algumas antas ditas evangélicas, inclusive certos pastores midiáticos, com destaque para o Malafaia, por aqui, tem emitido suas opiniões pessoais como se fossem doutrinas definitivas da igreja protestante. Se fossem colocações sensatas, poderíamos recebê-las com alegria, mas são temerárias, irresponsáveis e cretinas, para dizer o mínimo. O pior é que as antinhas seguidoras saem por aí repetindo as mesmas besteiras, feito papagaios de piratas. Malafaia, em todas as oportunidades que tive de escutá-lo vociferando sobre o tema, com aquela cara de malandro biscateiro da Rua 25 de março, refere-se ao homossexualismo de modo generalizado e extremamente abrangente. Assim sendo, creio que esse senhor e seus imprudentes séquitos cometem homofobia, mas dou-lhes o benefício da dúvida, pois duvido que eles façam alguma idéia mais sensatas das besteiras que andam dizendo sobre esse assunto.

Tenho a impressão que, do ponto de vista teológico, a única conduta pecaminosa respaldada pela Bíblia, em relação ao nosso tema, é o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo. A meu ver, a Igreja Protestante deveria declarar isso solenemente e fechar questão nesse ponto, tanto quanto em relação a matar pessoas (incluso a pena de morte e a eutanásia), roubar, mentir, adulterar, cobiçar a mulher alheia, mais o aborto e o uso de anti concepcionais.

A idéia de homossexualidade me dá a impressão de ser extremamente abrangente. o que torna difícil um debate racional a respeito. De repente, uma sólida amizade entre dois homens ou duas mulheres, que até vivam juntos, devido às suas circunstâncias, ou que tenham ações de carinho uns com os outros, agora venham a ser classificadas como homossexuais. Nesse caso, todos nós poderíamos estar na lista. Eu, pelo menos, já tive amigos homens aos quais dediquei apertados abraços e bons beijos em suas carecas e dividi espaço com eles, em várias oportunidades. Mas, em algum lugar da minha pré-adolescência e diante da possibilidade, decidi de forma responsável, que não faria sexo com pessoas do meu sexo natural.

Creio que se nós cristãos tivéssemos atentado para a necessidade de fechar questão em torno desse assunto, poderíamos ter evitado muitas situações de estresse contra a Igreja Protestante. Tanto a homossexualidade como a homofobia decorrente, na forma de fenômenos psicológicos, foram criados para indispor, separar e dividir, jamais para proteger os indivíduos, homo ou heterossexuais. Uma lei anti homofobia será a consagração desse fenômeno, uma forma de trazê-lo à luz e dar-lhe vida. As cenas que temos visto nas mídias são, em sua maioria, parte da propaganda com o intuito de apoiar a aprovação dessa lei (A PL 122). Nós não precisamos mais leis para nos obrigar a respeitar nossos semelhantes, precisamos começar a respeitá-los e ponto. E a Igreja deveria ter papel fundamental nessa direção.

Vejo preconceito sério nas agressões desferidas contra pessoas que se travestem ou que se portam de alguma forma diferente do aceitável pelos donos das ruas e lugares, geralmente grupos extremistas como os Skinheads, neo nazistas, anti gays, anti nordestinos, etc, dos quais, duvido que cristãos protestantes autênticos façam parte. Nas escolas e em ambientes de trabalho, também acontecem atos discriminatórios e todos nós temos conhecimento disso. Mas a Igreja tem conseguido manter-se à margem desses comportamentos sóciais nocivos, a não ser por declarações infelizes desses imbecis voluntários, ou pela omissão dos pastores hipócritas que se digladiam para serem tidos como líderes da Igreja Protestantes, à semelhança de um Papa (perdoe o paradoxo), a fim de ocupar o tão sonhado cargo de porta voz de nossa religião junto a Rede Globo.

A Igreja deve ser lugar para pecadores arrependidos e isso inclui os que praticaram sexo com pessoas do mesmo sexo. Dificilmente uma pessoa, que ainda jaz no pecado, faça parte ativa de uma igreja protestante. Caso faça, a congregação fará o possível para dissuadi-la a deixar o pecado, seja ele qual for, através de atos de amor e compreensão, salvo raras exceções. Jesus deu a vida para eles também.

Para completar, depois de estudarmos, debatermos e resolvermos nossa posição sobre homossexualidade e homofobia, talvez fosse apreciável perguntarmo-nos o que pensamos sobre o homo sapiens. Quem sabe não esteja na hora de redefinirmos nossas posições teológicas sobre ele, também.

 


11 thoughts on “Homofobia, homossexualidade, homo sapiens e a Igreja

  1. Isso mesmo. Jesus disse que não veio para os sãos, mas para os doentes, se é que podemos classificar os que fazem sexo com pessoas do mesmo sexo como doentes, ou doentes espirituais… Paulo, em suas cartas, condenou o sexo entre dois homens. Eu não sou ninguém para julgar. Qualquer maneira de amor vale a pena?

