A Gruta do Lou

Hackers do cristianismo

 

Hackers do Cristianismo
Hackers do Cristianismo

 

Estamos vivendo dias muito peculiares na composição da história do cristianismo. A tarefa de deixar a nossa contribuição, e quando digo nossa aqui, estou falando de nossa geração cristã e pode ser cumprida de forma desorganizada e pouco refletida ou não. A decisão é nossa. O ambiente atual está formado por, pelo menos, uma clara divisão: de um lado, um expressivo contingente de insatisfeitos com os rumos do outro lado, a igreja como um todo, não importando aí qual seja a seita, uma vez que todos sucumbiram às exigências ou ditames de uma ética protestante escrita em parceria com a era industrial em dias pós industriais e/ou era da informação.

Tirando o cuidado a ser observado em relação aos exageros, como o monopólio tirânico da palavra exercido por pastores, não contentes com suas igrejas faraônicas, se apoderaram do controle das principais editoras ditas evangélicas, das agências promotoras de eventos que reúnem pastores e lideranças, de canais e programas de TV e rádio e da maioria das iniciativas cujo objetivo é manipular e garantir a ética protestante da era industrial; ainda não há plenos motivos para uma posição eminentemente pessimista.

Há no horizonte vários prenúncios positivos em meio à aparente confusão formada e em curso. Dentre as boas promessas, creio que devemos dar atenção especial a um grupo importante que vem crescendo em meio aos descontentes, principalmente via internet, ou seja, “gente disposta a escrever uma teologia mais livre ou “uma forma de trabalho coletivo onde as informações estão disponíveis livremente para todos, princípio básico da ética do hacker”, tomando emprestado as palavras de Osvaldo López Ruiz em sua resenha sobre o excelente livro “A ética Hacker e o espírito da era da informação”
.

“Esse livro trata do surgimento de uma nova ética do trabalho, diferente da ética protestante tão bem descrita por Max Weber há quase cem anos, onde a noção de trabalho aparece como dever, como vocação. A nova ética do trabalho é a caracterizada, pelos hackers. Mas, quem são esses hackers? A partir da própria orelha do livro, Himanen avisa: não se trata dos criminosos da computação – sentido recente e desafortunado que está tomando este termo dos hackers no sentido original da palavra, os entusiastas programadores de computação”, completa Ruiz.

O autor é o finlandês Pekka Himanen, doutor em filosofia pela Universidade de Helsinki aos 20 anos. Ainda com menos de 30, trabalha na Universidade de Berkeley com Manuel Castells, de origem catalã e hoje um dos sociólogos mais renomados do mundo, autor da trilogia A era da Informação (1996-2000). Com mais de 20 títulos publicados, Castells é o responsável, neste caso, pelo “Epílogo”. O “Prólogo”, no entanto, está nas mãos de Linus Torvalds, criador do Linux, uma lenda viva dentro do mundo da informática, com pouco mais de 30 anos e também originário da Finlândia.

De saída, creio poder indicar como Hackers cristãos o escritor e conferencista norte americano Brian D. McLaren e o teólogo e escritor brasileiro Nelson Costa, com livro* pronto para ser lançado de forma independente, claro. Depois há todo um universo de cristãos hackers entusiastas envolvidos nas programação de uma teologia mais condizente com a era da informação, pelo menos em termos éticos, via blogs, a maioria na minha lista de blogs amigos. Grupo do qual, humildemente, me incluo. Infelizmente, surgiu o Twitter que, se de um lado agilizou os contatos, de outro conspirou contra os blogs e deu novo fôlego aos apologistas ultrapassados da velha ética protestante. Em certo sentido, Bultmann, no início do século vinte já estaria sugerindo uma revisão mais adequada em nossa ética.

Imagino que nosso futuro deva ser a união através de alguma rede social distribuída onde o compromisso seja mais voltado à garantia de participação igual, a ausência de hierarquias e entidades, a busca pelo equilíbrio ambiental do nosso planeta sem os impulsores negativos da ética ultrapassada, o tal descanso compulsório e a volta do lúdico em nossas atividades teológicas, entre muitas outras coisas de suma importância.

A ética protestante priorizou o trabalho em detrimento das pessoas. Se desejamos uma teologia mais bíblica e, portanto, mais alinhada com Jesus Cristo e o Pai Eterno dele e nosso, ela deverá voltar a priorizar as pessoas, se não me engano. Os Hackers Cristãos estão dispostos a trabalhar duro para reescrever uma nova proposta ética até que ela venha a fundir-se, tornando-se a ética protestante, dessa vez, construída pelo trabalho de nossas mãos e sob a inspiração do Espírito Santo. Isso só será possível sem a interferência dos velhões e inoportunos filtros geradores de escassez. Como ensinou um velho professor dos tempos de seminário, Jesus quer nos fazer aios da liberdade.

Prefiro o termo ou denominação hacker a herege, pois que teologia construída por mãos de cristãos comuns e verdadeiros poderia vir a ser um heresia?

Certamente, ainda escreveremos muito mais sobre isso. Pessoalmente, ainda estou no inicio de algo que ainda preciso estudar e trabalhar muito, mas estarei escrevendo esse programa junto com todos os irmãos, hoje hackers, cansados da velha ética protestante, cheia de hierarquias e organismos ineficientes e ineficazes. Mesmo que seja só o prelúdio da obra que as gerações futuras, hoje presas da ética protestante vigente, irão terminar.

morcego-12


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