Graça com pouca graça

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Charlize Theron

Gastei as últimas horas assistindo a palestra do Ariovaldo Ramos sobre a Graça. Juro que eu pensava ser o pior orador do meio, e o Ari confirmou que eu estava certo. Ele é quase tão ruim quanto eu, mas eu ainda sou o pior. Ele tem aquela voz de de barítono, próprio dos afrodescendentes, mas fala como eu, começa em ré, fica em ré e termina em ré, com ampla semitonagem. É uma música de um único compasso. O que nos salva, e a ele um pouco mais, é a letra da música.

Não sei porque não nos interessamos mais por Retórica. Ah! Já sei, se é o espírito que fala, retórica é carnalidade. Nossa! Quanta ignorância. Consegui assistir a metade, mas cheguei ao limite, um passo a mais, e voltava a sonhar com Juquehy. Amanhã tentarei assistir o resto. Afinal quero ver como a história termina.

Agora crueldade é publicar a entrevista do Caio Fábio, feita pelo Bregantim. Pô Sérgio, em nome dos tempos onde todos aproveitaram a ousadia e pioneirismo do cara, some com isso. Enfim, tem essa de ser um fato jornalístico. Tudo bem.

Não é sem razão que o Mestre ensinou a orar pedindo para não cairmos em tentação, especialmente quando se alcança alguma fama, mesmo sendo em terras tupiniquins. Uma vez caído, é muito difícil levantar-se. Para nós, sem o peso da fama, é mais fácil cair e levantar. Mas caras como esses estão ferrados. Para mim o Estevan e a Sônia não conseguirão. Pelo menos o Caio conseguiu chegar ao primeiro passo, admitindo ser um pecador. Enfim, para Deus não há impossibilidades.

Temo que tentem trazer novas traduções do texto bíblico, no futuro, mais concernentes com os acontecimentos atuais. Paulo andou dizendo coisas como a chuva ser presente imerecido de Deus (dito pelo Ariovaldo). Das duas uma, ou Deus nunca disse isso ou Paulo andou tomando vinho além da conta, em certas ocasiões. Com a palavra os habitantes de New Orleans e, recentemente, um monte de chineses.

Me desculpem o azedume, mas estou em plena síndrome de segunda-feira. Como disse o Ari, não adianta fazer correntes, nem determinações ou jejuns (nessa o Brabo tá ferrado) pois só podemos contar com a graça. Problema é que ela anda meio escassa, por aqui. Tirando o ar, apesar de poluído, o planeta ainda virando em sua órbita e a lei da gravidade intacta, o resto o Criador já está em vias de revogar.

Bom, mas não adianta nada chorar. Aquele maldito Adão e a companheira dele. Vejam o estrago feito. A se fosse eu lá, Eva ia implorar não ter nascido. Agora tome a nós outros. Pois sim. Não mereço um réis furado (igual a um real furado) e dependo do maioral me conceder algum favor imerecido (não posso chamar de graça, porque o Ari não quer). Antes era o Shedd responsável por estragar tudo. Agora, tem esses caras.

Assim caminham os grutenses.

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