A Gruta do Lou

Formigas Inundadas

Passei a maior parte da semana em São Paulo e, em meio a conversas, alguém veio com uma afirmação intrigante, se tem base científica não sei, mas me intrigou. Disse o malandro: As formigas estão em evidência porque a terra se encharcou e as formigas, tal como os pobres, perderam tudo, embora sem as enchentes eles vivam apregoando não terem nada.

Se a enchente nos pegasse e aquela reporter peituda da globo me perguntasse argutamente o que eu estava sentindo naquele momento, minha resposta seria: sentir o que? Não tinha nada e a água levou todo o meu nada ou algo parecido. Fato é que as formigas surgiram com as chuvas intermináveis, de várias espécies e tamanhos. Começou no dia em que fui carpir o buraco da árvore na calçada de casa e sofri um ataque covarde e quase letal de um bando de formigas traiçoeiras que haviam se alojado lá.

Depois disso elas começaram a surgir por todos os lados na casa, especialmente na pia da cozinha, onde elas parecem ter especial interesse. Dia desses, elas invadiram uma panela onde havia o resto de uma saborosa macarronada. O lixo, de ontem para hoje, amanheceu negro (sem ofensa afro) e, quando a Dedé se aproximou, percebeu serem elas, as formigas, esses seres nada ecológicos, traçando tudo que dava e ainda levou boas ferroadas, coitada.

Diante da informação de meu amigo, um pastor, claro, afinal pastores tem tempo de sobra para as pesquisas, só podia concordar, afinal elas perderam tudo e agora avançaram sobre o nosso nada. Sempre achei a Bíblia meio que favorável às formigas, a ponto de nos indicar o caminho delas como algo a ser imitado. Os escritores do livro sagrado não tiveram o nosso privilégio, ou seja, ser informados do caráter peçonhento dessas pestinhas endemoninhadas, pelo pessoal do jaleco branco.

Sabe, sou uma espécie de serial killer, pois durante a minha vida assassinei centenas, talvez milhares de formigas e baratas, sem falar na vez da lagartixa, aquela maldita que não me deixava dormir, no dia em que a encontrei a vingança se consumou. Putz, que sensação gostosa! FDP! Passei a infância, a adolescência e boa parte da vida adulta sob intenso sentimento de arrependimento devido a esse pequeno segredo guardado a sete chaves. Grande libertação experimentei quando o cientista me livrou de meu infortúnio ao classificar as formigas e baratas entre os seres mais peçonhentos do planeta. Agora só falta alguém descobrir quão peçonhentos são os pobres e as lagartixas. Na próxima vez em que me convidarem a pregar, meu tema será: Matar formigas, baratas e lagartixas não é pecado, mas missão.

6 thoughts on “Formigas Inundadas

  1. Oxente… Tu tás falando de formigas enquanto a turma missionária Batista tá dando o que falar lá no Haiti?

    Leia as minha formigas como os tais batistas do Haiti, por exemplo.

  2. Minha màe me disse que formiga em casa, em carreirinha, é sinal de mudança de endereço…será que elas preveem o futuro?

    Ué? Nós estamos mesmo de mudança. Acho que agora vamos…

  3. Os teus leitores andam gracejosos demais pro meu gosto. Afinal o tema – Matarás ou não matarás? – é de suma importẫncia.
    Agora, o que eu me pergunto é: o que é matar umas formiguinhas em comparação com matar o planeta?

    Logo, logo, elas serão o planeta. 🙂

  4. insetos pequenos em geral são um problema…mas segundo os meus amigos budistas,toda vez que eu piso
    em algum,posso estar matando um tio,um irmão…não bastasse a infinidade de “culpas” que o cristianismo já andou me aplicando…querem que eu tenha mais esta.
    Sinceramente, eu sinto que tudo no planeta deve estar em harmonia,mas como estamos carecas de saber que
    já metemos a mão na cumbuca mais que deveríamos, o mínimo que podemos esperar é uma invasão de formigas… por enquanto elas “ainda são pequenas”

    Vi, na região de Baurú uma área devastada por formigas e fiquei com a impressão de que monstros existem.

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