A Gruta do Lou

Futebol, autoritarismo e corrupção

 

Autoritarismo no Futebol

Perguntaram ao comentarista o que a FIFA teria em comum com Putin da Rússia, país escolhido para sediar a próxima Copa (2018) e ele respondeu de bate pronto: Autoritarismo e Corrupção.

Outro foi perguntado sobre a possível presença da seleção da CBF na Copa 2018. O cara respondeu: futebol é mercado e não haverá Copa de Futebol em lugar nenhum sem a Seleção Brasileira, pois com ela milhões estarão garantidos.

Provavelmente, tudo o que você e eu vimos pela TV não passou de um evento com script rigidamente elaborado previamente, desde a Copa das Confederações até a final da Copa e seu campeão mais do que sabido. Não vamos mais falar sobre isso, pois não vale a pena.

Nossa conversa aqui é bem outra. Tenho pensado em liberdade a minha vida inteira, despertado por uma vida vivida sob os auspícios do autoritarismo. Talvez você logo me relacione ao período ditatorial declarado ocorrido no Brasil entre 1964 e 1990. Mas essa não é toda a verdade.

O autoritarismo começa em casa. Pais que foram filhos de nossos avós autoritários, repetem o script pra cima de nós e fazemos o mesmo com nossos filhos, de tal forma que nossos netos já estejam inapelavelmente condenados ao autoritarismo e suas consequências funestas. Claro, toda regra tem suas exceções, portanto, nem todo mundo vira Hitler, Mussolini ou Lula. Há a herança que ocorre no outro extremo, ou seja, os caras com complexo de vira-latas. Qualquer semelhança aqui, é uma mera coincidência, obviamente.

Até esse ponto, salvo desvios inesperados, como acontece com os filhos dos marginais, as pessoas não entraram em contato com a corrupção, ainda. Essa fase chega um pouco depois quando nossa vida passa a ser dividida entre o lar e a escola. Evidentemente, como no caso do lar paterno, não somos preparados, nem sequer minimamente avisados do que iremos encontrar nesses antros criados com modelos desenhados no inferno ou algo parecido. Lá, a primeira coisa que você descobre é, à semelhança de seu santo lar paterno, não existe liberdade. Até aquilo que os professores e orientadores possam denominar como livre e democrático, seguramente será manipulado por eles. Alunos costumam ser pestes a serem devidamente controlados e enquadrados para tornarem-se normais, ou seja, adaptados ao “status quo” vigente, onde criatividade e livre pensar são tidos como anátemas. Como bem lembrou o Ken Robinson: “escolas matam a criatividade”.

Além da criatividade, as escolas e seus “professores” odeiam alunos que pensam, questionam e tem como objetivo de vida: “ser feliz”. As escolas, como as conhecemos, foram organizadas após a revolução industrial para preparar trabalhadores capazes de servir como mão de obra nas fábricas. Graças à tecnologia que desenvolveu os robôs, os empregos nas fábricas minguaram, mas as escolas parecem não conhecer esse detalhe. Em São Paulo, para todo lado que você olha há uma faculdade, a maioria oferecendo cursos obsoletos ou de humanas, o que dá no mesmo. Os mais espertos arrumam uma vaga em alguma fábrica, banco ou comércio e o resto vira professor e depois consultor (quando fica velho). Isso se não optar por uma barriquinha de camelo na frente de alguma igreja Universal e/ou semelhantes.

Na escola, as pessoas costumam ter suas primeiras experiências não providas em casa. Camisinhas há em profusão e grátis. Então você começa a descobrir coisinhas como a corrupção. Ela aparece na proteção de determinados alunos por parte dos professores. O critério de avaliação, geralmente funciona por critérios subjetivos de cada professor e permite que a garota bonitinha mas ordinária receba notas impensáveis se para tanto ela apenas apresentasse seu saber acadêmico. Alguns garotos também tiram proveito desse esquema. Esse tipo de acontecimento pode ser multiplicado segundo a corrupção de cada um. Tenho um certo nojo de entrar nesses detalhes, mas nos meus tempos de escola, tanto como aluno quanto como professor, vi o suficiente para vomitar eternamente.

Evidentemente o autoritarismo e a corrupção juntos entram em ebulição quando andam juntos. No caso da escola, organização que funciona em templos erigidos em homenagem a Mamon, cuja semelhança com presídios e masmorras é incrível. Hoje em dia, inclusive, elas dispõem de segurança em força humana e aparatos de restrição para controlar seus presidiários, digo, alunos. Professores tratam seus pupilos com máxima autoridade, através da variação entre o paternalismo e as atitudes autocráticas mais chulas. Geralmente agem como se soubessem tudo dirigindo-se a um bando de postes inanimados. Mas amo as escolas, como de resto, sou masoquista o suficiente para amar quem não me ama. Mais ou menos, o mesmo se dá com as igrejas. Nesse caso, acho que dou conta de andar com Deus e ser espiritual sem essas espeluncas onde grassam dogmas e corruptelas, menos a graça.

Então não surpreende que o futebol seja outro subproduto do autoritarismo e/ou corrupção. Afinal, como seres autoritários e corruptos se relacionariam com ele, se assim não fosse? Aliás, isso não é privilégio do futebol, mas está presente em todos os esportes e nas demais atividades de nossa vida. No ano passado perdi um filho para o autoritarismo e a corrupção nos hospitais e serviços de saúde, públicos e privados. Meus amigos e colegas de infortúnio ainda me classificaram de louco, dando voz aos médicos e seus lacaios assassinos. Até aceitaria ser incluído entre os autoritários e corruptos, embora nunca tenha trabalhado na FIFA, CBF ou clube de futebol. Mas louco, certamente, ainda não estou. Posso ter uma ou outra síndrome dessas últimas lançadas no mercado da psicoterapia, mas ainda consigo bater palmas sem errar.

Em resumo, o que estou dizendo por via escrita é que o problema da nossa seleção não é tático ou de tática, simplesmente. Trocar técnico é trocar seis por meia dúzia, como estão dizendo os amigos da padaria. Muito embora ninguém mais aguenta ver a cara do Felipão, Parreira de Dr. Runco, sem falar no Marin e Del Nero, vaquinhas de presépio do R. Teixeira, se não me engano.

Para trazer nosso futebol único de volta, vamos ter que voltar a ser felizes, criativos e capazes de pensar e, principalmente, com cabeça fresca para intuir um drible, um lançamento e o gol. Para isso, será preciso diminuir a autoridade corrupta dos políticos de todas as esferas, professores, padres/pastores, magistrados, policiais, patrões e todos os Manda-Chuvas do pedaço. Essa gente, por sua própria natureza só sabe jogar na defesa e na retranca. Se eles não quiserem continuar existindo como tal, tanto melhor. Não farão falta alguma, acho.

morcego-12

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