A Gruta do Lou

Haiti

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Não estava nada propenso a escrever sobre o Haiti e o recente terremoto. Depois de circular por aí, palpitar em outros blogs, ler o texto do Gondim e o Voltaire postado pelo Allyson, acabei cedendo e aqui estou.

Antes dei uma olhada em nossos empoeirados arquivos e descobri, perplexo, nunca haver escrito nenhuma mísera linha sobre esse país desorganizado e seu sofrido povo.

Independentemente das opções animistas ou sincretistas do povo, acrescidas da tendência bandida para as coisas menos nobres, como o tráfico de drogas e a apropriação desautorizada de bens, seja os de consumo imprescindíveis ou não, creio ser nada apropriado, agora, levar essa gente toda a Nuremberg para algum tipo de julgamento, mesmo porque, boa parte da população teria enorme dificuldade para fazer uma viagem dessas, no momento.

Portanto, o senhor Pat Robertson, como bem reportou o Tuco Egg com seus anjos e demônios, precisará aguardar um pouco para satisfazer seus complexos de culpa e sua teologia paganista.

Na década de oitenta, trabalhei um ano com o Greenhall (o cara, gringo, foi diretor do Seminário Batista do Norte). Ele era meu co-pastor (não ria) na Congregação Batista do Morro Grande, uma cabeça de ponte da Igreja Batista de Perdizes, num lugar muito parecido com a capital haitiana.

Naquela época, a exemplo de novembro passado, Blumenau foi invadida pela águas do inoportuno rio Itajaí. Meu colega não teve dúvidas, passou a mão em sua super Kombi, encheu de badulaques apropriados e rumou para lá, onde trabalhou cerca de dez dias anonimamente.

Bom ele tinha o poder e a liberdade para isso. De minha parte, dei-lhe a benção pastoral, ainda que não tenha solicitado. Gostaria muito de ser um Greenhal, agora, e partir com minha super Kombi (certamente teria uma) carregada até as tampas para Porto Príncipe e trabalhar nesse esforço socorrista e humanitário 011510_1600_Haiti2em andamento por la, anonimamente, claro, como fazia a Dra. Zilda Arns, no momento em que foi brutalmente abatida por uma infeliz viga desgovernada.

Infelizmente, não estou pronto para tal desprendimento. Além das correntes domésticas inevitáveis e opcionais, comprometido, por vontade própria, com os cardiopatas congênitos, a começar do nosso. Estou conseguindo cumprir muito pouco dos propósitos iniciais de nosso projeto, pois ando com dificuldades para tirar a trave do meu olho, quanto mais o argueiro dos olhos dos sofridos cardiopatas congênitos e seus perdidos familiares.

Sendo assim, não poderei fazer minha opção preferencial pelo evangelho calvinista ou pela teologia mais católica das boas obras caridosas. Resta-me, portanto, a tarefa menos visível e mais arminista de dedicar orações diárias e buscar alento no surrado texto bíblico para pulverizar via blog, twitter, redes sociais, E-mails, telefonemas, bate-papos, happy-hours de sextas-feiras ou fim de expediente e aos ouvidos dos meus desavisados vizinhos.

Sei que não é muito, mas é o que tenho a oferecer aos irmãos haitianos, no momento, se bem que, eles prefeririam algo mais a moda Greenhal.

Deus abençoe o Haiti.

lousign

5 thoughts on “Haiti

  1. Haiti: Muito triste, tanto o ocorrido, quanto não fazermos nada (de prático).

    Co-pastor: kkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Abraço Lou.

    Já estou fazendo, incluí em minha lista de milagres uma casa em São Paulo construída a prova de terremotos.

  2. Eu peço perdão aos meus semelhantes no Haiti, pois nunca usei um minuto da minha existência procurando entender aquelas pessoas. Eles precisaram aparecer dessa forma desumana, destruídos, para que eu lhes desse alguma ajuda, fizesse uma oração por eles.

    Na verdade, somos culpados por nossa ignorância em relação às reais causas da miséria desse (e de outros) povos. É uma culpa compulsória, pois ela sempre sucede a ignorância, desde dos tempos de Adão, que sem saber porque, foi expulso do Jardim do Eden junto com sua companheira. Essa foi a forma encontrada pela igreja, em tempos primordiais para nos manipular. Deu certo. Nem Jesus conseguiu nos livrar desse mal, pelo menos até aqui. Estamos aguardando a reação dos psicólogos

  3. Muito nobre a atitude da Dra. Zilda Arns. Era isso que o irmão de Jesus (Tiago) queria que os crentes fizessem. Enquanto isso o sr. Silas Malafaia anda desfilando no seu “aviãozinho” de 12 milhões de dólares, subestimando a inteligencia do povo evangélico. Com um barulho desses é difícil dormir !

    Ele seguiu seus mentores, como o apóstolo Jorge Tadeu, e comprou o dele. Questão de preferência, outros preferem uma boa Harley para passiar aos sábados à tarde, vestindo uma linda lacoste amarela e um rolex no pulso.

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