    1. Laura
      De fato, também acho que a expectativa quanto ao amor pode ser melhor e precisa.
      Imagino que, as igrejas cristãs (protestantes e católica) precisam posicionar-se sobre essas questões. Em torno disso orbitarão as opiniões pessoais. Preocupa-me essa generalização de que os cristãos ou religiosos são homofóbicos. Isso não é verdade.
      Um pai, outro dia, precisou brigar com homossexuais e simpatizantes porque disse que não gostaria de ter um filho gay e foi considerado homofóbico. Parece que a coisa está saindo de controle e pode complicar-se com resultados nada legais para ninguém. As Igrejas podem evitar isso, a meu ver, se forem corajosas.
      O tal estatuto ou lei anti-homofobia não ajudará, se não me engano.

  2. Gostei muito desse texto. E realmente nós Cristãos estamos perdendo a essencia do ” Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Ao agir com tanto preconceito, apenas perdemos a chance de fazer da igreja um lugar onde amamos o pecador e não o pecado, mas sempre amamos o pecador, independente do pecado. Não gosto e nem aceito nenhum tipo de preconceito, por isso declarações como as que surgiram nessa ultima semana me deixam muito decepcionada com as pessoas que as declaram como verdades universais.

    1. Sirlaine
      O amor perfeito de Deus não pode incluir preconceitos. Esse é o nosso chamado, nada mais. Todos pecaram e carecem da glória de Deus, inclusive os homossexuais. Não nos cabe julgá-los, condenando ou absolvendo, pois isso é lá com Jesus Cristo e o Pai dele. De fato, as opiniões insensatas não somam e só tumultuam. Esse pessoal faria melhor calado, se não me engano.

  3. permita-me divergir. Creio ser imperioso discutir primeiro nossa posição quanto a esse tal de Homo Sapiens. Se formos contra, como eu acho que devemos, a posição em relação aos homossexuais se torna irrelevante.

    1. Rubinho

      É o que penso, também. Minha intenção é provocar o povo a pressionar a Igreja a ser só igreja e não qualquer outra coisa, tal como consultório psicológico, lojinha do Isaac ou Centro de Serviço Social, etc.

  4. Esse assunto (homossexualidade) é bem polêmico, mas por que as pessoas o fazem polemico. Gostei muito do seu texto, foi bem claro e direto. Acima de tudo deveriamos deixar o preconceito de lado e nos preocupar em falar a respeito do amor e da Ira de Deus para as pessoas que estão optando por estarem numa situação de homossexualidade. Parabéns, estou seguindo seu blog. Se você puder seguir o meu? Abraços

    1. Heverton

      Obrigado pela visita e comentário. Aproveito para observar que não falo em Ira de Deus em meu texto. O sexo entre pessoas do mesmo sexo é pecado e o pecado é consequencial, por si só e você sabe disso. Em termos de salvação e vida eterna, a conta está paga e o problema do pecado está resolvido para todos os que crêem em Jesus Cristo, mas viver esta vida em pecado é o problema, não importa qual seja. Certo? Seguirei seu blog sim, abraço.

  5. Passamos a considerar o “pecado” como algo que não tem lugar em nosso século; assim, todas as coisas são permitidas. Ultrapassamos a inerrância da Bíblia para nos degladiarmos em debates humanistas.
    Homossexualidade é pecado. Ponto. O que fazemos com esse fato é escolha nossa. Combatemos os homens que pecam ou combatemos o pecado; com pesar observo que a Igreja não tem líderes, não tem voz, não tem coerência, assim, a decisão é nossa, s.m.j. Eu decidi acolher os pecadores e respeitá-los, enquanto humanos; admoestando-os.
    Beijo na careca.

    Daw

    A Igreja é uma instituição e como tal tem e precisa ter princípios claros. Nesse caso, ela não tem outra opção, a não ser declarar que a prática sexual entre pessoas do mesmo sexo é pecado. As pessoas cristãs podem debater os vários aspectos do problema nos vários fóruns que houver, sem problema. Certamente, os indivíduos nessa condição serão bem recebidos na maioria das igrejas e se quiserem fazer parte delas, precisarão optar pelos princípios que as regem. Sua opção foi boa e sábia.

    Beijo na peruca.

    1. Inácio
      Antes de mais nada, obrigado pela visita. Sinto muito por você não ter encontrado aqui as mesmas palavras e idéias que está acostumado a ler e ouvir sobre esse assunto tão em voga, atualmente. Sobre o debate com o Malafaia você pode ficar tranquilo, imagino que nem em cem anos ele acontecerá. Gostaria muito de conhecer esses argumentos a que você se refere e que ele possuiria, não eu apenas, mas creio que toda a comunidade evangélica e científica ficariam imensamente agradecidas se ele os revelasse. Até o momento ele só fez declarações preconceituosas e inconsistentes com o a Bíblia e o amor de Deus sobre o homosexualismo. Pensando bem, de repente, se houvesse um inusitado debate entre ele e eu e esses argumentos a que você se refere viessem a luz seria magnífico mesmo.
      Infelizmente, até aqui, me saí melhor do que ele na argumentação, com esse simples texto acima, se não me engano.

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